O Bradescard Elo Internacional Básico saiu de linha: o emissor não o oferece mais a novos clientes. A ficha abaixo serve como consulta para quem ainda tem o cartão na carteira. Era um cartão de entrada, sem pontos e sem cashback, com anuidade de R$ 116,40 e juros de rotativo de 18,50% ao mês. Nosso veredito: cumpria a função de abrir a porta do crédito para quem ganhava pouco, mas cobrava caro por isso — e hoje só interessa a quem precisa entender a própria fatura.

O que é este cartão

O Bradescard Elo Internacional Básico é emitido pelo Banco Bradescard, o braço de cartões do grupo Bradesco, na bandeira Elo em sua versão Internacional. Na nossa classificação ele fica na categoria Standard — a faixa de entrada do mercado, sem qualquer camada premium.

O posicionamento sempre foi claro e limitado: primeiro cartão. A proposta era aprovar quem ainda não tinha histórico bancário, com renda a partir do salário mínimo, entregando um plástico aceito no Brasil e no exterior. Nada além disso. Não havia programa de pontos, não havia cashback, não havia sala VIP. O cartão existia para que o cliente começasse a construir um histórico de crédito no sistema financeiro.

Situação atual: a ficha do emissor registra o produto como descontinuado desde agosto de 2026, e a própria tabela de tarifas já o tratava como cartão legado, sem isenção de anuidade prevista e sem comercialização para novos clientes desde 2025. As tarifas seguem valendo para quem tem o cartão ativo.

Em recursos, é um cartão espartano. Tem pagamento por aproximação (contactless). Não tem cartão virtual. O limite de crédito trabalhava numa faixa estreita, de R$ 300 a R$ 5.000, e permitia até dois cartões adicionais — que dividem o mesmo limite do titular, e não somam limite novo. O prazo entre a compra e o pagamento chega a 40 dias, dependendo de onde a compra cai dentro do ciclo da fatura.

Anuidade e custos reais

A anuidade é de R$ 116,40 por ano, cobrada em doze parcelas de R$ 9,70 na fatura. Não há isenção — nem no primeiro ano, nem por gasto mínimo, nem por relacionamento. A ficha do emissor é explícita: sem isenção prevista.

Esse é o ponto que mais pesa contra o cartão. R$ 9,70 por mês parece um valor pequeno, e é exatamente por isso que passa despercebido. Só que, num cartão sem cashback e sem programa de pontos, esse dinheiro não volta de nenhuma forma. Em cartões com recompensas, dá para argumentar que a anuidade se paga com o retorno. Aqui não existe retorno para comparar: os R$ 116,40 são custo puro, todo ano, em troca apenas do direito de ter o cartão.

Do lado bom, a segunda via do cartão é isenta — o que num cartão de entrada, cujo público troca de endereço e perde plástico com mais frequência, é um alívio real e não uma cortesia de fachada.

Os saques em dinheiro são caros para o valor típico de quem usa este cartão: R$ 18,90 por saque no Brasil e R$ 25,00 no exterior, além dos encargos que incidem sobre o valor sacado. Compras internacionais têm IOF de 3,5% por operação, conforme o Decreto nº 12.499/2025.

Vale registrar o que não se cobra: não existe tarifa de abertura de crédito para pessoa física no Brasil — a antiga TAC foi proibida. Se alguém cobrar algo com esse nome, é irregular. A ficha também não informa tarifa para cartão adicional; quem quiser incluir dependentes deve confirmar essa condição no site oficial do emissor.

CustoValor
AnuidadeR$ 116,40 por ano
Forma de cobrança12 parcelas de R$ 9,70 na fatura
Anuidade no primeiro anoR$ 116,40 (sem desconto)
Isenção de anuidadeSem isenção prevista (cartão legado)
2ª via do cartãoIsento
Saque em dinheiro no BrasilR$ 18,90 por saque
Saque em dinheiro no exteriorR$ 25,00 por saque
Compras internacionaisIOF de 3,5% por operação (Decreto nº 12.499/2025)
Atraso no pagamentoMulta de 2% + mora de 1% ao mês + juros do rotativo de 18,50% ao mês
IOF em financiamento (rotativo e parcelamento)0,38% sobre o valor contratado + 0,25% ao mês

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, e este cartão não foge à regra. Quem paga apenas o mínimo da fatura entra no rotativo a 18,50% ao mês. Convertendo para o ano com juros compostos — ((1 + 18,50/100)12 − 1) × 100 — chega-se a 666,69% ao ano. A tabela do emissor indica ainda que, no período seguinte, a taxa sobe para 20,50% ao mês, com Custo Efetivo Total de 739,88% ao ano.

O parcelamento da fatura sai a 16,10% ao mês, o equivalente a 499,77% ao ano em juros compostos, com 18,10% ao mês previstos para o período seguinte. Já o parcelado em outros estabelecimentos aparece a 7,99% ao mês no período atual e 9,99% ao mês no seguinte. Sobre qualquer uma dessas operações incide IOF: 0,38% sobre o valor contratado mais 0,25% ao mês proporcional aos dias de financiamento.

Exemplo numérico. Suponha R$ 1.000 de saldo devedor que rolam por 30 dias no rotativo. Os juros somam R$ 185,00. O IOF acrescenta R$ 3,80 da parcela fixa mais R$ 2,50 da parcela mensal. A dívida chega a R$ 1.191,30 em um único mês — e isso antes de qualquer compra nova entrar na fatura.

Estendendo a conta, a taxa de 666,69% ao ano multiplicaria uma dívida por quase 7,7 vezes em doze meses. Aqui entra a Lei 14.690/2023: desde janeiro de 2024, os encargos do rotativo não podem ultrapassar o valor original da dívida. Na prática, R$ 1.000 não se transformam em mais de R$ 2.000 a pagar. Atenção ao que esse teto significa: ele limita o quanto a bola de neve cresce, não reduz a taxa mensal anunciada. Dobrar a dívida continua sendo um péssimo negócio.

O parcelamento da fatura é menos ruim, mas longe de barato. R$ 1.000 parcelados em 12 vezes a 16,10% ao mês dão parcelas de aproximadamente R$ 193,21 — R$ 2.318,52 no total, sendo R$ 1.318,52 só de juros. A simulação é simplificada e não inclui IOF nem tarifas, ou seja, o CET real informado pelo emissor no contrato será maior. Se você chegou ao ponto de precisar parcelar, vale comparar com um crédito pessoal ou consignado antes de assinar.

Em caso de atraso, os encargos se somam: multa de 2% sobre o valor devido, mora de 1% ao mês e os juros do rotativo de 18,50% ao mês.

Benefícios principais

Aqui é preciso ser direto: este cartão praticamente não tem benefícios, e essa é a informação mais útil que podemos dar ao leitor.

Cashback: não existe. Pontos e milhas: não existe programa de recompensas de nenhum tipo — nada acumula, nem em compras nacionais nem internacionais. Salas VIP: não há acesso a lounges de aeroporto. Carteiras digitais: o cartão não funciona com Apple Pay nem com Google Pay, o que em 2026 é uma limitação prática séria, especialmente para quem se acostumou a pagar pelo celular. Cartão virtual: não disponível, o que enfraquece a segurança em compras online, já que não dá para gerar um número descartável.

Seguros: a ficha do emissor não lista nenhum seguro associado ao cartão — nem proteção de compra, nem seguro de viagem, nem garantia estendida. Quem tiver o cartão ativo e quiser certeza deve consultar o contrato no site oficial.

Pix no crédito: este é o único item da ficha sem confirmação oficial. O registro é de que o recurso não está disponível, mas essa informação não foi confirmada pelo emissor. Não trate como certeza em nenhuma direção; confirme no aplicativo ou no site oficial do Bradescard.

O que efetivamente existe do lado positivo é modesto e utilitário: pagamento por aproximação, prazo de até 40 dias entre a compra e o pagamento quando a compra cai no início do ciclo, segunda via gratuita, possibilidade de até dois cartões adicionais dividindo o limite do titular, opção de parcelar a fatura quando o mês aperta e a bandeira Elo Internacional para uso fora do Brasil. Sobre esse último ponto, uma ressalva editorial: antes de contar com o cartão numa viagem, confirme a cobertura da rede internacional no site oficial do emissor — a aceitação da Elo fora do Brasil depende de acordos com redes parceiras e não é equivalente em todo lugar.

Requisitos para pedir

Antes da lista, o aviso que importa: o cartão está fora de linha, então estes requisitos valem como registro histórico e como referência para quem já é cliente, não como convite para solicitar.

Sobre a renda mínima, é preciso cautela. A ficha traz R$ 1.100 como valor de referência, mas essa é uma estimativa reunida a partir de várias fontes, e não um número oficialmente publicado e confirmado pelo emissor. Trate como ordem de grandeza — algo próximo de um salário mínimo —, nunca como um corte exato.

E, como em qualquer cartão no Brasil, renda declarada não garante aprovação. A decisão sai da análise de crédito do banco, que pesa o score, o histórico de restrições no SPC e no Serasa, o relacionamento já existente com a instituição e a comprovação de renda apresentada. Dois candidatos com a mesma renda podem receber respostas opostas — e limites bem diferentes dentro da faixa de R$ 300 a R$ 5.000.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
Renda mínimaReferência estimada de R$ 1.100 (valor não confirmado oficialmente pelo emissor)
Situação do CPFRegular
Comprovação de rendaComprovante a partir do salário mínimo
Comprovante de residênciaObrigatório
Documento de identidadeRG ou CNH
Limite de créditoDe R$ 300 a R$ 5.000, conforme análise
Cartões adicionaisAté 2, compartilhando o limite do titular
DisponibilidadeDescontinuado desde agosto de 2026

Pontos fortes e fracos

O que este cartão fazia bem. A porta de entrada era larga: exigia pouco de quem tinha pouco. Para um trabalhador com carteira assinada ganhando perto do salário mínimo, sem histórico bancário e sem qualquer produto de crédito no nome, este era um dos caminhos disponíveis para começar a existir para o sistema financeiro. A segunda via isenta e o prazo de até 40 dias completavam um pacote funcional. A bandeira Elo Internacional dava um alcance que cartões de loja puros não davam. E a opção de parcelar a fatura, embora cara, funcionava como válvula de escape num mês ruim.

Onde ele falhava. A anuidade de R$ 116,40 é o problema central: cobrar por um cartão que não devolve nada é difícil de justificar num mercado onde produtos de entrada sem anuidade se tornaram comuns. O rotativo a 18,50% ao mês é punitivo justamente para o público que mais tende a cair nele — quem tem orçamento apertado e usa o cartão como extensão do salário. A ausência de Apple Pay e Google Pay envelheceu mal. A falta de cartão virtual é uma lacuna de segurança, não de conforto. E o limite máximo de R$ 5.000 significava que, quando o cliente finalmente construía o histórico que o cartão prometia ajudar a construir, o produto já não acompanhava — o que empurrava para uma migração inevitável.

Somando: um cartão que resolvia um problema de entrada, cobrando por isso um preço que só fazia sentido enquanto não houvesse alternativa melhor.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Como o cartão não é mais oferecido, a pergunta útil deixou de ser "vale a pena pedir" e passou a ser "vale a pena manter". Três situações concretas:

Marcelo, 22 anos, primeiro emprego formal, ganha perto do salário mínimo. Ele conseguiu o cartão há dois anos, usa para o supermercado e paga a fatura inteira todo mês. Para ele, manter faz sentido no curto prazo: o histórico está sendo construído e R$ 9,70 por mês é o preço dessa construção. Mas o próximo passo já deveria estar no radar — assim que o score permitir, migrar para um cartão sem anuidade elimina R$ 116,40 por ano de custo sem perder nada, porque não há benefício algum a perder.

Renata, 34 anos, atrasa a fatura com alguma frequência e já entrou no rotativo mais de uma vez. Para ela, este cartão trabalha contra o orçamento. Cada mês no rotativo adiciona 18,50% ao saldo, mais IOF; um atraso ainda soma multa de 2% e mora de 1% ao mês. O teto da Lei 14.690/2023 impede que a dívida exploda sem limite, mas dobrar o valor devido já é estrago suficiente. O caminho é procurar uma linha de crédito mais barata para quitar o saldo do cartão e reduzir o uso do plástico a compras que ela consiga pagar integralmente.

Diego, 41 anos, viaja a trabalho, paga tudo pelo celular e quer acumular milhas. Este cartão não serve para nada do que ele precisa. Sem Apple Pay, sem Google Pay, sem pontos, sem milhas, sem sala VIP, sem seguro de viagem listado e ainda com anuidade. Para o perfil dele, manter o cartão só faz sentido como linha antiga no histórico de crédito — e mesmo assim é preciso pesar se R$ 116,40 por ano valem esse detalhe.

Como pedir — e por que não dá mais

Não é possível solicitar o Bradescard Elo Internacional Básico. O emissor descontinuou o produto, que já constava como legado na tabela de tarifas desde 2025 e aparece como fora de linha desde agosto de 2026. Nenhum canal — site, aplicativo, telefone ou loja parceira — abre proposta nova para este cartão. Se você encontrar uma página de terceiros prometendo aprovação neste modelo, desconfie: comparadores e blogs costumam demorar a atualizar fichas de produtos descontinuados.

Para quem já tem o cartão, o que continua funcionando é a operação normal: consultar e pagar a fatura, pedir segunda via (isenta), incluir ou excluir adicionais, contestar compras, negociar dívidas e, se for o caso, cancelar. Tudo isso é feito nos canais oficiais do emissor, na página bradescard.com.br.

Duas recomendações práticas. Primeira: se decidir cancelar, peça o encerramento formal e guarde o protocolo, além de confirmar que não restou saldo de anuidade em aberto. Segunda: antes de cancelar, verifique se este é seu relacionamento de crédito mais antigo — em alguns casos, manter uma linha antiga ajuda o histórico. E confira sempre as condições vigentes no site oficial, porque tarifas de cartões legados podem ser revistas.

Conclusão editorial

O Bradescard Elo Internacional Básico recebe 2,8 de 5 na nossa avaliação, e a nota resume bem o produto: cumpria uma função social relevante — dar acesso ao crédito a quem o sistema costuma deixar de fora — mas cobrava por isso uma anuidade sem contrapartida e mantinha juros de rotativo entre os mais altos do mercado.

A descontinuação, do ponto de vista do consumidor, não é uma perda. O segmento de cartões de entrada evoluiu, e produtos que dispensam anuidade cobrem hoje o mesmo público. Quem ainda tem o cartão não precisa correr para cancelar, mas deveria fazer duas contas: quanto custam os R$ 116,40 anuais em troca de zero benefício, e qual é a chance real de acabar no rotativo em algum mês apertado. Se a resposta à segunda pergunta for "alguma", o cartão deixa de ser uma ferramenta de construção de crédito e vira uma fonte de dívida cara.

Nosso conselho é simples: use como ponte, não como destino. Pague sempre a fatura integral, use o histórico que ele ajudou a construir para conseguir um cartão sem anuidade e feche este quando fizer sentido.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.