O Nubank Mastercard, o Roxinho, é o cartão de entrada mais usado do Brasil: sem anuidade vitalícia para o titular e para os adicionais, com aprovação 100% digital e sem comprovação formal de renda. Em troca, não entrega pontos, milhas, cashback nas compras do dia a dia, seguros nem salas VIP. Nosso veredito em uma frase: é um ótimo primeiro cartão para quem paga a fatura integral todo mês — e um dos créditos mais caros do mercado para quem não paga.

O que é este cartão

O Nubank Mastercard (Roxinho) é emitido pelo Nubank, banco digital brasileiro que opera sem agências, e roda na rede Mastercard — o que garante aceitação internacional em lojas e caixas eletrônicos. Na nossa ficha, ele aparece classificado na categoria Gold, e aqui vale um aviso para não gerar expectativa errada: a categoria descreve o posicionamento do produto no catálogo, não um pacote de benefícios premium. O Roxinho não dá acesso a salas VIP em aeroportos, não tem programa de pontos ou milhas na versão básica e não inclui seguros. Quem procura esse tipo de contrapartida está comparando produtos diferentes.

O posicionamento é outro, e é coerente: um cartão de crédito autônomo, que não exige portabilidade de salário, pacote de serviços nem relacionamento prévio com o banco, e cuja principal proposta de valor é custo fixo zero somado a um aplicativo que centraliza toda a gestão — acompanhar a fatura, ajustar o limite, bloquear e desbloquear o cartão, gerar cartão virtual. A idade mínima é de 18 anos.

Em equipamento, está em dia com o mercado: pagamento por aproximação (contactless), cartão virtual para compras online, e compatibilidade com Apple Pay e Google Pay. Também oferece Pix no crédito. Nossa nota editorial para o produto é 4,5, e ela reflete exatamente o que o cartão se propõe a ser: simples, barato de manter e sem letra miúda na anuidade. O modelo de negócio, contudo, precisa ser entendido antes de qualquer julgamento: o que é gratuito é o plástico, não o crédito.

Anuidade e custos reais

Este é o ponto mais forte do cartão e não há pegadinha nele: a anuidade é R$ 0, no primeiro ano e nos seguintes, para o titular e para os cartões adicionais. Não há mensalidade, não há exigência de gasto mínimo para zerar tarifa e não existe cobrança de abertura de crédito — a TAC foi proibida para pessoas físicas no Brasil. Se você usa o cartão apenas para comprar e paga a fatura integral até o vencimento, o custo do produto é efetivamente zero.

O dinheiro entra por outro caminho: os juros do crédito. Rotativo, parcelamento da fatura e saque têm taxas próprias, e todas são altas — tratamos delas em detalhe na seção seguinte. Há ainda dois custos que muita gente descobre tarde. O primeiro é o IOF, cobrado em qualquer operação de crédito: 0,38% fixo sobre o valor da operação mais 0,0082% ao dia sobre o saldo devedor, limitado a 365 dias. O segundo é o custo de compras internacionais: além do IOF de 3,5% sobre o valor convertido, a conversão usa o dólar de referência PTAX Venda mais 4% — esse spread de 4% é um custo real, embora não apareça como tarifa na fatura.

Alguns dados simplesmente não são publicados pelo emissor, e nós não os inventamos. É o caso do limite de crédito (mínimo e máximo), do número de dias sem juros entre a compra e o vencimento e do CET anual do rotativo — o Nubank informa que o Custo Efetivo Total é detalhado na própria fatura do cliente, e não em uma tabela agregada no site. A tabela abaixo reúne tudo o que está confirmado.

CustoValor
Anuidade (titular e adicionais)R$ 0 — sem anuidade vitalícia
Anuidade no primeiro anoR$ 0
MensalidadeR$ 0
Juros do rotativoDe 2,75% a 19,99% ao mês (de 38,48% a 790,72% ao ano)
Juros do parcelamento da faturaDe 0,99% a 19,75% ao mês (de 12,55% a 769,57% ao ano)
Juros do saque com cartão de crédito9,75% ao mês (205,39% ao ano), mais IOF próprio do saque
IOF em operações de crédito0,38% fixo + 0,0082% ao dia, até 365 dias
Compras internacionaisIOF de 3,5% sobre o valor convertido, com dólar PTAX Venda + 4%
Atraso no pagamentoMulta de 2% + juros de mora de 1% ao mês (0,033% ao dia)
CET anual do rotativoNão publicado de forma agregada — informado na fatura do cliente
Segunda via do cartãoNão informado na nossa ficha — confirme no site oficial do emissor
Limite de créditoNão publicado — definido por análise individual
Dias sem juros entre compra e vencimentoNão publicado pelo emissor

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, mais cara que cheque especial, empréstimo pessoal ou crédito consignado. Ele começa a correr automaticamente quando você paga menos que o valor total da fatura: o saldo remanescente vira dívida e passa a render juros até o vencimento seguinte. No Roxinho, o Nubank publica faixas, não uma taxa única: de 2,75% a 19,99% ao mês no rotativo e de 0,99% a 19,75% ao mês no parcelamento da fatura. A taxa que cabe a cada cliente sai da análise individual e só aparece na simulação dentro do aplicativo, antes da confirmação. Nenhum leitor deve presumir que vai receber o piso.

Convertidas para o ano em juros compostos, essas faixas mostram o tamanho real do problema: 2,75% ao mês equivalem a 38,48% ao ano, e 19,99% ao mês, a 790,72% ao ano. No parcelamento, 0,99% ao mês equivalem a 12,55% ao ano e 19,75% ao mês, a 769,57% ao ano. Repare que, no teto, parcelar a fatura é apenas marginalmente mais barato que ficar no rotativo — não é uma solução, é um analgésico.

Um exemplo com número redondo. Suponha um saldo de R$ 1.000 deixado no rotativo por 30 dias. No teto de 19,99% ao mês, são R$ 199,90 de juros mais cerca de R$ 6,26 de IOF (R$ 3,80 fixos e R$ 2,46 da parcela diária): a dívida chega a aproximadamente R$ 1.206. No piso de 2,75% ao mês, o mesmo mês custa R$ 27,50 de juros mais o mesmo IOF, e a dívida fica em torno de R$ 1.034. Seis vezes de diferença pelo mesmo produto, dependendo apenas da taxa atribuída a você.

No parcelamento, a mesma conta em 12 vezes: no piso de 0,99% ao mês, a parcela sairia por cerca de R$ 88,79, totalizando aproximadamente R$ 1.066; no teto de 19,75% ao mês, seriam cerca de R$ 223,16 por mês, ou perto de R$ 2.678 no fim — mais que o dobro do valor original. Cálculos nossos, feitos a partir das taxas publicadas pelo emissor; o valor que vale é o da simulação no app.

Há um limite legal importante desde janeiro de 2024: a Lei 14.690/2023 impede que os encargos do rotativo ultrapassem o valor original da dívida. Na prática, R$ 1.000 de rotativo não podem virar mais de R$ 2.000. Isso é uma trava contra a bola de neve, não um desconto: a taxa mensal anunciada continua a mesma, e o teto é atingido muito rápido quando se paga só o mínimo. Sobre o CET, o Custo Efetivo Total, que reúne juros, IOF e demais encargos em um número único: o Nubank não o publica de forma agregada, informando-o na fatura de cada cliente. É esse número — e não a taxa isolada — que você deve olhar antes de aceitar qualquer financiamento.

Benefícios principais

O Roxinho não compete por benefícios; compete por custo e por controle. Ainda assim, há entregas concretas.

  • Anuidade zero vitalícia, inclusive nos cartões adicionais — o que permite equipar a família sem multiplicar custo fixo.
  • Pix no crédito em até 12x sem juros, segundo as condições publicadas pelo emissor: serve para pagar quem só aceita Pix usando o limite do cartão. Confira o custo total na simulação do app antes de confirmar, incluindo eventuais encargos da operação.
  • Parcelamento da fatura em até 24x, útil como saída emergencial de uma fatura pesada — desde que a taxa oferecida seja razoável, o que nem sempre acontece.
  • Cartão virtual para compras online, com a segurança de não expor o número do cartão físico.
  • Pagamento por aproximação, Apple Pay e Google Pay.
  • Aplicativo com controle total do limite: ajustar limite, acompanhar a fatura em tempo real, bloquear e desbloquear o cartão.

Sobre cashback, é preciso ser exato para não induzir ninguém ao erro: o Roxinho não devolve dinheiro nas compras do dia a dia. A devolução existe apenas nas compras feitas dentro do Nubank Shopping, e o percentual varia por loja e por campanha — não é um valor fixo publicado, então deve ser conferido no aplicativo no momento da compra. Tratar isso como "cartão com cashback" seria propaganda, não análise.

E o que não existe, dito sem rodeios: nenhum programa de pontos ou milhas no cartão básico, nenhum seguro incluso — nem viagem, nem compra protegida, nem proteção de preço — e nenhum acesso a salas VIP. Para compras internacionais, o cartão funciona, mas o custo (IOF de 3,5% mais o spread de 4% sobre o PTAX Venda) e a ausência de seguro viagem fazem dele uma escolha ruim como cartão principal de quem viaja.

Requisitos para pedir

Aqui está o ponto que mais gera confusão. O Nubank não publica um valor de renda mínima para o Roxinho, e a ausência desse número não significa que qualquer pessoa é aprovada. Significa apenas que o critério não é um piso de renda divulgado, e sim a análise de crédito — score, histórico de pagamentos, eventuais registros no SPC/Serasa, relacionamento com o banco e comprovação de renda quando solicitada. O que a ficha do emissor destaca é que não há exigência de comprovação formal de renda no pedido, o que ajuda autônomos, freelancers e quem não tem holerite. Aprovação, no entanto, continua sendo decisão do banco.

Da mesma forma, o limite de crédito inicial não é publicado — nem o mínimo, nem o máximo. Ele é definido individualmente e costuma ser revisto conforme o uso e o histórico de pagamento. Não confie em valores que circulam em fóruns.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
Renda mínimaNão publicada pelo emissor — sujeita à análise de crédito
Comprovação formal de rendaNão exigida no pedido, segundo o emissor
Análise de créditoSim — score, histórico, SPC/Serasa e relacionamento
Limite de créditoNão publicado — definido individualmente
Canal de solicitação100% digital, pelo aplicativo ou site do Nubank
Documentos exigidosNão detalhados na nossa ficha — confirme no site oficial

Pontos fortes e fracos

O que o cartão faz bem. A anuidade zero é real e vitalícia, sem gasto mínimo e sem contrapartida escondida — num mercado em que a isenção quase sempre vem condicionada a faturamento, isso tem valor. A porta de entrada é genuinamente larga: sem comprovação formal de renda, o cartão atende quem está começando a construir histórico de crédito e quem tem renda variável. O aplicativo é o melhor pedaço do produto: dá controle sobre o limite, mostra a fatura em tempo real e permite bloquear o cartão em segundos — o que reduz o risco de surpresa no fim do mês. Os adicionais sem custo e o cartão virtual completam um pacote enxuto e bem executado.

O que ele faz mal. A contrapartida do custo zero é a ausência quase total de benefícios: sem pontos, sem milhas, sem cashback nas compras gerais, sem seguros e sem salas VIP. Para quem gasta volumes altos no cartão, isso é dinheiro deixado na mesa todo mês — um cartão com programa de pontos, mesmo pagando anuidade, pode sair mais barato no líquido. O segundo problema é mais sério: o custo do crédito. Um rotativo que pode chegar a 19,99% ao mês, ou 790,72% ao ano, coloca o produto entre os mais caros do mercado quando o cliente não paga a fatura integral. E a política de faixas amplas — de 2,75% a 19,99% — tira do consumidor a capacidade de comparar antes de pedir: só na simulação dentro do app ele descobre qual taxa realmente vai pagar. Por fim, para viagens internacionais, a combinação de IOF de 3,5%, spread de 4% e ausência de seguro viagem torna o cartão pouco competitivo.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Marina, 24 anos, primeiro cartão. Trabalha como freelancer de design, tem renda irregular e nenhum holerite para apresentar. Gasta cerca de R$ 900 por mês em mercado, transporte e assinaturas, e paga a fatura integral. Para ela o Roxinho é praticamente ideal: entra sem comprovação formal de renda, não paga nada para manter o cartão, constrói histórico de crédito e controla tudo pelo celular. A ausência de pontos é irrelevante — no volume dela, nenhum programa devolveria o suficiente para justificar uma anuidade.

Carlos, 39 anos, viaja seis vezes por ano. Gasta acima de R$ 8.000 por mês no cartão, boa parte em passagens e hospedagem. Para ele, o Roxinho serve como cartão secundário, nunca como principal. Ele perde acúmulo de milhas em cada compra, não tem seguro viagem — item que passa a ser uma despesa avulsa — e paga IOF de 3,5% mais 4% de spread nas compras em dólar. Um cartão com anuidade e programa de milhas provavelmente sai mais barato no saldo final. Vale mantê-lo no bolso como reserva sem custo, e só isso.

Juliana, 46 anos, costuma pagar o mínimo. Este é o perfil que o cartão atende pior, e é preciso dizer com todas as letras. Se ela deixar R$ 3.000 no rotativo e receber a taxa de teto, são cerca de R$ 600 de juros em um único mês, mais IOF — e a Lei 14.690/2023 só impede que a dívida ultrapasse o dobro do valor original, o que não é consolo nenhum. Para quem já carrega saldo, a decisão relevante não é qual cartão pedir, e sim trocar a dívida do cartão por uma linha mais barata: empréstimo pessoal, crédito com garantia ou consignado, quando disponível. Anuidade zero não compensa juros de três dígitos ao ano.

Como pedir

O pedido é 100% digital e feito diretamente com o emissor, sem intermediários e sem taxa de solicitação. O caminho oficial é a página do cartão no site do Nubank: nubank.com.br/nu/cartao. O fluxo padrão consiste em informar seus dados pessoais, aguardar a análise de crédito e, em caso de aprovação, acompanhar a emissão e a entrega pelo aplicativo. A idade mínima é de 18 anos.

Três recomendações antes de confirmar. Primeira: assim que o cartão for aprovado, entre no app e verifique qual taxa de rotativo e de parcelamento foi atribuída a você — como as faixas vão de 2,75% a 19,99% ao mês, essa informação muda completamente o custo de qualquer imprevisto. Segunda: confira na fatura o CET de qualquer operação de crédito antes de aceitá-la; é o único número que mostra o custo real. Terceira: itens que não constam da nossa ficha — como o custo de segunda via do cartão e a documentação exigida — devem ser conferidos diretamente no site oficial do emissor ou no aplicativo, porque não foram publicados de forma verificável.

Por fim, desconfie de qualquer página que prometa aprovação garantida, limite pré-definido ou "liberação acelerada" mediante pagamento. Não existe taxa para pedir este cartão.

Leia também: Nubank Mastercard (Roxinho) no exterior: quanto custa cada R$ 1.000 gastos fora do Brasil

Conclusão editorial

O Nubank Roxinho é honesto naquilo que promete e caro naquilo que não anuncia. A anuidade zero vitalícia é real, o acesso é largo e o aplicativo entrega um nível de controle que boa parte dos bancos tradicionais ainda não alcançou. Como primeiro cartão, como cartão de reserva ou como cartão principal de quem paga a fatura integral todos os meses, é uma escolha difícil de criticar — e é por isso que ele leva 4,5 na nossa avaliação.

O problema aparece na outra ponta. Sem pontos, sem milhas, sem cashback geral e sem seguros, ele deixa valor na mesa de quem gasta muito. E, no momento em que o cliente deixa de pagar a fatura inteira, o produto barato vira um dos créditos mais caros disponíveis: até 19,99% ao mês no rotativo, ou 790,72% ao ano. A régua para decidir, portanto, não é o cartão — é o seu comportamento de pagamento. Se você paga tudo, todo mês, o Roxinho é praticamente gratuito. Se você carrega saldo, nenhuma isenção de anuidade compensa o que você vai pagar de juros.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.