O LATAM Pass Itaú Mastercard Black é um cartão de milhas para quem voa com frequência pela LATAM e concentra gastos altos em um único cartão. Ele acumula 2,5 milhas por dólar em compras nacionais e 3,5 milhas por dólar em compras internacionais, dá salas VIP e upgrades de cabine, e cobra R$ 113,00 por mês. Nosso veredito em uma frase: é um cartão excelente para quem gasta perto de R$ 20 mil por fatura e paga integralmente todo mês, e um mau negócio para todo o resto.

O que é este cartão

O LATAM Pass Itaú Mastercard Black é emitido pelo Itaú Unibanco, roda na bandeira Mastercard e ocupa a categoria Black, o topo da linha. É um cartão co-branded: nasce da parceria entre o Itaú e o programa LATAM Pass, e por isso todo o seu sistema de recompensas é feito de milhas aéreas, não de cashback nem de pontos genéricos de banco.

O posicionamento é claro e estreito. Não é um cartão para o consumidor médio que quer um bom benefício no dia a dia; é uma ferramenta para o viajante que já escolheu a LATAM como companhia principal e quer transformar o gasto do cartão em passagem, upgrade e status no programa de fidelidade. Tudo nele — salas VIP, embarque preferencial, trechos de cortesia para upgrade, desconto no Shopping LATAM Pass — gira em torno do aeroporto.

No dia a dia, o cartão traz pagamento por aproximação, cartão virtual para compras online e funciona com Apple Pay e Google Pay. Os seguros e o concierge 24h vêm do nível Black da Mastercard. Nossa nota editorial é 4,6, e ela reflete um cartão muito bem construído para um público muito específico — não um cartão bom para qualquer um.

Anuidade e custos reais

O Itaú cobra este cartão por mensalidade: R$ 113,00 por mês, o que equivale a R$ 1.356,00 por ano. Não há promoção de primeiro ano: a ficha registra o mesmo valor de R$ 1.356,00 no primeiro ano e nos seguintes. É uma das anuidades mais caras do mercado brasileiro de cartões, e entender a regra de isenção é o ponto mais importante desta análise.

A isenção funciona em degraus. Com gasto de R$ 20.000,00 por fatura, a mensalidade é zerada. Com gasto a partir de R$ 10.000,00 por fatura, você paga metade — R$ 56,50 por mês, ou R$ 678,00 em doze meses, pela nossa conta. Abaixo de R$ 10.000,00, não há desconto nenhum: os R$ 113,00 são cobrados integralmente. Há ainda um detalhe que engana muita gente: em compras parceladas, só a parcela lançada naquela fatura conta para o gasto do mês, não o valor cheio da compra.

Traduzindo em dinheiro: para nunca pagar mensalidade, é preciso passar R$ 240.000,00 no cartão ao longo de doze meses. Para pagar metade, R$ 120.000,00. Quem não chega lá está comprando milhas a um preço alto. Registre ainda que a segunda via não tem valor publicado, e a tarifa de saque também não — o Itaú informa apenas que é cobrada conforme o contrato, somada ao IOF. Se o saque interessa a você, confirme no site oficial do emissor antes de pedir.

CustoValor
MensalidadeR$ 113,00
Anuidade equivalenteR$ 1.356,00
Anuidade no primeiro anoR$ 1.356,00 (sem promoção)
Isenção total da mensalidadeGasto de R$ 20.000,00 por fatura
Desconto de 50% na mensalidadeGasto a partir de R$ 10.000,00 por fatura
Compras em moeda estrangeiraIOF de 3,38% + spread da Mastercard
Saque com o cartãoTarifa conforme contrato + IOF (não publicada na página do produto)
Atraso no pagamentoMulta de 2% + juros de mora de 1% ao mês + encargos do rotativo sobre o saldo em atraso
IOF sobre operações de crédito0,38% fixo + 0,0082% ao dia
Segunda via do cartãoNão publicada pelo emissor

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, e não é por pouco. Ele é acionado automaticamente quando você paga qualquer valor entre o mínimo e o total da fatura: o que sobra vira dívida e passa a render juros. Neste cartão, a taxa de referência do rotativo é de 13,87% ao mês, o que corresponde a 375,38% ao ano segundo os dados divulgados pelo Banco Central para o período de 30/07/2026 a 05/08/2026. Conferimos a conversão com juros compostos e ela fecha com o valor publicado.

O parcelamento da fatura é mais barato, mas continua caro: 9,53% ao mês, equivalentes a 197,99% ao ano. Um exemplo com números redondos mostra o tamanho do problema. Suponha R$ 5.000,00 deixados no rotativo por 30 dias: seriam R$ 693,50 de juros, mais R$ 19,00 de IOF fixo (0,38%) e cerca de R$ 12,30 de IOF diário (0,0082% ao dia por 30 dias) — algo em torno de R$ 5.724,80 a pagar no mês seguinte. Os mesmos R$ 5.000,00 parcelados em 12 vezes a 9,53% ao mês dariam parcelas de aproximadamente R$ 717,00, um total próximo de R$ 8.604,00: R$ 3.604,00 só de juros.

Duas ressalvas de método. O Itaú não publica taxas por produto em página aberta: os percentuais acima são taxas de referência do banco com base nos dados do Banco Central, e a taxa que vale para você depende do seu perfil e do contrato, chegando impressa todo mês na fatura. O CET (Custo Efetivo Total) anual do rotativo, que reúne juros, IOF e tarifas em um número só, também não é publicado pelo emissor — ele aparece na sua fatura e no contrato individual. Não trabalhe com estimativa: leia o CET da sua própria fatura.

Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida: R$ 5.000,00 devidos não podem acumular mais do que R$ 5.000,00 em juros e encargos. É uma trava útil contra o efeito bola de neve, mas não reduz a taxa mensal anunciada nem torna o rotativo aceitável. Em um cartão desta faixa, um único mês de rotativo apaga as milhas de um ano inteiro.

Benefícios principais

O motor do cartão é o acúmulo de milhas: 2,5 milhas LATAM Pass por dólar em compras nacionais e 3,5 milhas por dólar em compras internacionais. Repare que a régua é o dólar, não o real, e o critério de conversão do gasto em reais não está na ficha do produto — pergunte ao Itaú qual câmbio ele usa se quiser calcular o retorno com precisão.

As milhas não expiram enquanto o cartão estiver em uso; se ele ficar 12 meses consecutivos parado ou for cancelado, passam a valer por 24 meses. O cartão gera até 9.000 pontos qualificáveis por ano, na proporção de 2 pontos a cada 10 milhas — pela aritmética da própria regra, esse teto chega com 45.000 milhas no ano. Assinantes ativos do Clube LATAM Pass têm 50% de milhas extras por dólar em campanha válida de 01/02/2026 a 31/08/2026: é promoção com prazo e não deve entrar na sua conta de longo prazo. Para quem entra agora, a ficha registra bônus de 40 mil milhas mantendo gasto de R$ 20 mil nas três primeiras faturas.

No aeroporto o pacote é forte: acesso ilimitado às salas VIP LATAM voando pela LATAM Airlines e acesso ilimitado às salas VIP Mastercard Black em Guarulhos — atenção a essa limitação geográfica, porque muita gente compra o cartão imaginando uma rede mundial de salas. Somam-se 8 trechos de cortesia por ano para upgrade de cabine (6 na América do Sul e 2 fora), check-in e embarque preferencial na LATAM no Grupo 3 para titular e um acompanhante, passagens LATAM em até 10x sem juros e 10% de desconto em resgates no Shopping LATAM Pass.

Os seguros seguem o padrão Black: seguro médico internacional em viagem, bagagem extraviada, cancelamento e atraso de voo, proteção contra roubo de compras, proteção para aluguel de automóvel e concierge Mastercard Black 24h. Coberturas, limites e carências não constam da ficha e precisam ser lidos no regulamento oficial. Não há cashback aqui, e a ficha nada informa sobre Pix no crédito ou Pix parcelado — confirme com o emissor se isso importa para você.

Requisitos para pedir

A única exigência objetiva publicada é a idade mínima de 18 anos. O Itaú não publica um valor de renda mínima para este cartão, e é importante entender o que isso significa: a aprovação não passa por um corte fixo de salário, e sim pela análise de crédito. O banco olha seu score, seu histórico no SPC e no Serasa, seu relacionamento com a instituição e a comprovação de renda que você apresentar. Duas pessoas com a mesma renda podem receber respostas diferentes.

Pela mesma razão, os limites de crédito mínimo e máximo não são publicados — eles saem da análise individual. O emissor também não publica o prazo de dias sem juros entre a compra e o vencimento, que depende das datas de fechamento e vencimento da sua fatura. Nenhum desses campos vem em branco por serem gratuitos ou irrestritos: vêm em branco porque o emissor simplesmente não os divulga.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
Renda mínimaNão publicada pelo emissor
Limite de crédito mínimoNão publicado pelo emissor
Limite de crédito máximoNão publicado pelo emissor
Dias sem jurosNão publicado; depende do ciclo da fatura
Critério de aprovaçãoAnálise de crédito: score, histórico no SPC/Serasa, relacionamento com o banco e comprovação de renda

Pontos fortes e fracos

O maior acerto do cartão é a coerência. Ele não tenta agradar todo mundo: escolheu o viajante da LATAM e entregou a esse público um conjunto que funciona junto. O acúmulo de 3,5 milhas por dólar em compras internacionais é competitivo, o acesso ilimitado às salas VIP LATAM tem valor real para quem voa muito e os 8 trechos anuais de upgrade são benefício concreto, não enfeite de folheto. E as milhas que não expiram com o cartão em uso resolvem a ansiedade de quem junta saldo por anos para uma viagem grande.

O maior problema é o custo de entrada e a escada de isenção. R$ 113,00 por mês é caro, e a régua de R$ 20.000,00 por fatura para zerar a mensalidade coloca este cartão fora do alcance da maioria. Pior: entre R$ 10.000,00 e R$ 20.000,00 você ainda paga metade, e abaixo de R$ 10.000,00 não há desconto algum — não existe um degrau intermediário suave. Os juros do rotativo, a 13,87% ao mês, são incompatíveis com qualquer estratégia de milhas: quem atrasa uma fatura destrói o retorno de meses de acúmulo.

Dois pontos nos parecem mal resolvidos na comunicação do produto. O acesso às salas VIP Mastercard Black está restrito a Guarulhos, bem menos do que o nome "Black" sugere. E o LATAM Pass amarra você à malha da companhia e de seus parceiros: se sua rota preferida é de outra aliança, as milhas valem menos na prática do que no papel. Some-se a validade de 24 meses que passa a valer se o cartão ficar 12 meses sem uso ou for cancelado — quem sai do produto tem prazo para queimar o saldo.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Perfil 1 — Vale muito a pena. Executiva de vendas que voa pela LATAM oito a dez vezes por ano, paga viagens corporativas e despesas pessoais pelo mesmo cartão e fecha faturas próximas de R$ 20.000,00. Ela zera a mensalidade, acumula milhas em volume relevante, usa as salas VIP com frequência real, aproveita os upgrades e paga a fatura integral todo mês. Para ela, o cartão é ferramenta de trabalho que se paga sozinha.

Perfil 2 — Não compensa. Profissional com gasto de R$ 6.000,00 por mês no cartão, que voa duas vezes por ano nas férias. Ele fica abaixo do degrau de R$ 10.000,00 e paga os R$ 113,00 cheios — R$ 1.356,00 por ano — para acumular milhas num ritmo que não rende passagem em prazo razoável e para usar sala VIP duas vezes por ano. O benefício não cobre o custo: um cartão de anuidade menor ou de cashback entrega mais.

Perfil 3 — Evite. Quem já usou o rotativo nos últimos meses, mesmo que ocasionalmente. A 13,87% ao mês, uma fatura parcialmente paga custa mais caro do que qualquer milha que o cartão possa gerar. Antes de pensar em programa de fidelidade, o caminho é sair da dívida cara. O mesmo raciocínio vale para quem prefere flexibilidade entre companhias aéreas ou prefere cashback: as milhas LATAM Pass só têm valor se você de fato voa pela LATAM.

Na nossa leitura editorial — avaliação da redação, não exigência do emissor, que não publica renda mínima — o cartão só começa a fazer sentido a partir de renda de R$ 10 mil e gasto mensal próximo de R$ 20 mil.

Como pedir

O pedido é feito online, pela página oficial do produto. Você encontra o formulário em latamairlines.com — pedir cartão LATAM Pass, e as condições completas do cartão na página oficial do Itaú. Clientes Itaú costumam encontrar o caminho mais curto pelo aplicativo do banco, com boa parte dos dados já preenchida.

Antes de enviar o pedido, faça três checagens. Primeira: confirme na sua fatura ou no contrato quais são as taxas de rotativo, de parcelamento e o CET que valem para o seu caso — as taxas de referência citadas nesta análise não substituem esse número. Segunda: pergunte a tarifa de saque e o valor da segunda via, que não constam da página do produto. Terceira: confira o regulamento dos seguros e das salas VIP, porque coberturas, limites e regras de acompanhante mudam com o tempo.

Tenha em mãos documento de identidade, CPF e comprovação de renda, e lembre que a aprovação depende da análise de crédito. Se o limite aprovado vier abaixo do necessário para bater os R$ 20.000,00 por fatura, o cálculo de isenção muda inteiramente — nesse cenário, reavalie antes de aceitar.

Conclusão editorial

O LATAM Pass Itaú Mastercard Black é um cartão honesto com o que promete: milhas LATAM, aeroporto mais confortável e upgrades de cabine, para quem tem volume de gasto para sustentar o custo. Dentro desse recorte, ele é dos melhores do mercado brasileiro, e nossa nota de 4,6 reflete isso. Fora desse recorte, ele é caro e pouco eficiente, e a escada de isenção — R$ 20.000,00 por fatura para zerar, R$ 10.000,00 para metade — é implacável com quem gasta menos.

A recomendação é simples: faça a conta antes de pedir. Some quanto você realmente passa no cartão por mês, quantas vezes voa pela LATAM por ano e quanto vale para você uma sala VIP. Se o resultado não cobrir R$ 1.356,00 anuais com folga, existe cartão melhor para o seu bolso. E a regra de ouro não muda: cartão de milhas só funciona para quem paga a fatura integral todo mês.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.