O Ourocard Fácil é um cartão de anuidade R$ 0,00, e esse zero está na Tabela de Tarifas Pessoa Física do Banco do Brasil, não numa campanha com prazo de validade. Só que custo fixo zero não é a mesma coisa que custo zero. Existe neste cartão uma tarifa que fica invisível enquanto o plástico dorme na carteira e que sobe toda vez que ele passa pelo caixa eletrônico na função crédito: R$ 15,00 por retirada no país e R$ 25,00 no exterior. Este texto faz uma conta só, a que falta a quem vai usar o cartão de verdade: a partir de quantas retiradas por ano essa tarifa já equivale a uma anuidade, e quanto ela pesa em cada valor sacado.
A única tarifa que cresce com o uso
Na tabela vigente desde 29 de junho de 2026, três linhas resolvem quase tudo para quem quer saber o que vai pagar neste cartão. A anuidade do Ourocard Fácil Visa Internacional é R$ 0,00. A segunda via do cartão com função crédito é R$ 0,00. E a retirada em espécie pelos canais de atendimento custa R$ 15,00 no país e R$ 25,00 no exterior.
A assimetria entre elas é o ponto. As duas primeiras linhas descrevem eventos raros e já resolvidos em favor do cliente: ninguém pede segunda via todo mês, e a anuidade simplesmente não existe. A terceira descreve um hábito. Quem saca uma vez por ano paga R$ 15,00 e esquece. Quem saca toda semana paga, num ano, mais do que a anuidade cheia de muitos cartões pagos do mercado brasileiro — e continua achando que tem um cartão gratuito, porque a fatura nunca traz uma linha chamada anuidade.
Vale fixar desde já o que esta tarifa é e o que ela não é. Ela é o preço de operar o caixa, cobrado uma vez por retirada, independentemente do valor. Ela não é o preço do dinheiro. O saque na função crédito é um empréstimo, e o empréstimo tem encargos próprios que o Banco do Brasil não publica na página do produto — voltaremos a isso.
Quanto custam os saques de um ano inteiro
A tarifa é fixa por evento, então a conta anual é uma multiplicação simples. O que ela revela, no entanto, costuma surpreender quem escolheu o cartão justamente por não ter anuidade.
| Retiradas por ano | Tarifa acumulada no país (R$ 15,00 cada) | Tarifa acumulada no exterior (R$ 25,00 cada) |
|---|---|---|
| 1 (uma vez ao ano) | R$ 15,00 | R$ 25,00 |
| 3 (uma por trimestre) | R$ 45,00 | R$ 75,00 |
| 6 (uma a cada dois meses) | R$ 90,00 | R$ 150,00 |
| 12 (uma por mês) | R$ 180,00 | R$ 300,00 |
| 24 (duas por mês) | R$ 360,00 | R$ 600,00 |
| 52 (uma por semana) | R$ 780,00 | R$ 1.300,00 |
Uma régua ajuda a ler a tabela. O Cartão Carrefour Mastercard Gold, que analisamos neste mesmo site, cobra anuidade cheia de R$ 203,88, divididos em doze parcelas de R$ 16,99. Treze retiradas no caixa com o Ourocard Fácil custam R$ 195,00; a décima quarta leva o total a R$ 210,00 e ultrapassa aquela anuidade. Ou seja: pouco mais de uma retirada por mês já transforma o cartão “sem anuidade” num cartão que custa, em tarifa de saque, o equivalente a um cartão de varejo com anuidade cheia.
A comparação não serve para dizer que um cartão é melhor que o outro — serve para mostrar onde o dinheiro realmente sai. No Ourocard Fácil, ele sai no caixa eletrônico, e só na linha de quem saca.
O peso da tarifa depende do valor sacado
Como a tarifa é fixa e não proporcional, ela é brutal nos saques pequenos e quase irrelevante nos grandes. É a mesma lógica do frete: entregar um alfinete custa o mesmo que entregar um tijolo, e por isso o alfinete fica caro.
| Valor retirado | Tarifa no país | Peso da tarifa | Tarifa no exterior | Peso da tarifa |
|---|---|---|---|---|
| R$ 50,00 | R$ 15,00 | 30,0% | R$ 25,00 | 50,0% |
| R$ 100,00 | R$ 15,00 | 15,0% | R$ 25,00 | 25,0% |
| R$ 200,00 | R$ 15,00 | 7,5% | R$ 25,00 | 12,5% |
| R$ 500,00 | R$ 15,00 | 3,0% | R$ 25,00 | 5,0% |
| R$ 1.000,00 | R$ 15,00 | 1,5% | R$ 25,00 | 2,5% |
| R$ 2.000,00 | R$ 15,00 | 0,75% | R$ 25,00 | 1,25% |
A leitura prática é desconfortável para quem usa o caixa como quebra-galho. Tirar R$ 50,00 numa emergência custa 30% do que se tirou, antes de qualquer juro, e tirar os mesmos R$ 50,00 três vezes no mês custa R$ 45,00 em tarifa — quase o valor de um dos saques. Três retiradas de R$ 50,00 e uma retirada de R$ 150,00 entregam exatamente o mesmo dinheiro na mão e custam R$ 45,00 contra R$ 15,00.
Essa é a regra que o cartão premia: se o saque for inevitável, que seja um só e pelo valor de que você precisa até o fim do período. Fracionar não dilui a tarifa, multiplica-a.
O que os R$ 15,00 ainda não incluem
Aqui é preciso parar a conta, e com honestidade. A tarifa é tudo o que se pode somar com segurança, porque é o único número de saque que o Banco do Brasil publica na tabela de tarifas. O que vem depois dela, não.
Um saque na função crédito é uma operação de crédito desde o primeiro dia. Sobre ele incidem juros e IOF até a fatura ser paga. E o BB não publica na página do produto a taxa do rotativo nem a do parcelamento da fatura — elas ficam na página de taxas de juros de cartão de crédito, na área de contratos e tabelas do banco, longe de onde o cliente decide. O Custo Efetivo Total também não está na página do produto. Por isso não transformamos essas linhas em percentuais aqui: números que não vimos na fonte do emissor não entram em tabela nossa.
O que se pode afirmar é a direção. A tarifa de R$ 15,00 é o piso do custo de um saque, nunca o total. Quem sacar e pagar a fatura integral no vencimento paga a tarifa mais os encargos do período; quem sacar e deixar o saldo rolar paga a tarifa mais encargos que seguem correndo. Antes de usar o caixa com este cartão, o passo que falta é abrir a página de taxas do BB e anotar a taxa aplicada ao seu contrato — é um dado que existe, só não está onde seria útil. Para o panorama completo do produto, com a tabela de custos, os benefícios confirmados e os requisitos, vale ler a nossa análise completa do Ourocard Fácil do Banco do Brasil.
Resumo
A anuidade zero do Ourocard Fácil é real e documentada, e nada neste texto a contesta. O que ele mostra é que o custo deste cartão não está parado: está no caixa eletrônico, cobrado por evento e não por valor.
Três conclusões para levar. Primeira: quatorze retiradas no país já custam mais do que a anuidade cheia de um cartão de varejo como o Carrefour Gold, de R$ 203,88 — uma por mês já chega perto, com R$ 180,00 por ano. Segunda: como a tarifa é fixa, o saque pequeno é o caro; R$ 15,00 sobre R$ 50,00 são 30% do valor, e fracionar uma retirada em três triplica a tarifa sem entregar um real a mais. Terceira: R$ 15,00 é o começo da conta, não o fim — os juros e o CET do saque não estão publicados na página do produto, e quem pretende sacar deve pedi-los por escrito antes, não descobri-los na fatura.
Análise atualizada em outubro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.
