O NG.CARD é o cartão pré-pago Mastercard da NG.CASH e existe para um público que quase nenhum outro cartão brasileiro atende: adolescentes e jovens adultos sem renda e sem histórico de crédito. Não tem anuidade, não gera fatura e nunca deixa a conta negativa. Em compensação, custa R$ 24,90 para emitir e R$ 15,00 por saque. O veredito da redação em uma frase: é um bom primeiro cartão para gastar com controle, e um mau cartão para sacar dinheiro ou viajar.
O que é um cartão pré-pago (e o que este faz)
Um cartão pré-pago funciona ao contrário de um cartão de crédito. No crédito, você gasta primeiro e paga depois: o banco adianta o dinheiro, fecha uma fatura e cobra no mês seguinte. No pré-pago, você põe o dinheiro antes e gasta só o que já está lá. Não existe empréstimo, não existe fatura, não existe dívida. O seu «limite» é o seu saldo, e quando ele acaba a compra simplesmente não passa.
É assim que o NG.CARD opera. A NG.CASH informa na própria Central de Ajuda que o NG.CARD é um cartão pré-pago e que exige saldo em conta. Na maquininha ele é passado na modalidade crédito, o que permite usá-lo onde só se aceita crédito, mas a autorização só sai se houver dinheiro na conta. A conta nunca fica negativa.
Aqui vale uma crítica de nomenclatura, e ela não é detalhe. A NG.CASH publica o produto numa página chamada «cartão de crédito pré-pago» e a Central de Ajuda chega a responder que ele «é um cartão de crédito pré-pago». A expressão é uma contradição: ou o cartão concede crédito, ou é pré-pago. Para adolescentes tendo o primeiro contato com meios de pagamento, misturar os dois conceitos logo na porta de entrada é o oposto de educação financeira. O produto é honesto no funcionamento; o rótulo é confuso.
O posicionamento, esse, é claro. A NG.CASH tem mais de 8 milhões de clientes e o NG.CARD virou o cartão de mesada de boa parte da geração Z por ser um dos raríssimos cartões brasileiros que um menor de idade consegue ter em nome próprio. Existe em plástico, nos modelos Clássico e Personalizado, e em versão virtual no aplicativo. Paga por aproximação e funciona no Google Pay e no Samsung Pay a partir dos 13 anos e no Apple Pay a partir dos 16.
Custos reais
Sem juros e sem anuidade, é aqui que um pré-pago se ganha ou se perde. O NG.CARD tem um perfil peculiar: barato para quem usa, caro para quem saca, muito caro para quem viaja.
Comece pelo mais mal compreendido: o NG.CARD não tem anuidade, mas tem preço de entrada. Para receber o plástico você paga R$ 24,90 no modelo Clássico ou R$ 34,90 no Personalizado, valores que cobrem emissão, fabricação e entrega. É pagamento único, não recorrente — o inverso do modelo tradicional, que cobra todo ano por um cartão que você talvez nem use.
A segunda linha é a que mais confunde, e a própria NG.CASH faz questão de esclarecer: a assinatura de R$ 9,99 é da conta, não do cartão. O emissor diz, com essas palavras, que ela «é relacionada à conta e aos serviços do app, não ao cartão». É cobrada a cada 30 dias, vem com um e-book de educação financeira, e só cai se você não cumprir nenhuma das missões do mês: juntar 1.000 pontos no Offerwall, movimentar pelo menos R$ 350 no cartão físico ou virtual, ou manter saldo mínimo de R$ 500 em conta por pelo menos 25 dias. Cumprindo uma delas, a assinatura vai a zero. Não cumprindo nenhuma, os ciclos de 30 dias somam pouco mais de doze cobranças por ano, perto de R$ 122. É pouco em valor absoluto, mas pesa num cartão de mesada: sobre R$ 200 mensais, R$ 9,99 é 5% do que o adolescente recebeu.
O ponto fraco mais evidente é o saque. Cada retirada na rede Banco24Horas custa R$ 15,00, debitados do saldo junto com o valor sacado. Não é percentual: é valor fixo, e valor fixo pune quem saca pouco. Tirar R$ 100 custa 15% do que você tirou; tirar R$ 500 custa 3%. Quem precisa de dinheiro em espécie com frequência não deve usar este cartão para isso.
No exterior a conta também não fecha. A NG.CASH cobra taxa internacional própria de 5% sobre o valor da compra, e sobre a operação incide ainda o IOF de 3,5%, alíquota fixada pelo Decreto nº 12.499, de 11 de junho de 2025, para operações de câmbio na aquisição de bens e serviços do exterior por usuários de arranjos de pagamento. Somadas, as duas linhas acrescentam 8,5%: uma compra de R$ 1.000 num site de fora sai por cerca de R$ 1.085. É caro para um cartão vendido como internacional.
Há ainda um problema de documentação que o comparador tem obrigação de apontar: a Central de Ajuda da NG.CASH ainda informa IOF de 4,38% no artigo «Taxas do NG.CARD», alíquota anterior ao decreto de 2025. Não é cobrança indevida, é página desatualizada — mas o cliente que vai conferir a informação oficial recebe um número errado.
| Custo | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Anuidade | R$ 0,00 | O NG.CARD não tem anuidade |
| Emissão e entrega — NG.CARD Clássico | R$ 24,90 | Pagamento único; cobre emissão, fabricação e entrega |
| Emissão e entrega — NG.CARD Personalizado | R$ 34,90 | Permite ícones e desenho do próprio titular |
| Assinatura da conta NG.CASH | R$ 9,99 a cada 30 dias | É da conta, não do cartão; zerada ao cumprir uma das missões do mês |
| Carregamento por Pix e demais entradas | Sem tarifa publicada | A NG.CASH não divulga tarifa para o depósito |
| Saque na rede Banco24Horas | R$ 15,00 por operação | Debitado do saldo junto com o valor sacado |
| Compra internacional — taxa da NG.CASH | 5% sobre o valor da compra | Cobrada pelo emissor |
| Compra internacional — IOF | 3,5% | Decreto nº 12.499/2025; a Central de Ajuda ainda exibe 4,38% |
| Segunda via do cartão | Não publicado | A NG.CASH não divulga o valor |
| Juros | Não se aplica | O produto é pré-pago e não empresta dinheiro |
| Encargos por atraso | Não se aplica | Não gera fatura, portanto não há atraso possível |
Carregamento e limites
Pôr dinheiro no NG.CARD é pôr dinheiro na conta NG.CASH: o cartão não tem saldo próprio, ele gasta o saldo da conta. A carga é feita por Pix e pelas demais entradas da conta, e a NG.CASH não publica tarifa para esse depósito. Na prática, é o caminho natural de uma mesada: o responsável faz um Pix para a conta do filho e o valor fica disponível para o cartão físico e para o virtual.
Sobre limites, o comparador tem de ser direto: a NG.CASH não publica limite de carga nem saldo máximo da conta. O emissor informa apenas que a validação do responsável aumenta o limite mensal, sem dizer de quanto para quanto. É uma falha de transparência real. Quem vai carregar valores maiores — uma viagem de formatura, o primeiro salário de estágio — não consegue saber de antemão se o dinheiro cabe. Não escrevemos aqui nenhum número porque não existe número publicado, e inventar um seria pior do que admitir a lacuna.
No saque, os limites são conhecidos por outra via. A retirada está sempre restrita ao saldo disponível, e os terminais da rede Banco24Horas costumam ter teto diário próprio, entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00 conforme o caixa. Com a tarifa de R$ 15,00 por cima, fica claro que o saque aqui é função de emergência, não de rotina.
Conte também o tempo. O cartão virtual nasce dentro do aplicativo e serve para comprar online quase imediatamente, mas o plástico pode levar até 20 dias úteis para ser produzido e entregue.
O que não tem — e porque isso é o ponto
Esta seção é curta em números porque o produto é assim de propósito. O NG.CARD não tem juros. Não tem rotativo, não tem parcelado com encargos, não tem custo efetivo total. Isso não é informação que o emissor deixou de divulgar: é característica do produto. Um pré-pago não empresta dinheiro, e onde não há empréstimo não há juros. Pela mesma razão não existe limite de crédito nem prazo de carência entre a compra e o pagamento — o pagamento é a compra.
Consequência direta: não há análise de risco de crédito e não há exigência de renda. Nenhuma. A NG.CASH não pede comprovação de rendimentos e não consulta o seu histórico para aprovar. E é precisamente isso que torna o produto acessível a quem um cartão de crédito recusaria: o adolescente de 15 anos, o universitário sem contracheque, o adulto com apontamentos no cadastro que hoje não passa em nenhuma proposta, e quem simplesmente não quer dívida. Para essas pessoas, um pré-pago não é cartão de segunda categoria: é o cartão que existe.
A contrapartida é séria: um pré-pago não constrói histórico de crédito. Você pode usar o NG.CARD com disciplina exemplar durante três anos e chegar aos 18 com o mesmo perfil de quem nunca teve cartão, porque não houve crédito concedido nem pagamento a registrar. Quem quer facilitar um financiamento futuro não ganha nada aqui.
Falta o que o produto não entrega em benefícios: a NG.CASH não publica programa de pontos, cashback nem seguros associados ao NG.CARD, e o cartão não dá acesso a salas VIP de aeroporto.
Segurança e proteção do saldo
Num produto sem juros, o principal risco a avaliar não é o custo: é o dinheiro parado. O saldo de um pré-pago não é do emissor, é seu, e importa saber em que mãos ele está.
Quem emite o NG.CARD é a NG CASH INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO LTDA., CNPJ 40.710.595/0001-93, instituição de pagamento autorizada a funcionar pelo Banco Central e que atua como emissora de moeda eletrônica. Isso importa por dois motivos: autorização do Banco Central significa supervisão, exigências de capital e obrigações de conduta que um aplicativo não regulado não tem; e a lei que criou o regime das instituições de pagamento determina que os recursos mantidos em contas de pagamento constituem patrimônio separado, que não se confunde com o da instituição nem responde por dívidas dela.
Duas ressalvas que o cliente precisa conhecer. Saldo em conta de pagamento pré-paga não é depósito bancário e não conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. E a NG.CASH não publica, nas condições que consultamos, política detalhada de contestação de fraude nem prazos de bloqueio. Contra isso pesa uma proteção estrutural do formato: como não há limite de crédito, o prejuízo máximo de um cartão perdido é o saldo que estava lá. Um cartão de crédito roubado expõe o limite inteiro; este expõe o que você carregou. Manter na conta só o necessário para as próximas semanas e usar o cartão virtual nas compras online são as medidas que mais reduzem o risco.
Requisitos
Abrir a conta é simples e todo o processo acontece pelo aplicativo. O que separa o NG.CARD dos concorrentes é a ausência de barreiras financeiras e a presença de uma barreira diferente: a validação do responsável, obrigatória para menores de idade e com prazo curto. Se essa validação não acontecer em até 10 dias, a conta é desativada em definitivo — não é um lembrete, é uma regra com consequência.
| Requisito | O que a NG.CASH exige |
|---|---|
| Idade mínima | Não publicada pelo emissor. Há regras próprias para menores de 10 anos e para quem tem 10 anos ou mais |
| Renda mínima | Não há. A NG.CASH não pede comprovação de rendimentos |
| Análise de crédito | Não é feita |
| Documentos | CPF, nome completo, data de nascimento, selfie e endereço completo, pelo aplicativo |
| Menores de idade | Validação do pai, mãe ou tutor legal maior de 18 anos em até 10 dias, sob pena de desativação definitiva da conta |
| Menores de 10 anos | A validação do responsável é feita durante a própria abertura da conta |
| Pagamento para emitir o plástico | R$ 24,90 no Clássico ou R$ 34,90 no Personalizado |
| Carteiras digitais | Google Pay e Samsung Pay a partir dos 13 anos; Apple Pay a partir dos 16 anos |
Para quem vale a pena (e para quem não)
Três situações concretas ajudam mais do que uma lista de vantagens.
Beatriz, 15 anos, mesada de R$ 200 — vale a pena, com ressalva
Beatriz quer comprar online e pagar pelo celular sem pedir o cartão da mãe. O NG.CARD resolve: ela abre a conta, a mãe valida como responsável, e o gasto fica travado no saldo. Custa R$ 24,90 uma vez. A ressalva é a assinatura: com R$ 200 por mês ela dificilmente movimenta os R$ 350 exigidos pela missão do cartão ou mantém R$ 500 parados por 25 dias, então tende a pagar os R$ 9,99. Sobre a mesada dela, isso é 5% ao mês. Vale, mas com a conta feita.
Rafael, 22 anos, gasta cerca de R$ 800 por mês — vale muito
Rafael faz estágio, não tem cartão de crédito aprovado em lugar nenhum e usa o pré-pago como cartão do dia a dia. Ele cumpre a missão dos R$ 350 com folga todo mês, então a assinatura vai a zero. Na prática, o cartão lhe custa R$ 24,90 no total, para sempre. É difícil bater esse custo. O que ele não ganha é histórico: quando quiser financiar alguma coisa, vai partir do zero.
Marina, 34 anos, viaja e saca dinheiro — não vale
Marina quer um cartão internacional para a viagem e costuma andar com dinheiro em espécie. Para ela, o NG.CARD é o produto errado: cada compra no exterior carrega 5% de taxa da NG.CASH mais 3,5% de IOF, e cada saque custa R$ 15,00. Numa viagem com dez saques, são R$ 150 só em tarifas. Marina, que tem renda e acesso a crédito, encontra condições melhores em produtos voltados a câmbio.
Fora desses casos, o resumo é simples: o NG.CARD compensa para quem não tem acesso a crédito e usa o cartão com frequência, e não compensa para quem saca dinheiro, viaja muito ou deixa a conta parada.
Como pedir
Todo o processo é feito pelo aplicativo da NG.CASH, e a página oficial do produto está em ng.cash/conta-digital/cartao-de-credito-pre-pago. O caminho tem quatro etapas. Primeiro, abrir a conta com CPF, nome completo, data de nascimento, selfie e endereço. Segundo, se o titular for menor de idade, acionar imediatamente o pai, a mãe ou o tutor legal para a validação — o prazo de 10 dias é curto e o custo de perdê-lo é a desativação definitiva da conta. Terceiro, escolher entre o NG.CARD Clássico, por R$ 24,90, e o Personalizado, por R$ 34,90, e pagar a emissão. Quarto, esperar: a produção e a entrega do plástico podem levar até 20 dias úteis. Enquanto o cartão físico não chega, o cartão virtual do aplicativo já permite comprar online. Antes de pedir, carregue um valor pequeno e faça uma compra de teste: é a forma mais barata de confirmar que tudo funciona como você espera.
Conclusão editorial
O NG.CARD fica com 3 em 5 na nossa avaliação, e a nota resume bem o produto: ele acerta no que é essencial e erra em coisas que teriam conserto fácil.
O acerto é grande. Num catálogo em que praticamente todo cartão exige 18 anos, renda e aprovação em análise de crédito, a NG.CASH construiu um produto regulado, internacional e sem dívida possível, aberto a quem o sistema deixa de fora. Não ter juros, não gerar fatura e não permitir saldo negativo são exatamente as qualidades que se quer num primeiro cartão, e a estrutura de missões que zera a assinatura premia quem realmente usa a conta.
Os erros são de acabamento e de transparência. Chamar um pré-pago de «cartão de crédito pré-pago» confunde justamente o público que o produto diz querer educar. R$ 15,00 por saque é caro em qualquer comparação. Somar 5% de taxa própria ao IOF torna o «internacional» do nome pouco atraente na prática. Não publicar limites de carga, saldo máximo nem o preço da segunda via deixa o cliente sem informação a que tem direito. E manter a alíquota de IOF desatualizada na Central de Ajuda é descuido que uma instituição supervisionada pelo Banco Central não devia cometer.
Recomendamos para adolescentes com validação do responsável, para famílias que dão mesada com controle e para adultos sem acesso a crédito que usem o cartão com regularidade. Não recomendamos para quem saca dinheiro, para quem gasta no exterior e para quem precisa construir histórico de crédito.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras do Banco Central para instituições de pagamento.
