Quem usa o NG.CARD Mastercard Pré-Pago paga R$ 9,99 a cada 30 dias — ou não paga nada. A diferença entre os dois cenários não é o plano contratado nem o tipo de cartão: é cumprir uma das três missões que a NG.CASH oferece a cada ciclo. O problema é que as três foram desenhadas para perfis de uso bem diferentes, e nem todas cabem em qualquer orçamento. Este texto coloca as três lado a lado e mostra qual delas é alcançável em cada tamanho de mesada. Se o que você procura é o retrato completo do produto, com tarifas, limites e requisitos, veja a nossa análise completa do NG.CARD da NG.CASH.

Primeiro: a assinatura é da conta, não do cartão

Essa distinção parece burocrática e não é. A própria NG.CASH afirma que a assinatura de R$ 9,99 “é relacionada à conta e aos serviços do app, não ao cartão”. O NG.CARD, esse, não tem anuidade nenhuma. O que existe é um custo do plástico, pago uma única vez na emissão: R$ 24,90 no modelo Clássico e R$ 34,90 no Personalizado.

Consequência prática: a assinatura continua correndo mesmo em meses em que o cartão fica parado na gaveta, porque o que está sendo cobrado é a conta. E, como o ciclo é de 30 dias e não de um mês do calendário, o ano não tem doze cobranças, tem pouco mais de doze — algo perto de R$ 122 para quem nunca cumpre missão nenhuma.

As três missões, lado a lado

Basta cumprir uma delas no ciclo para a assinatura ir a zero. São estas:

  • Juntar 1.000 pontos no Offerwall. Não custa dinheiro, custa tempo dentro do aplicativo.
  • Movimentar pelo menos R$ 350 no cartão físico ou virtual. Exige volume de gasto, não saldo parado.
  • Manter saldo mínimo de R$ 500 em conta por pelo menos 25 dias. Exige o contrário: dinheiro parado, não gasto.

Repare na tensão entre as duas últimas. A missão do gasto pede que o dinheiro saia; a do saldo pede que ele fique. Quem tem R$ 500 disponíveis e gasta R$ 350 deles não cumpre a segunda condição, porque o saldo cai abaixo do mínimo antes dos 25 dias. Na prática, cada perfil consegue mirar numa das duas, não nas duas.

Qual missão cabe em cada mesada

A tabela abaixo cruza o valor que entra na conta todo mês com as duas missões financeiras, e mostra o que a assinatura representa quando nenhuma delas é alcançada.

Entra na conta por mêsDá para movimentar R$ 350 no cartão?Dá para deixar R$ 500 parados 25 dias?Peso de R$ 9,99 sobre o valor
R$ 100NãoNão10,0%
R$ 150NãoNão6,7%
R$ 200NãoNão5,0%
R$ 350Sim, gastando tudo no cartãoNão0% se a missão for cumprida
R$ 500Sim, com folgaSim, mas só sem gastar0% se a missão for cumprida
R$ 800Sim, com folgaSim0% se a missão for cumprida

A faixa crítica aparece com clareza: abaixo de R$ 350 por mês, nenhuma das duas missões financeiras é alcançável por quem realmente usa o dinheiro. Sobra o Offerwall — e é exatamente por isso que ele existe. Para uma mesada de R$ 100, os R$ 9,99 equivalem a um décimo de tudo o que o adolescente recebeu; juntar 1.000 pontos dentro do aplicativo deixa de ser passatempo e passa a ser a forma mais eficiente de proteger o orçamento.

Acima de R$ 350, a conta inverte. Quem movimenta esse valor no cartão físico ou virtual cumpre a missão como efeito colateral do uso normal, sem mudar nada na rotina. Para esse perfil, o cartão custa a emissão e mais nada.

O custo de doze meses, com e sem missão

Junte o custo único da emissão com os ciclos de assinatura e a diferença de um ano inteiro fica visível.

Situação ao longo de 12 mesesAssinaturas cobradasTotal com o NG.CARD ClássicoTotal com o NG.CARD Personalizado
Cumpre missão em todos os ciclosR$ 0,00R$ 24,90R$ 34,90
Falha em 3 ciclosR$ 29,97R$ 54,87R$ 64,87
Falha em 6 ciclosR$ 59,94R$ 84,84R$ 94,84
Nunca cumpre missãocerca de R$ 122,00cerca de R$ 146,90cerca de R$ 156,90

A distância entre a primeira e a última linha é de quase R$ 122 no mesmo produto, com o mesmo plástico e o mesmo uso. É a maior alavanca de custo que o titular controla sozinho — e a mais fácil de esquecer, porque nada acontece no dia em que a missão deixa de ser cumprida. A cobrança aparece depois, no fim do ciclo.

O que a missão cumprida não zera

Aqui convém não confundir alívio com gratuidade. Cumprir a missão elimina a assinatura da conta e nada mais. Continuam de pé o custo de emissão do plástico, a tarifa de R$ 15,00 por saque na rede Banco24Horas e, nas compras internacionais, a taxa de 5% da NG.CASH somada ao IOF de 3,5%.

Ou seja: o titular que zera a assinatura todo mês mas saca dinheiro duas vezes gasta R$ 30,00 em tarifas de saque — três vezes o valor que economizou com a missão. A ordem de prioridade, para quem quer reduzir o custo do cartão, é evitar o saque primeiro e cuidar da missão depois.

Vale lembrar ainda o calendário da entrada: o plástico pode levar até 20 dias úteis para ser produzido e entregue, e quem é menor de idade precisa da validação do pai, da mãe ou do tutor legal em até 10 dias, sob pena de a conta ser desativada em definitivo. Nesse intervalo inicial, o cartão virtual do aplicativo já permite comprar online — e já conta para a missão dos R$ 350.

Resumo: como decidir a sua missão do mês

  • Até R$ 350 por mês na conta: mire no Offerwall. As missões de gasto e de saldo não cabem nesse orçamento sem sacrificar o uso do dinheiro.
  • A partir de R$ 350 por mês: a missão do gasto se cumpre sozinha, desde que as compras passem pelo cartão físico ou virtual em vez de sair por outro meio.
  • A missão do saldo é para quem não precisa do dinheiro. Manter R$ 500 parados por 25 dias economiza R$ 9,99 e imobiliza cinquenta vezes esse valor.
  • A assinatura é da conta. Ela corre mesmo em meses de cartão parado, e são pouco mais de doze cobranças por ano, não doze.
  • Zerar a assinatura não zera o resto. Emissão, R$ 15,00 por saque e 8,5% somados nas compras no exterior continuam valendo — e pesam mais do que a assinatura.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.