O cashback do Méliuz Mastercard Platinum não é um percentual único: é uma escada de quatro faixas, e o percentual de cada faixa se aplica ao total gasto no mês. Isso tem uma consequência que a tabela de faixas não deixa ver à primeira vista: dois clientes que gastam a mesma quantia ao longo de dois meses podem receber valores muito diferentes, só pela forma como esse gasto se distribuiu no calendário. Este texto mede esses degraus em reais, mostra quanto vale cruzar cada um deles e diz onde a conta engana.

Onde ficam os três degraus

São quatro faixas e, portanto, três degraus entre elas. O percentual sobe de 0,1% para 0,2%, depois para 0,5% e finalmente para 1%. Como o percentual incide sobre o total do mês, e não apenas sobre o excedente da faixa, cada degrau produz um salto e não uma rampa.

Faixa de gasto no mêsPercentualDevolução no piso da faixaDevolução no topo da faixa
Até R$ 1.5000,1%—R$ 1,50
De R$ 1.501 a R$ 3.0000,2%R$ 3,00R$ 6,00
De R$ 3.001 a R$ 5.0000,5%R$ 15,01R$ 25,00
Acima de R$ 5.0011%R$ 50,01Sem topo publicado

Leia a terceira coluna ao lado da quarta e note o desenho: o piso de uma faixa devolve mais do que o topo da faixa anterior. Quem termina o mês em R$ 3.000 recebe R$ 6,00; quem termina em R$ 3.001 recebe R$ 15,01. São dois clientes com um real de diferença no extremo do mês e nove reais de diferença na devolução.

Uma ressalva de método antes de seguir: toda esta aritmética pressupõe que o percentual da faixa se aplica ao total do mês. É assim que os exemplos do próprio emissor funcionam, mas a regra merece confirmação no aplicativo antes de você planejar nada em cima dela. Se a devolução fosse calculada apenas sobre o excedente da faixa, os saltos abaixo desapareceriam.

O salto de um real — e a lacuna entre R$ 5.000 e R$ 5.001

A tabela seguinte isola o efeito de cruzar cada degrau. À esquerda, o último real da faixa de baixo; à direita, o primeiro real da faixa de cima.

DegrauGasto abaixoDevoluçãoGasto acimaDevoluçãoGanho por R$ 1 a mais
0,1% para 0,2%R$ 1.500R$ 1,50R$ 1.501R$ 3,00R$ 1,50
0,2% para 0,5%R$ 3.000R$ 6,00R$ 3.001R$ 15,01R$ 9,01
0,5% para 1%R$ 5.000R$ 25,00R$ 5.001R$ 50,01R$ 25,01

O degrau mais valioso é o último: um real a mais no fim do mês dobra a devolução, de R$ 25,00 para R$ 50,01. O segundo degrau é o mais brusco em proporção, porque multiplica a devolução por dois e meio.

Há um detalhe na tabela publicada pelo emissor que precisa ser dito: a terceira faixa termina em R$ 5.000 e a quarta começa acima de R$ 5.001. Entre esses dois valores fica um intervalo sem percentual atribuído. Não é um problema que afete muita gente, e não vamos preencher a lacuna com um palpite — mas quem costuma fechar o mês nessa vizinhança deve perguntar ao emissor qual percentual se aplica.

Concentrar ou espalhar: a mesma soma, devoluções diferentes

Aqui está a consequência prática dos degraus, e é a parte que a tabela de faixas esconde. Como o cálculo é mensal e o percentual sobe com o volume do mês, dois meses de gasto médio rendem menos do que um mês cheio seguido de um mês vazio — mesmo com o total idêntico.

Total em dois mesesEspalhado (metade em cada mês)DevoluçãoConcentrado (tudo num mês)Devolução
R$ 3.000R$ 1.500 + R$ 1.500R$ 3,00R$ 3.000 + R$ 0R$ 6,00
R$ 4.000R$ 2.000 + R$ 2.000R$ 8,00R$ 4.000 + R$ 0R$ 20,00
R$ 6.000R$ 3.000 + R$ 3.000R$ 12,00R$ 6.000 + R$ 0R$ 60,00
R$ 10.000R$ 5.000 + R$ 5.000R$ 50,00R$ 10.000 + R$ 0R$ 100,00

O caso de R$ 6.000 é o mais eloquente: cinco vezes mais devolução pelo mesmo dinheiro gasto, só porque o calendário mudou. Duas faturas de R$ 3.000 ficam presas em 0,2%; uma fatura de R$ 6.000 alcança 1%.

Isso não é uma instrução para reorganizar a vida em função do cartão. Boa parte do gasto de qualquer pessoa é recorrente e cai no mês em que cai: aluguel, escola, assinaturas, mercado. Mas parte não é. A compra grande que pode esperar duas semanas, a troca do eletrodoméstico, a passagem, o seguro anual, o material de um curso — tudo isso tem data escolhível. Agrupar o que é adiável no mesmo ciclo de fatura é a única forma de subir de faixa sem gastar um real a mais, e é exatamente o que os degraus recompensam.

Vale lembrar o outro lado do calendário: a data de fechamento da fatura é o que delimita o mês para efeito de faixa, não o dia 1 nem o dia 30. Confira essa data no aplicativo antes de agrupar compras, porque errar por um dia joga a compra para o ciclo seguinte e desfaz a conta.

O jeito certo de subir o percentual, e o jeito errado

O jeito errado é gastar mais para chegar à faixa de cima. A tabela do degrau engana quem lê depressa, porque o ganho de R$ 25,01 aparece ao lado de um real de diferença — e vale apenas para quem já estava em R$ 5.000. Quem está em R$ 2.000 e quer alcançar os 0,5% precisa gastar R$ 1.001 a mais para ganhar R$ 11,01 a mais de devolução. É prejuízo de mais de mil reais disfarçado de vantagem. Cashback é desconto sobre gasto que você já ia fazer; nunca é motivo para fazer gasto novo.

O jeito certo tem dois caminhos, e nenhum deles exige gastar a mais. O primeiro é o agrupamento do gasto adiável, descrito acima. O segundo é o adicional de 1% nas compras online iniciadas pelo aplicativo do Méliuz, que soma ao percentual da faixa e leva o total a até 2%. Esse adicional é o único pedaço do programa sem degrau: rende o mesmo percentual em qualquer nível de gasto. Em R$ 800 de compras feitas pela plataforma, são R$ 8 — mais do que a faixa de 0,2% devolve num mês inteiro de R$ 3.000. Para quem compra online com frequência, passar pelo aplicativo antes de finalizar vale mais do que qualquer manobra de calendário.

Um terceiro número fecha o raciocínio: o resgate mínimo é de R$ 20. Enquanto o saldo acumulado não chega lá, o cashback existe no aplicativo mas não vira dinheiro na sua conta. Na faixa de 0,1%, quem gasta R$ 1.000 por mês recebe R$ 1 por mês e leva perto de vinte meses até o primeiro resgate. Na faixa de 0,5%, um mês de R$ 4.000 já cobre o mínimo sozinho. O degrau, portanto, não muda só o valor: muda a velocidade com que o benefício sai do papel. Para entender como esse cashback se encaixa no resto do produto — anuidade, juros, coberturas e lista de espera —, vale ler a análise completa do Méliuz Mastercard Platinum.

Resumo

  • São três degraus, em R$ 1.501, R$ 3.001 e R$ 5.001. Como o percentual incide sobre o total do mês, cruzar um degrau produz um salto: de R$ 6,00 para R$ 15,01 no segundo, de R$ 25,00 para R$ 50,01 no terceiro.
  • O mesmo dinheiro rende mais concentrado do que espalhado. R$ 6.000 em dois meses de R$ 3.000 devolvem R$ 12; os mesmos R$ 6.000 num único mês devolvem R$ 60.
  • Agrupe apenas o gasto adiável, e confira a data de fechamento da fatura antes de fazer isso. Errar o ciclo por um dia desfaz o ganho.
  • Nunca gaste mais para subir de faixa: sair de R$ 2.000 para R$ 3.001 custa R$ 1.001 e devolve R$ 11,01 a mais.
  • O adicional de 1% nas compras iniciadas pelo aplicativo é o único percentual sem degrau, e o resgate mínimo de R$ 20 define quando o cashback vira dinheiro de verdade.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.