A anuidade do Sicredi Mastercard Black aparece em toda comparação como R$ 805,00 por ano. O número está certo, mas a leitura costuma estar errada: aquele valor é o máximo que qualquer cooperativa da rede pode cobrar, e não necessariamente o preço que você vai pagar. Quem entra na agência sabendo disso tem uma margem de negociação que a maioria dos titulares nunca usa. Este texto faz a aritmética dessa margem: quanto vale cada ponto percentual de desconto, a partir de que ponto o cartão passa a custar menos que os degraus abaixo dele e quais linhas da tabela continuam abertas mesmo depois do acordo.

Por que R$ 805 é um limite, e não uma etiqueta de preço

O rodapé da Tabela de Tarifas do Sicredi declara que os valores publicados são tarifas máximas estabelecidas para aplicação em toda a rede de atendimento. É consequência direta do desenho cooperativo: cada cooperativa tem política própria de preço e pode cobrar menos, nunca mais. Some-se a isso a previsão contratual de que o emissor pode, por liberalidade, isentar ou conceder desconto, e o resultado prático é um preço com teto fechado e piso aberto.

Isso muda a natureza da conversa. Em quase todo banco a anuidade é um dado, e você aceita ou recusa. Aqui ela é uma variável cujo limite superior você conhece antes de contratar — o que é raro no mercado brasileiro e, por isso mesmo, pouco explorado por quem contrata. Para o panorama completo do produto, com benefícios, requisitos e o que o emissor deixa de publicar, vale ler a análise completa do Sicredi Mastercard Black. O que vem abaixo é apenas a conta do desconto.

Quanto vale cada ponto percentual de desconto

A matemática é simples e vale decorar: 1% de desconto sobre R$ 805,00 são R$ 8,05 por ano. E, como o contrato prevê nova anuidade cobrada antecipadamente a cada ano de permanência com o cartão habilitado, cada ponto conquistado se repete em todas as renovações em que a condição for mantida.

Desconto obtidoDesconto em reaisAnuidade paga no anoEquivalente por mês
0%R$ 0,00R$ 805,00R$ 67,08
10%R$ 80,50R$ 724,50R$ 60,38
20%R$ 161,00R$ 644,00R$ 53,67
25%R$ 201,25R$ 603,75R$ 50,31
30%R$ 241,50R$ 563,50R$ 46,96
50%R$ 402,50R$ 402,50R$ 33,54
75%R$ 603,75R$ 201,25R$ 16,77
100%R$ 805,00R$ 0,00R$ 0,00

Uma ressalva sobre a coluna da direita: a anuidade do Sicredi é cobrada por ano, não por mês. A coluna existe só para comparar este cartão com os concorrentes que parcelam a cobrança em doze vezes. Ainda assim, ela ajuda a dimensionar o que se está negociando — um desconto de 25% derruba o equivalente mensal de R$ 67,08 para R$ 50,31, e um de 50% o leva a R$ 33,54, exatamente o que a cooperativa cobraria por um cartão adicional sem desconto nenhum.

Em que desconto o Black empata com os degraus abaixo

A tabela nacional expõe a linha Mastercard de pessoa física inteira, degrau por degrau. Isso permite uma pergunta que quase ninguém faz no balcão: a partir de que desconto o Black sai mais barato que um cartão de categoria inferior cobrado no teto?

Cartão da mesma linhaAnuidade máximaDiferença até os R$ 805,00Desconto que o Black precisa para empatar
Mastercard InternacionalR$ 180,00R$ 625,0077,6%
Mastercard GoldR$ 280,00R$ 525,0065,2%
Mastercard PlatinumR$ 380,00R$ 425,0052,8%
Visa InfiniteR$ 1.500,00—o Black já custa R$ 695,00 menos

O número que interessa é 52,8%. Se a sua cooperativa aceitar cortar pouco mais da metade da anuidade, você leva o cartão de topo da linha pagando o que o Platinum custaria no teto, sem abrir mão de nada do que o Black entrega. Abaixo desse corte, a comparação entre categorias volta a fazer sentido — e aí a pergunta certa deixa de ser “quanto de desconto no Black?” e passa a ser “qual categoria a senhora consegue me dar com o maior desconto?”.

Também vale registrar o lado de cima da escada: o Visa Infinite do mesmo emissor custa R$ 1.500,00 no teto. Quem estava olhando para ele e aceita ficar no Black economiza R$ 695,00 por ano antes de qualquer negociação.

O adicional e o CDA entram na mesma conversa

O adicional custa R$ 402,50 por ano, exatamente metade do titular, e está sujeito ao mesmo teto nacional. Daí sai uma simetria útil de guardar: dois adicionais no teto custam precisamente uma anuidade de titular. Como o desconto é percentual, ele vale o dobro quando incide sobre a família inteira em vez de só sobre o titular — motivo para levar todos os plásticos para a mesma conversa.

ComposiçãoNo teto nacionalCom 25% de descontoCom 50% de desconto
Só o titularR$ 805,00R$ 603,75R$ 402,50
Titular + 1 adicionalR$ 1.207,50R$ 905,63R$ 603,75
Titular + 2 adicionaisR$ 1.610,00R$ 1.207,50R$ 805,00
Titular + 3 adicionaisR$ 2.012,50R$ 1.509,38R$ 1.006,25

Há ainda uma linha da tabela que é percentual e, por isso, cresce com você: o CDA, o saque do limite disponível para pagamento parcelado, custa 6,8% do valor contratado ou R$ 10,00, o que for maior. O piso de R$ 10,00 só manda até R$ 147,06 — acima desse valor, quem decide é o percentual. Um CDA de R$ 1.000,00 cobra R$ 68,00 só de tarifa; um de R$ 5.000,00 cobra R$ 340,00, equivalente a 42,2% da anuidade cheia; e um de R$ 11.838,00 cobra, de tarifa, uma anuidade inteira. Negociar a anuidade e depois usar o CDA com frequência é desfazer o acordo pelo outro lado da tabela.

E uma linha que o teto simplesmente não cobre: a 2ª via do cartão é o único item sem valor nacional fixado, descrito como sujeito à política da cooperativa. É a pergunta que fica para o fim da reunião, porque é a única em que você não tem limite conhecido a invocar.

Resumo: o que levar para a cooperativa

  • R$ 805,00 é teto, não preço. O rodapé da tabela nacional diz isso com todas as letras, e a sua cooperativa pode praticar menos. Pergunte qual valor ela cobra de fato antes de assumir o número da comparação.
  • Cada 1% vale R$ 8,05 por ano, repetidos em cada renovação em que a condição for mantida. É a unidade de medida da conversa.
  • 52,8% é o corte que empata com o Platinum cobrado no teto. Acima dele, o Black deixa de ser o degrau caro da linha.
  • Negocie titular e adicionais juntos. Dois adicionais no teto somam uma anuidade de titular, e o desconto percentual rende o dobro sobre o conjunto.
  • Pergunte pelo que não tem teto: o valor da 2ª via, sujeito à política da cooperativa, e os juros do rotativo, do parcelamento da fatura e do saque, que o emissor não publica em nenhum documento. Peça tudo por escrito.

Análise atualizada em novembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.