O Bradesco Visa Infinite resolve-se numa frase incómoda para o próprio banco: custa R$ 168,00 por ano a menos que o Mastercard Black da mesma casa e, na calculadora do próprio Bradesco, devolve o dobro dos pontos por dólar gasto.

O que é este cartão

O Visa Infinite é o cartão de topo de uso geral do Bradesco na bandeira Visa. “De uso geral” é a expressão exata, porque o banco tem nove cartões Visa Infinite diferentes — o Marriott Bonvoy, o United MileagePlus, o Ágora, o Disney, o Gol Smiles, o Horizon, o Aeternum e dois de seguros — e este é o único sem co-marca, sem programa de hotel e sem companhia aérea colada. O que acumula são pontos Livelo, que depois o titular decide no que gastar.

A Livelo é o programa de recompensas de que o Bradesco é sócio. Os pontos trocam-se por viagens, por mais de 800 mil produtos e serviços, por resgate com QR Code nas maquininhas de cartão e — este ponto é raro no Brasil — por dinheiro depositado em qualquer conta bancária, direto pelo aplicativo.

Não é preciso ter conta no Bradesco. O banco diz isso nas suas próprias perguntas frequentes, e vale para todos os cartões da casa: a proposta fica sujeita a análise de crédito e a critérios de elegibilidade, mas a porta está aberta a quem é cliente de outro banco.

Custos reais

A anuidade é de R$ 1.260,00 por ano, cobrada em 12 parcelas de R$ 105,00. O valor está na página do produto e confirma-se na Tabela Geral de Tarifas Pessoa Física do Bradesco, vigente desde 17 de agosto de 2026, na linha “Anuidade - cartão diferenciado Visa Infinite / Visa Infinite Múltiplo”. Os dois documentos batem certo, o que não é garantido neste mercado.

O número só ganha sentido ao lado dos outros. Dentro do próprio Bradesco:

Cartão Visa Infinite do BradescoAnuidade
Marriott Bonvoy Visa InfiniteR$ 1.000,00
United MileagePlus Visa InfiniteR$ 1.250,00
Visa InfiniteR$ 1.260,00
Ágora Visa InfiniteR$ 1.356,00
Disney Visa InfiniteR$ 1.428,00
Gol Smiles Visa InfiniteR$ 1.500,00
Horizon Visa InfiniteR$ 1.500,00
Visa AeternumR$ 2.112,00

E fora dele, entre os Visa Infinite dos concorrentes diretos, a conversa muda de tom: o Ourocard do Banco do Brasil custa R$ 996,00, o Personnalité do Itaú R$ 1.056,00 e o Porto Bank R$ 1.068,00. Os R$ 1.260,00 do Bradesco ficam acima dos três. É um cartão de preço médio dentro de casa e de preço alto fora dela.

Quanto às tarifas, a Tabela Geral de Tarifas só repete dois serviços de cartão de crédito no bloco dos cartões diferenciados, e ambos são isentos: a 2.ª via de cartão com função crédito emergencial e o envio de mensagem automática sobre movimentação. As tarifas de saque em espécie e de pagamento de contas que constam da mesma tabela estão no bloco do cartão de crédito básico, não no dos diferenciados — por isso não são atribuídas aqui a este cartão. Quem for usar esses serviços deve perguntar o valor ao banco.

Juros e o custo de não pagar tudo

O Bradesco não publica juros no site. A página do produto não traz nenhuma taxa e, quando o assunto aparece, remete para o aplicativo. É uma lacuna que se repete em toda a gama do banco e que obriga quem compara cartões a procurar os números noutro lugar.

Esse lugar é o Banco Central. Na apuração da semana iniciada em 5 de outubro de 2026 — que continua a ser a mais recente disponível — as taxas médias praticadas pelo Banco Bradesco S.A. no segmento pessoa física são estas:

ModalidadeAo mêsAo anoPosição
Cartão de crédito rotativo13,08%337,33%25.ª entre 63 instituições
Cartão de crédito parcelado7,79%145,95%26.ª entre 60 instituições

Convém ler os 337,33% ao ano devagar. Uma dívida de R$ 1.000,00 deixada no rotativo durante doze meses, sem novos gastos, transforma-se em cerca de R$ 4.370,00. É quatro vezes o valor original, e é mais do que três anuidades deste cartão.

A posição 25 entre 63 instituições coloca o Bradesco na metade melhor do mercado brasileiro, o que diz menos sobre o banco do que sobre o mercado. São taxas médias praticadas pela instituição, não taxas contratadas deste cartão em particular: o contrato de cada cliente pode ficar acima ou abaixo.

A fatura pode ser financiada em até 12 parcelas fixas, e aí a taxa relevante é a do parcelado: 7,79% ao mês. Continua a ser caro — 145,95% ao ano —, mas é menos de metade do rotativo. Quem não conseguir pagar a fatura inteira deve parcelá-la de propósito, e não deixá-la rolar.

Sobre o IOF, que incide sobre as operações de crédito e sobre as compras em moeda estrangeira: as alíquotas são fixadas por decreto federal e mudam fora do controlo do banco, por isso não são reproduzidas aqui. Confirme na fatura e no decreto em vigor na data da compra.

Benefícios

A página anuncia “2 pontos Livelo a cada US$ 1 gasto no Brasil e no exterior”. Desta vez o anúncio confere — e vale a pena explicar por que isso merece ser dito.

A página traz uma calculadora com um cursor de gastos e uma cotação declarada de R$ 5,43 por dólar. Movendo o cursor para três posições diferentes, o resultado é sempre o mesmo: R$ 100 devolvem 37 pontos, R$ 25.100 devolvem 9.245 pontos e R$ 50.000 devolvem 18.416 pontos. Em todos os casos, exatamente 2 pontos por dólar, à cotação que o próprio banco indica. A relação é linear e a promessa cumpre-se.

O mesmo teste, feito no mesmo dia, na página do Bradesco Mastercard Black — mesmo site, mesmo componente, mesma cotação — devolve metade: 18, 4.622 e 9.208 pontos. Ou seja, 1 ponto por dólar, contra os 1,8 que aquela página anuncia. A comparação entre os dois cartões não deixa margem para dúvida sobre onde está o problema.

A consequência prática, para quem gasta R$ 5.000 por mês, é esta:

Visa InfiniteMastercard Black
AnuidadeR$ 1.260,00R$ 1.428,00
Pontos anunciados por US$ 121,8
Pontos devolvidos pela calculadora21
Pontos por ano em R$ 60.000 de gastocerca de 22.100cerca de 11.050

O mais barato dos dois devolve o dobro. Fica por explicar, da parte do Bradesco, qual das duas regras vale no Mastercard Black — e, enquanto não explicar, o Visa Infinite é a escolha óbvia entre os dois.

Falta um número para fechar a conta, e esse ninguém publica: nem o Bradesco nem a Livelo divulgam quanto vale um ponto em reais. Sem isso, não há como calcular o retorno efetivo do cartão antes de o usar. O que se pode dizer com segurança é a relação entre os dois produtos, que é o que esta comparação mostra.

Quanto ao resto do pacote, o cartão dá 4 acessos por ano às salas VIP do programa Visa Airport Companion. São quatro, não mais, e é a principal limitação do produto: dá um acesso por trimestre, ou dois viagens de ida e volta por ano, e não chega para levar acompanhante.

Em seguros, o conjunto é completo: seguro viagem gratuito com despesas médicas, odontológicas e hospitalares, inclusive em pandemias — cobertura que boa parte das apólices de cartão passou a excluir depois de 2020; seguro contra roubo ou danos para veículo de locadora, sem custo adicional; garantia estendida que prolonga em até um ano a garantia original do fabricante; e o Visa médico online, com consulta virtual de emergência no exterior.

Há ainda o Concierge Bradesco, a Visa Luxury Hotel Collection, os descontos do programa Vai de Visa, 50% de desconto no Cinemark — ingresso, pipoca e refrigerante — e 50% no Teatro Bradesco, em até 4 ingressos por sessão. Convém notar que nenhum destes descontos consta de documento contratual: são benefícios que o banco pode retirar quando entender.

No dia a dia, o cartão tem pagamento por aproximação, saque na rede 24 horas no Brasil e no exterior, pagamento de boletos, contas de consumo e tributos, limite emergencial para compras acima do limite, escolha da melhor data de pagamento, restabelecimento de limite e proteção contra fraude nas compras online. Para correntistas pessoa física do Bradesco, é possível adicionar o cartão às carteiras digitais Google Pay, Samsung Pay ou Apple Pay pelo aplicativo do banco.

Requisitos

O Bradesco não publica renda mínima para este cartão, nem limite mínimo ou máximo de crédito. O que declara é que o cartão está aberto a quem tem ou não tem conta no banco, que a proposta fica sujeita a análise de crédito e a critérios de elegibilidade, e que é preciso enviar foto da CNH ou do RG no momento do pedido. Depois de enviada a proposta, o status chega por e-mail.

A ausência de renda mínima publicada é relevante para um cartão desta categoria. Num produto de R$ 1.260,00 de anuidade, saber de antemão se vale a pena pedir pouparia tempo a muita gente.

Pontos fortes e fracos

A favor. É o Visa Infinite de uso geral mais barato do Bradesco entre os que não têm co-marca, e custa R$ 168,00 a menos que o Mastercard Black devolvendo o dobro dos pontos por dólar. A regra de pontuação foi conferida na calculadora do próprio banco e confere. Os pontos Livelo podem virar dinheiro em qualquer conta bancária. O seguro viagem cobre pandemias. O seguro de veículo de locadora e a garantia estendida dispensam contratações avulsas. Não exige conta no banco. E a anuidade é diluída em 12 parcelas.

Contra. São apenas 4 acessos anuais a sala VIP, pouco para a categoria. A anuidade fica acima dos Visa Infinite do Banco do Brasil, do Itaú Personnalité e do Porto Bank. Dois Visa Infinite do próprio Bradesco custam menos. O banco não publica juros, nem renda mínima, nem limites. O rotativo a 337,33% ao ano multiplica a dívida por quatro em doze meses. E ninguém publica quanto vale um ponto Livelo.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Vale a pena para quem gasta em dólar com regularidade — compras internacionais, assinaturas, viagens — e quer acumular pontos Livelo à melhor taxa que o Bradesco oferece num cartão sem co-marca. Vale também para quem já estava a pensar no Mastercard Black: este custa menos e rende mais, e a decisão entre os dois não é difícil.

Não vale a pena para quem viaja muito e conta com salas VIP, porque quatro acessos por ano acabam depressa; para quem procura a anuidade mais baixa da categoria, que está noutros bancos; e para quem não consegue pagar a fatura por inteiro, porque a esta taxa de rotativo nenhum programa de pontos compensa os juros.

Como pedir

O pedido faz-se na página oficial do Bradesco Visa Infinite, pelo botão “Peça já o seu”. Quem é correntista pode pedir pelo aplicativo do banco. É preciso ter à mão foto da CNH ou do RG.

Antes de pedir, há duas coisas que compensa fazer. A primeira é consultar a anuidade atualizada em banco.bradesco/cartoes/anuidade, porque a própria página avisa que o valor indicado vale “nesta data”. A segunda é ligar para o banco e perguntar a taxa de juro do rotativo e do parcelado que vão ficar no seu contrato — já que não estão publicadas, e já que são o número que mais pode custar dinheiro.

Conclusão editorial

O Bradesco Visa Infinite é um bom cartão e, sem querer, o melhor argumento contra outro cartão do mesmo banco. Entrega um pacote de seguros completo, uma regra de pontuação que se confirma quando se testa, pontos que viram dinheiro e dispensa de conta no banco — por uma anuidade que, dentro de casa, está longe de ser a mais alta.

O reparo divide-se em dois. O primeiro é de produto: quatro acessos a sala VIP por ano é pouco para um Infinite, e há Visa Infinite de outros bancos mais baratos. O segundo é de informação, e é o mesmo de sempre no Bradesco: um cartão de R$ 1.260,00 de anuidade não publica juro nenhum, não publica renda mínima e não publica limites. Quem compara cartões tem de ir à série semanal do Banco Central buscar números que deviam estar na página do produto.

Nota: 3,8 em 5. Sobe pela relação entre o preço e a pontuação, pelos seguros, pela saída dos pontos em dinheiro e por uma calculadora que confirma o que o anúncio promete. Desce pelos quatro acessos anuais a sala VIP, pela anuidade acima dos concorrentes diretos e pela ausência completa de informação sobre juros, renda e limites na página do emissor.

Análise atualizada em outubro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.