O Cash Passport Mastercard Platinum carrega até 10 moedas na mesma conta e trava a cotação no momento da carga. Gastar numa moeda que já está carregada não tem tarifa. Gastar numa moeda que não está carregada custa 5,50% de tarifa de câmbio.

Ou seja: o cartão é excelente ou medíocre conforme o destino. E a lista de destinos bons é fixa — são exatamente estes dez.

As 10 moedas e onde elas valem

Moeda carregávelDestinos principais
Dólar americano (USD)Estados Unidos, Equador, Panamá, El Salvador
Euro (EUR)Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Países Baixos, Irlanda, Grécia, Áustria, Bélgica e os demais países da zona do euro
Libra esterlina (GBP)Reino Unido
Dólar canadense (CAD)Canadá
Dólar australiano (AUD)Austrália
Dólar neozelandês (NZD)Nova Zelândia
Peso mexicano (MXN)México
Iene (JPY)Japão
Dirham dos Emirados (AED)Emirados Árabes Unidos — Dubai e Abu Dhabi
Franco suíço (CHF)Suíça e Liechtenstein

É uma lista bem desenhada para o roteiro clássico do turista brasileiro: Estados Unidos, Europa ocidental, Reino Unido, Canadá, Japão, Dubai. Se a sua viagem é uma dessas, o cartão faz exatamente o que promete e você não paga tarifa de câmbio nenhuma nas compras.

Os destinos populares que ficam de fora

O problema aparece nos roteiros que a lista não cobre — e alguns deles são dos mais visitados por brasileiros:

DestinoMoeda local
ArgentinaPeso argentino
ChilePeso chileno
UruguaiPeso uruguaio
ColômbiaPeso colombiano
PeruSol
TailândiaBaht
TurquiaLira turca
África do SulRand
ChinaYuan
Coreia do SulWon

Em qualquer um desses lugares, cada compra sai da carteira de outra moeda e leva os 5,50%.

A Europa que não usa euro

Esta é a armadilha mais comum, porque contraria a intuição. Nem toda a Europa usa euro, e vários destinos europeus muito procurados por brasileiros têm moeda própria:

  • Reino Unido — libra esterlina, que está na lista. Sem problema.
  • Suíça — franco suíço, também na lista. Sem problema.
  • Suécia, Noruega e Dinamarca — coroas próprias, fora da lista.
  • Polônia, República Tcheca e Hungria — zloty, coroa tcheca e forint, fora da lista.
  • Islândia — coroa islandesa, fora da lista.

Um roteiro Praga–Budapeste–Cracóvia, que é um clássico do turismo europeu barato, é justamente o pior cenário possível para este cartão: três países, três moedas, nenhuma delas carregável.

A confusão dos dirhams

Vale um aviso específico, porque o nome engana. O dirham que o cartão carrega é o dos Emirados Árabes Unidos. Marrocos também usa uma moeda chamada dirham, e é uma moeda diferente, que não está entre as dez.

Quem for a Marrakech confiando em ter "o dirham carregado" vai pagar a tarifa de câmbio em todas as compras. É o tipo de detalhe que só se descobre no primeiro extrato, e o extrato chega quando já não há o que fazer.

Quanto custam, em números, os 5,50%

Gasto na viagem, em moeda não carregadaTarifa de câmbio
Equivalente a US$ 500US$ 27,50
Equivalente a US$ 1.000US$ 55,00
Equivalente a US$ 2.000US$ 110,00
Equivalente a US$ 3.000US$ 165,00

Repare que essa tarifa se soma ao IOF de 3,5% que já incidiu na carga. Num destino fora da lista, o produto perde a sua principal razão de existir — a previsibilidade — e passa a acumular dois custos em cima do câmbio.

Como decidir antes de comprar o cartão

  • Comece pelo roteiro, não pelo cartão. Liste os países da viagem e as moedas de cada um. Se todas estiverem entre as dez, o cartão é uma boa escolha; se alguma ficar de fora, calcule os 5,50% sobre o que pretende gastar lá.
  • Cuidado com escalas longas e extensões de roteiro. Dois dias em Istambul no meio de uma viagem à Europa bastam para introduzir uma moeda fora da lista.
  • Numa viagem mista, divida os meios de pagamento. Carregue a moeda dos trechos cobertos e reserve outro meio para os trechos que não estão.
  • Não conte com o dólar como coringa. Pagar em dólar num país que não usa dólar é justamente a situação em que a tarifa aparece.

Para o resto das condições — custos de emissão, limites de carga, seguro bagagem e a regra de inatividade — veja a nossa análise completa do Cash Passport Mastercard Platinum.

O que significa "moeda carregada" na prática

Convém desfazer uma leitura otimista. Ter uma moeda entre as dez disponíveis não basta: ela precisa estar efetivamente carregada e com saldo no momento da compra.

São duas situações diferentes que levam à mesma tarifa. A primeira é a óbvia: você compra em baht na Tailândia e o baht não existe no cartão. A segunda é mais traiçoeira: você carregou euros, está em Lisboa, mas o saldo em euros acabou no meio da viagem. A partir daí, cada compra puxa de outra carteira — a de dólares, por exemplo — e leva os 5,50%, mesmo estando num país cuja moeda é carregável.

A conclusão prática é que o dimensionamento da carga importa tanto quanto a escolha da moeda. Carregar justo é o mesmo que planejar pagar tarifa nos últimos dias de viagem, e a recarga não tem tarifa do emissor — o custo de recarregar é o câmbio do dia mais o imposto, e não uma penalidade do produto.

Há ainda o inverso, que é carregar demais numa moeda que sobra. O saldo remanescente fica para a próxima viagem, mas sobra parado — e a lógica de comprar câmbio antecipado deixa de fazer sentido quando o dinheiro fica meses sem uso.

Em resumo

Este cartão não se avalia pelo cartão: avalia-se pelo mapa. Estados Unidos, zona do euro, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, México, Japão, Emirados e Suíça são território sem tarifa. Argentina, Chile, Tailândia, Turquia, Marrocos e a Europa Central e Nórdica custam 5,50% em cada compra. Antes de carregar qualquer valor, confira a moeda de cada país do seu roteiro — inclusive a das escalas.