O Inter Prime não cobra anuidade, mas também não se pede por formulário: o banco só o libera a quem assina o plano anual do Duo Gourmet ou mantém uma média de R$ 7.000 em quatro faturas consecutivas. A segunda porta é a que mais gente tenta — e é também a que mais gente entende pela metade, porque “média de R$ 7.000 em quatro faturas” não é o mesmo que “gastar R$ 7.000 todos os meses”. É uma soma, e uma soma que anda. Este texto faz a aritmética dela: quanto o conjunto das quatro faturas precisa somar, quanto falta no último mês quando os três primeiros ficaram abaixo, e por que a conta pode piorar no mês seguinte mesmo sem você gastar menos.
A média de quatro faturas é uma soma, não uma meta mensal
O critério publicado pelo Banco Inter fala em média, e média de quatro números é simplesmente a soma dividida por quatro. Se a média precisa chegar a R$ 7.000, a soma das quatro faturas precisa chegar a R$ 28.000. Qualquer combinação que alcance esse total satisfaz o critério, e isso muda bastante o planejamento de quem tem gastos irregulares.
Daí saem duas leituras. Um mês fraco não elimina ninguém, desde que outro o compense — e até um mês zerado passa, se os outros três somarem R$ 28.000 sozinhos. Já quem gasta de forma estável e abaixo da linha nunca compensa nada: com R$ 6.000 todos os meses, a média fica em R$ 6.000 para sempre, e a distância até o critério não é de R$ 1.000, e sim de R$ 4.000 acumulados a cada quatro faturas.
Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas: esse número é um critério de acesso, não uma condição de isenção. O cartão custa R$ 0 de anuidade, como detalhamos na análise completa do Inter Prime; a média de R$ 7.000 serve para o banco liberar a oferta, não para dispensar uma cobrança que não existe. O que o emissor não publica é o que acontece com quem já tem o cartão e deixa de sustentar esse volume — e, como não publica, não afirmamos.
Quanto falta no quarto mês: a tabela do fechamento
A pergunta mais útil é a do fim do ciclo: faltando uma fatura para fechar a janela, quanto ainda é preciso gastar? A conta é direta — R$ 28.000 menos o que as três primeiras faturas já somaram. A tabela abaixo parte de três meses iguais, só para tornar a leitura simples, e mostra o tamanho do último esforço.
| Gasto nas três primeiras faturas | Soma acumulada | Necessário na quarta fatura | Peso da quarta fatura no total |
|---|---|---|---|
| R$ 9.000 por mês | R$ 27.000 | R$ 1.000 | 4% |
| R$ 8.000 por mês | R$ 24.000 | R$ 4.000 | 14% |
| R$ 7.000 por mês | R$ 21.000 | R$ 7.000 | 25% |
| R$ 6.000 por mês | R$ 18.000 | R$ 10.000 | 36% |
| R$ 5.000 por mês | R$ 15.000 | R$ 13.000 | 46% |
| R$ 4.000 por mês | R$ 12.000 | R$ 16.000 | 57% |
O que a última coluna mostra é o ponto que interessa. A partir de R$ 5.000 mensais para baixo, fechar a janela exige concentrar quase metade do ciclo inteiro numa única fatura. Isso é viável para quem tem uma despesa grande e previsível a caminho — um seguro anual, uma reforma, a passagem da família, o imposto de uma empresa —, e é praticamente impossível para quem só tem contas de rotina. Não é uma questão de disciplina: é de tamanho do orçamento.
E há um cuidado que precede a aritmética: concentrar gasto só faz sentido se a fatura for paga integralmente. O rotativo do Inter Prime chega a 17,9% ao mês, o que dá 621,38% ao ano em juros compostos. Forçar R$ 16.000 numa fatura para alcançar um critério de acesso e depois não conseguir quitá-la transforma um cartão sem anuidade no crédito mais caro da sua carteira. O cartão gratuito só é gratuito para quem paga tudo.
A janela anda: o mês forte que sai da conta
O detalhe que pega mais gente de surpresa é que o critério fala em quatro faturas consecutivas. Isso significa uma janela móvel: a cada nova fatura, a mais antiga sai da conta. Duas pessoas podem gastar exatamente o mesmo total em quatro meses e terminar em situações opostas no quinto, dependendo apenas da ordem em que gastaram.
| Trajetória | Faturas 1 a 4 | Média da janela 1–4 | Fatura 5 | Média da janela 2–5 |
|---|---|---|---|---|
| Decrescente | R$ 10.000 · 8.000 · 6.000 · 4.000 | R$ 7.000 | R$ 7.000 | R$ 6.250 |
| Crescente | R$ 4.000 · 6.000 · 8.000 · 10.000 | R$ 7.000 | R$ 7.000 | R$ 7.750 |
| Estável | R$ 7.000 · 7.000 · 7.000 · 7.000 | R$ 7.000 | R$ 7.000 | R$ 7.000 |
| Concentrada no início | R$ 16.000 · 4.000 · 4.000 · 4.000 | R$ 7.000 | R$ 7.000 | R$ 4.750 |
As quatro trajetórias somam os mesmos R$ 28.000 e têm a mesma média no primeiro ciclo. No mês seguinte, com uma quinta fatura idêntica de R$ 7.000, a distância entre elas é enorme: a trajetória crescente sobe para R$ 7.750 de média, a estável se mantém exatamente na linha e a concentrada no início despenca para R$ 4.750, porque o mês de R$ 16.000 saiu da janela e não há nada equivalente para substituí-lo.
A conclusão prática é pouco intuitiva e vale anotar: o esforço concentrado num único mês compra a elegibilidade por quatro faturas e depois a devolve de uma vez. Quem depende desse tipo de pico precisa de um novo pico a cada quatro meses. Quem gasta de forma crescente ou estável não precisa de pico nenhum.
A outra porta e quando ela sai na frente
O Inter mantém um segundo caminho para o Prime: assinar o plano anual do Duo Gourmet. Ele é alternativo, não cumulativo — basta um dos dois. O preço desse plano não está entre as condições que o emissor publica para este cartão, então não há como colocá-lo numa tabela e compará-lo com o esforço de gasto. O que dá para fazer é a pergunta certa antes de decidir, em três partes:
- Você já usaria o Duo Gourmet de qualquer forma? Se sim, o critério de acesso ao Prime já está pago, e a discussão sobre média de faturas acaba aqui.
- Seus quatro últimos meses somam perto de R$ 28.000? Se a soma estiver acima ou muito próxima, a via do gasto não exige nada de novo — apenas continuar.
- A distância é grande e só se fecha com um mês atípico? Aí a via do gasto cobra um pico agora e outro daqui a quatro meses, e o plano anual passa a merecer uma comparação séria com esse custo recorrente de esforço.
Uma última recomendação de método: confira a soma das suas quatro últimas faturas antes de tentar qualquer coisa. Esse número, e não a impressão de quanto se gasta por mês, é o que determina onde você está. Se preferir começar pelo panorama do cartão — custos, seguros, pontos Loop e requisitos —, o caminho é a nossa análise completa do cartão do Banco Inter.
Resumo: a aritmética em cinco linhas
- A média de R$ 7.000 em quatro faturas equivale a uma soma de R$ 28.000 no ciclo; qualquer combinação que alcance esse total serve.
- Faltando uma fatura, o que falta é R$ 28.000 menos o já acumulado — e, abaixo de R$ 5.000 por mês, isso significa concentrar quase metade do ciclo num único mês.
- A janela é móvel: a cada nova fatura, a mais antiga sai. Picos isolados compram elegibilidade por quatro meses e depois a devolvem.
- Trajetórias crescentes ou estáveis sustentam o critério sem esforço extra; trajetórias decrescentes ou concentradas no início o perdem no quinto mês.
- Nada disso vale a pena se a fatura não for quitada: o rotativo chega a 17,9% ao mês, ou 621,38% ao ano, e anula com folga a economia de um cartão sem anuidade.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.
