O Ourocard Visa Infinite é o cartão de topo do Banco do Brasil, desenhado para o correntista Estilo ou Private que viaja com frequência e quer acumular pontos Livelo. Cobra R$ 996 de anuidade, oferece quatro acessos anuais a salas VIP, um pacote amplo de seguros de viagem e 3 pontos por dólar em compras internacionais. Nosso veredito em uma frase: é um cartão premium competente para quem já vive dentro do ecossistema do BB e gasta o bastante para zerar a anuidade — e um péssimo negócio para todos os outros.
O que é este cartão
O Ourocard Visa Infinite é emitido pelo Banco do Brasil na bandeira Visa, dentro da categoria Infinite — o degrau mais alto do portfólio Visa no Brasil, acima do Platinum e do Signature. É um cartão de crédito tradicional, não pré-pago, posicionado para alta renda e com foco declarado em viagem: acúmulo de pontos, salas VIP, seguros internacionais e serviços de concierge.
A distribuição é o ponto que define o produto. Segundo as condições publicadas, o cartão é oferecido por convite a clientes dos segmentos BB Estilo e BB Private, o que significa que não existe um botão de "peça já" aberto ao público geral. Você precisa ser correntista do banco, estar no segmento certo e passar pela análise do gerente e pela análise de crédito.
O diferencial que o BB coloca na mesa não é a anuidade nem o limite — é a combinação do programa Livelo com a estrutura de relacionamento do banco, incluindo a possibilidade de zerar a anuidade por volume de investimentos. Em nossa avaliação editorial, o cartão recebe nota 4,3: um produto bem montado, mas fechado, caro e com juros que punem qualquer deslize.
Os meios de pagamento estão em dia: o cartão é contactless, tem cartão virtual e funciona com Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. O pagamento de Pix na função crédito não consta entre os recursos informados para este cartão — se isso for importante para você, confirme diretamente com o Banco do Brasil.
Anuidade e custos reais
A anuidade é de R$ 996 por ano, cobrada em 12 parcelas de R$ 83. Não há desconto de boas-vindas: o primeiro ano custa os mesmos R$ 996 dos seguintes. É uma das anuidades mais caras do mercado brasileiro de cartões, e é assim que o produto foi desenhado — a conta só fecha para quem usa os benefícios de viagem ou consegue a isenção.
A isenção existe e é automática, mas exige volume. Segundo o emissor, ela vale para gastos mensais acima de R$ 10.000 (clientes Estilo) ou R$ 15.000 (demais perfis), ou ainda para quem mantém mais de R$ 250.000 investidos no BB. Traduzindo em números anuais: são R$ 120.000 ou R$ 180.000 de gastos por ano no cartão. Se você atinge a primeira faixa, a anuidade representaria 0,83% do que você gasta — e é justamente esse percentual que você deixa de pagar.
Atenção a uma armadilha comum: gasto mensal não é renda. Aqui o número é de compras no cartão, e o mês em que você não atingir o piso é o mês em que a parcela de R$ 83 aparece na fatura. Os adicionais são até seis, com 50% de desconto — R$ 498 por ano cada. Um único adicional para o cônjuge, sem isenção, leva o custo anual da família a R$ 1.494.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Anuidade | R$ 996 por ano |
| Anuidade parcelada | 12 × R$ 83 |
| Anuidade no primeiro ano | R$ 996 (sem desconto de entrada) |
| Isenção da anuidade | Automática com gastos mensais acima de R$ 10.000 (Estilo) ou R$ 15.000 (demais), ou saldo investido no BB acima de R$ 250.000 |
| Cartões adicionais | Até 6, com 50% de desconto — R$ 498 por ano cada |
| Compras internacionais | 4% de spread cambial + 1,1% de IOF = 5,1% no total |
| Saque na função crédito | Juros de 13,76% a.m. + tarifas operacionais + IOF de 3% |
| Atraso no pagamento | Multa de 2% + juros do rotativo de 13,76% a.m. |
| Segunda via do cartão | Consultar a tabela de tarifas do Banco do Brasil |
| Prazo sem juros | Até 40 dias entre a compra e o vencimento |
O custo internacional merece destaque porque contraria a promessa do produto. Um cartão vendido como cartão de viajante cobra 5,1% sobre cada compra no exterior (4% de spread mais 1,1% de IOF). Em uma viagem com R$ 20.000 de gastos, isso são R$ 1.020 — mais do que a anuidade inteira. Os 3 pontos Livelo por dólar não cobrem essa diferença na maioria dos resgates.
Juros do rotativo, parcelamento e CET
O rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro, e este cartão não é exceção. A taxa é de 13,76% ao mês, o que equivale a 369,76% ao ano em juros compostos. O parcelamento da fatura sai mais barato, mas continua altíssimo: 10,49% ao mês, ou 231,04% ao ano.
O CET (Custo Efetivo Total) do rotativo na tabela oficial do Banco do Brasil é de 14,60% ao mês — acima da taxa de juros nominal porque incorpora IOF e demais encargos. O emissor não publica o CET anual do rotativo, e ele varia de contrato para contrato conforme o prazo e o valor. Some ainda o IOF das operações de crédito: 0,38% fixo mais uma parcela diária sobre o saldo devedor.
Um exemplo concreto. Você deixa R$ 3.000 sem pagar na fatura e entra no rotativo. Em um único mês, só de juros, são R$ 412,80 — a dívida vai para R$ 3.412,80 antes de qualquer IOF. Se essa bola de neve rodasse doze meses sem freio, o saldo passaria de R$ 14.000. É aqui que entra a Lei 14.690/2023, em vigor desde janeiro de 2024: os encargos do rotativo não podem ultrapassar o valor original da dívida. No exemplo, os R$ 3.000 não podem virar mais do que R$ 6.000 no total. É uma proteção real, mas convém entender o que ela faz — limita o quanto a dívida cresce, não a taxa mensal anunciada.
O parcelamento da fatura é a saída menos ruim quando o problema já aconteceu. Parcelar os mesmos R$ 3.000 em 6 vezes a 10,49% ao mês dá parcelas de cerca de R$ 698,74 — total aproximado de R$ 4.192, quase R$ 1.200 só de juros, sem contar IOF e tarifas. O CET real do seu contrato será maior. Em 12 vezes, o total ultrapassa R$ 5.400.
A leitura editorial é direta: um cartão de anuidade de R$ 996 pressupõe um usuário que paga a fatura integral todo mês. Quem entra no rotativo com frequência está pagando caro por benefícios de viagem enquanto queima muito mais em juros.
Benefícios principais
O programa de pontos é o coração do cartão. São 2 pontos Livelo por dólar em compras nacionais e 3 pontos por dólar em compras internacionais, com validade de 4 anos. Os pontos podem ser transferidos para Smiles, LATAM Pass e TudoAzul, o que abre as três principais rotas de milhas do país.
Uma ressalva importante de leitura: a pontuação é contada "por dólar", ou seja, o gasto em reais é convertido por uma taxa definida pelo emissor. Essa taxa de conversão não está entre as condições publicadas que analisamos — confirme o critério vigente no site oficial do Banco do Brasil antes de fazer contas de milhas, porque é ela que determina quantos pontos cada real realmente rende.
Quem não quer lidar com pontos tem duas alternativas: 1% de cashback creditado na fatura ou 1% aplicado em fundo de renda fixa do BB. É uma flexibilidade rara e bem-vinda, mas 1% é um retorno modesto para um cartão desta anuidade — só compensa para quem não pretende viajar.
Nas salas VIP, são 4 acessos gratuitos por ano em mais de 1.300 aeroportos, via DragonPass e Visa Airport Companion. Quatro acessos cobrem duas viagens de ida e volta por ano, no máximo, e os acessos extras são pagos — é um benefício de cortesia, não de uso livre. Quem viaja todo mês vai esgotar a cota em fevereiro.
O pacote de seguros é o item mais forte do cartão e inclui seguro de emergência médica internacional com Visa Médico Online (com despesas odontológicas e atendimento aos requisitos do Certificado Schengen), seguro de cancelamento de viagem, atraso de embarque, perda de conexão aérea, atraso de bagagem, perda e roubo de bagagem, seguro para veículo de locadora, Seguro Proteção de Compra e garantia estendida original. Para quem viaja à Europa, o seguro médico com Certificado Schengen sozinho já justifica boa parte da anuidade.
Completam a lista o concierge Visa 24 horas e a Visa Luxury Hotel Collection. Seguros e benefícios Visa têm regras de acionamento, carências e limites próprios — leia o regulamento antes de contar com eles.
Requisitos para pedir
Este é o ponto em que o cartão elimina a maior parte dos interessados. É preciso ser correntista do Banco do Brasil, estar no segmento BB Estilo ou BB Private e receber convite ou indicação do gerente. Não existe caminho aberto de solicitação para quem está fora do banco.
Sobre renda mínima, sejamos precisos: o Banco do Brasil não publica um valor oficial de renda mínima para este cartão. O número que circula no mercado — algo em torno de R$ 15.000 por mês — é uma estimativa baseada no perfil típico dos clientes Estilo e Private, e não uma exigência divulgada pelo emissor. Trate isso como referência de mercado, nunca como regra.
Na prática, a aprovação depende de análise de crédito: score, histórico de pagamentos, ausência de restrições no SPC e no Serasa, tempo e profundidade do relacionamento com o banco e comprovação de renda. Ter a renda "certa" não garante o convite; ter relacionamento longo e investimentos no BB pesa tanto quanto o contracheque.
| Requisito | Condição |
|---|---|
| Idade mínima | 18 anos |
| Conta no Banco do Brasil | Obrigatória |
| Segmento | BB Estilo ou BB Private |
| Renda mínima | Não publicada pelo emissor — sujeita à análise de crédito |
| Forma de acesso | Por convite ou indicação do gerente |
| Limite de crédito mínimo | A partir de R$ 5.000 |
| Limite de crédito máximo | Não publicado pelo emissor |
| Análise | Crédito e relacionamento bancário |
Pontos fortes e fracos
O que o cartão faz bem: o pacote de seguros de viagem é genuinamente completo e cobre os cenários que realmente estragam uma viagem — emergência médica no exterior, cancelamento, bagagem extraviada e carro alugado. A aceleração de 3 pontos por dólar no exterior é coerente com a proposta e superior à taxa nacional. A isenção por investimentos, e não apenas por gasto, é uma porta que muitos concorrentes não oferecem: quem tem R$ 250.000 aplicados no BB não precisa forçar consumo para zerar a anuidade. E a possibilidade de trocar pontos por cashback ou por aplicação em renda fixa dá flexibilidade a quem não voa.
O que ele faz mal: a anuidade de R$ 996 é alta mesmo para o segmento, e o cartão não oferece nenhum desconto de entrada. Os 5,1% de custo em compras internacionais são difíceis de defender num produto vendido como cartão de viajante — é o benefício e o custo puxando em direções opostas. Quatro acessos anuais a salas VIP é pouco para o público que o cartão diz atender. O rotativo a 13,76% ao mês castiga qualquer atraso, e a multa de 2% se soma a ele. Por fim, a exclusividade é uma faca de dois gumes: depender de convite significa que você não controla o processo, e ser obrigado a manter conta no BB reduz sua liberdade de negociar tarifas bancárias em outro lugar.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Perfil 1 — Vale muito a pena. Cliente BB Estilo há alguns anos, que concentra R$ 12.000 por mês de despesas de família no cartão, viaja duas vezes por ano ao exterior e paga a fatura integral. Ele zera a anuidade pelo gasto, usa os quatro acessos VIP nas duas viagens, aproveita o seguro médico internacional com Certificado Schengen e transfere os pontos Livelo para Smiles ou LATAM Pass. Custo efetivo do cartão: praticamente zero, fora o spread nas compras lá fora.
Perfil 2 — Vale com ressalva. Cliente Private com mais de R$ 250.000 investidos no BB, que viaja pouco e usa o cartão para gastos do dia a dia. A isenção vem pelo saldo investido, então a anuidade não pesa. Mas os benefícios de viagem ficam ociosos, e para esse perfil a escolha racional pode ser trocar os pontos pelo 1% de cashback na fatura — o que reduz o cartão a um produto comum com uma marca premium. Faz sentido manter, não faz sentido correr atrás.
Perfil 3 — Não vale a pena. Profissional autônomo com renda variável, sem conta no BB, que gasta R$ 3.000 por mês no cartão e ocasionalmente parcela a fatura. Aqui o cartão falha em tudo: ele nem sequer é elegível sem abrir conta e entrar no segmento certo; a anuidade de R$ 996 consumiria cerca de 2,8% do seu gasto anual no cartão; e uma única entrada no rotativo a 13,76% ao mês apagaria anos de pontos acumulados. Para esse perfil, um cartão sem anuidade com cashback simples entrega mais.
Como pedir
O caminho normal não é um formulário na internet. Como o cartão é distribuído por convite, o passo mais eficaz é falar com o gerente da sua agência ou com o atendimento do seu segmento e perguntar diretamente se o seu perfil está elegível para o Ourocard Visa Infinite. Se você já é Estilo ou Private, o convite pode ser liberado pelo próprio aplicativo do banco.
Antes de pedir, organize três coisas: comprovação de renda atualizada, situação limpa no SPC e no Serasa, e uma ideia realista do seu gasto mensal no cartão — é esse número que determina se você vai pagar ou não os R$ 996.
Todas as condições vigentes, incluindo as regras completas de isenção, os limites de cada seguro, a tabela de tarifas e o critério de conversão de gastos em pontos Livelo, devem ser conferidas na página oficial do emissor: Ourocard Visa Infinite no site do Banco do Brasil. Condições de cartão premium mudam com frequência, e o contrato que vale é o que você assina.
Conclusão editorial
O Ourocard Visa Infinite é um cartão premium honesto naquilo que entrega: seguros de viagem realmente completos, pontos Livelo acelerados no exterior com rota aberta para Smiles, LATAM Pass e TudoAzul, e uma isenção de anuidade que aceita tanto gasto quanto investimento. Para o correntista Estilo ou Private que viaja e paga a fatura integral, é um dos produtos mais bem resolvidos do Banco do Brasil.
Mas um comparador não existe para elogiar. Este cartão cobra R$ 996 sem desconto de entrada, cobra 5,1% em compras internacionais num produto vendido para viajantes, limita as salas VIP a quatro acessos por ano e pratica 13,76% ao mês no rotativo — 369,76% ao ano. Nada disso é escondido, mas tudo isso precisa entrar na sua conta antes do brilho do cartão preto.
Nossa recomendação: só peça se você tem previsibilidade para bater a isenção ou o saldo investido, e se sabe que nunca vai financiar a fatura. Caso contrário, existem cartões mais baratos que entregam 80% disso sem exigir conta, convite nem R$ 996 por ano.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.
