O Banco Pan Mastercard é um cartão de entrada, sem anuidade, pensado para quem está começando no crédito ou quer um cartão reserva sem custo fixo. Entrega o programa de pontos PAN Mais, desconto em cinema e pagamento por aproximação pelo celular no Android. Em compensação, cobra 13,43% ao mês no rotativo, começa com limite baixo e não funciona no Apple Pay. Nosso veredito: vale como primeiro cartão, desde que a fatura seja paga integralmente todo mês.

O que é este cartão

O Banco Pan Mastercard é o cartão de crédito emitido pelo Banco Pan na bandeira Mastercard, na categoria Standard — a faixa de entrada do mercado, abaixo das linhas Gold, Platinum e Black. Não é um cartão de viagem nem um produto premium, e o próprio emissor não o posiciona assim.

A proposta declarada é simples: facilidade de aprovação e controle da vida financeira pelo aplicativo. O cartão tem função por aproximação (contactless), oferece cartão virtual para compras online e permite pagar por Pix usando o limite do crédito. A gestão do dia a dia — fatura, limite, bloqueio temporário, parcelamento — acontece dentro do app Pan, e é ali que o banco concentra praticamente toda a experiência do produto.

O programa de recompensas se chama PAN Mais e acumula pontos por dólar gasto. Quantos pontos por dólar, o emissor não informa na ficha que auditamos — esse é um número que precisa ser conferido no regulamento do programa, no site oficial do Banco Pan, antes de você decidir se o acúmulo compensa.

Um detalhe que merece atenção: a condição de anuidade gratuita sem exigência de gasto mínimo aparece associada à versão Atmosfera do cartão. Como o Banco Pan trabalha com mais de uma configuração de produto, confirme na proposta qual versão foi aprovada para você antes de assinar.

Anuidade e custos reais

A anuidade é zero, e essa é a informação mais sólida de toda a ficha: consta como condição oficial do emissor, sem cobrança no primeiro ano nem nos seguintes, e sem a armadilha comum de exigir gasto mínimo mensal para conquistar a isenção. Também não há mensalidade.

Anuidade zero, porém, não é o mesmo que cartão de graça. O custo real de um cartão de entrada aparece em outros lugares: nos juros de quem atrasa ou paga só o mínimo, no IOF das compras internacionais e nas tarifas avulsas. E é justamente nesse ponto que a transparência do Banco Pan deixa a desejar — não localizamos uma tabela de tarifas pública e acessível do banco, o que impede conferir de fora quanto custa um saque na função crédito ou a segunda via do cartão.

O que está publicado, listamos abaixo. O que não está, marcamos como não publicado — porque campo vazio não significa gratuito.

CustoValor publicado
AnuidadeR$ 0, sem exigência de gasto mínimo
Anuidade no primeiro anoR$ 0
Tarifa mensalR$ 0
Juros do rotativo13,43% ao mês
Juros do parcelamento da fatura4,50% ao mês
CET (Custo Efetivo Total)Não publicado pelo emissor
Compras internacionaisIOF de 6,38% sobre o valor da compra
Atraso no pagamentoMulta de 2% + juros de mora de 1% ao mês
Saque na função créditoTarifa conforme a tabela vigente do Banco Pan (não publicada)
Segunda via do cartãoConsultar a tabela de tarifas do Banco Pan (não publicada)
Prazo sem jurosAté 40 dias entre a compra e o vencimento da fatura

Sobre o prazo de até 40 dias: ele só existe para quem paga a fatura inteira. Uma compra feita logo depois do fechamento chega perto desse limite; uma compra feita na véspera do fechamento tem poucos dias de folga. Se o pagamento integral não acontecer, o prazo sem juros desaparece e o saldo remanescente cai no rotativo.

Nas compras internacionais, o IOF de 6,38% incide sobre o valor da compra — em uma compra de US$ 100, são cerca de US$ 6,38 apenas de imposto, além da taxa de câmbio aplicada na conversão. Para quem compra em site estrangeiro com frequência, esse custo pesa muito mais do que a anuidade que o cartão não cobra.

Juros do rotativo, parcelamento e CET

O crédito rotativo é a modalidade mais cara do crédito brasileiro — mais cara que cheque especial, empréstimo pessoal ou consignado — e é para onde vai automaticamente qualquer valor que você deixe de pagar na fatura. Neste cartão, a taxa é de 13,43% ao mês.

Juros de cartão se anunciam ao mês, mas incidem sobre o saldo já acrescido dos juros anteriores. Aplicando juros compostos — ((1 + 0,1343)12 − 1) × 100 —, os 13,43% ao mês equivalem a 353,66% ao ano. O emissor não divulga essa taxa anual: ela é o resultado matemático da taxa mensal que ele publica.

Um exemplo concreto. Uma fatura de R$ 1.000 que não é paga vira, um mês depois, R$ 1.134,30 — R$ 134,30 apenas de juros. E isso antes do IOF, que cobra 0,38% fixos mais uma parcela diária sobre o saldo devedor, e antes da multa de 2% e dos juros de mora de 1% ao mês pelo atraso. É esse número, e não a anuidade, que define quanto o cartão custa a você.

Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 limita os encargos do rotativo ao valor original da dívida: aqueles R$ 1.000 não podem gerar mais de R$ 1.000 em encargos. A regra impede a bola de neve infinita, mas não torna a taxa barata — o teto limita quanto a dívida cresce, não quanto o banco cobra por mês.

O parcelamento da fatura é a saída menos ruim quando o pagamento integral não é possível: 4,50% ao mês, o equivalente a 69,59% ao ano em juros compostos. O app permite dividir em até 24 vezes. Mantida essa taxa, uma fatura de R$ 1.000 parcelada em 12 vezes sai por cerca de R$ 109,67 por mês, aproximadamente R$ 1.316 no total — cerca de R$ 316 de juros. Em 24 vezes, a prestação cai para cerca de R$ 68,99, mas o total sobe para algo perto de R$ 1.656. Parcela menor, dívida maior. A taxa efetivamente aplicada na sua proposta pode ser diferente e aparece na tela do app.

O CET (Custo Efetivo Total) — a taxa que junta juros, IOF e tarifas em um número só — não é publicado pelo Banco Pan. Como ele varia conforme prazo e valor, o banco é obrigado a informá-lo na proposta de parcelamento. Exija esse número antes de confirmar: é ele, e não a taxa mensal isolada, que diz quanto a operação custa de verdade.

Benefícios principais

Programa PAN Mais. O acúmulo é por dólar gasto e os pontos valem por 24 meses — prazo razoável para a categoria, mas que exige atenção, porque ponto vencido é ponto perdido. A transferência é a parte mais interessante do programa: os pontos vão para Smiles, Livelo, Dotz e Decolar, o que dá alguma liberdade a quem quer converter gasto em passagem. O que a ficha não traz é a taxa de conversão — quantos pontos por dólar você ganha e quantos pontos valem uma milha. Sem esses dois números, é impossível afirmar que o programa compensa, e o emissor deveria publicá-los.

Cinema com 50% de desconto. Válido nas redes Kinoplex e Cinemark. É o benefício mais tangível do cartão e, para quem vai ao cinema duas vezes por mês, provavelmente vale mais do que os pontos.

Pagamentos. O cartão é contactless, tem cartão virtual para compras online e funciona no Google Pay. Não funciona no Apple Pay, e essa é uma limitação séria em 2026: se você usa iPhone, vai carregar o cartão físico. Há também Pix no crédito, útil em emergência — mas o custo dessa operação não aparece na ficha, então confirme com o banco antes de usar.

Cashback: não tem. Esta versão do cartão não devolve dinheiro na fatura. Quem procura cashback direto em compras precisa olhar outro produto.

Seguros e assistências: o mínimo. A ficha lista assistência 24 horas para cartão perdido ou roubado e substituição emergencial do cartão. Só isso. Não há seguro de viagem, proteção de compra, garantia estendida nem acesso a salas VIP em aeroportos. Para um cartão sem anuidade, é o esperado — mas ninguém deve pedir este cartão imaginando cobertura de viagem.

Requisitos para pedir

Os requisitos formais são os de qualquer cartão de entrada no Brasil.

RequisitoCondição
Idade mínima18 anos
CPFRegular, sem restrição grave
ResidênciaResidir no Brasil
Renda mínimaO Banco Pan não publica valor
Análise de créditoIndividual, feita pelo Banco Pan
Limite de créditoDe R$ 300 a R$ 5.000, conforme a análise
AnuidadeZero, sem exigência de gasto mínimo

Sobre a renda: o Banco Pan não publica um valor de renda mínima para este cartão. Na prática, a aprovação depende da análise de crédito — score, histórico no SPC e no Serasa, relacionamento com o banco e comprovação de renda. O posicionamento de "aprovação facilitada" é uma descrição comercial do produto, não um critério publicado, e não garante nada a ninguém.

Sobre o limite: a ficha registra uma faixa de R$ 300 a R$ 5.000, e o limite inicial costuma ficar na parte baixa dessa faixa, entre R$ 300 e R$ 1.500. Para quem está construindo histórico, isso é normal e até saudável. Para quem precisa de folga para uma compra grande, é insuficiente. O aumento depende de uso e pagamento em dia, sem prazo garantido pelo banco.

Pontos fortes e fracos

O que este cartão faz bem

  • Anuidade zero de verdade. Sem gasto mínimo, sem isenção condicionada, sem cobrança escondida no segundo ano. Manter o cartão na carteira não custa nada.
  • Pontos que saem do ecossistema. Transferir para Smiles, Livelo, Dotz e Decolar é incomum em cartão de entrada sem anuidade e é o que separa o PAN Mais de um programa puramente decorativo.
  • Cinema pela metade do preço. Benefício simples, de uso imediato e fácil de calcular.
  • Porta de entrada. Para quem não tem histórico de crédito, um cartão que não cobra anuidade é a forma mais barata de começar a construir esse histórico.
  • Controle pelo app. Fatura, limite, parcelamento e cartão virtual na mesma tela.

O que este cartão faz mal

  • Rotativo de 13,43% ao mês. Ou 353,66% ao ano. Uma fatura de R$ 1.000 rolada por um único mês custa R$ 134,30 em juros, sem contar IOF, multa e mora.
  • Sem Apple Pay. Em 2026, deixar de fora uma parte enorme dos usuários de celular não é um detalhe técnico.
  • Opacidade nas tarifas. Saque e segunda via aparecem como "consultar tabela vigente" — e a tabela não está publicamente acessível. Um custo que o consumidor não consegue conferir antes de contratar é um problema, não uma omissão inocente.
  • Sem cashback e sem coberturas. Nada de dinheiro de volta, seguro de viagem, proteção de compra ou sala VIP.
  • Limite inicial curto. Começar em R$ 300 restringe bastante o uso no primeiro ano.
  • CET não divulgado. Só aparece na hora de contratar o parcelamento, o que impede comparar antes.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Vale a pena: quem está tirando o primeiro cartão. Pense em alguém de 21 anos que gasta entre R$ 600 e R$ 900 por mês em mercado, transporte e assinaturas, e paga a fatura integral todo mês. Um limite inicial de R$ 500 dá conta desse volume, a anuidade zero significa custo real de R$ 0 por ano e o histórico de crédito começa a ser construído. Nesse cenário, os 13,43% do rotativo são informação teórica: nunca serão cobrados. É o uso ideal deste cartão.

Vale a pena: quem quer um cartão de reserva. Quem já tem um cartão principal com anuidade e benefícios pode usar o Pan como apoio — para separar assinaturas, para ter um cartão virtual dedicado a compras online ou simplesmente para não ficar sem crédito se o principal for bloqueado. O custo de manter o cartão parado é zero. Some o desconto de cinema e a reserva se paga sozinha.

Não vale: quem gasta R$ 3.000 por mês e quer retorno. Nesse volume, um cartão com cashback ou com acúmulo agressivo de pontos costuma devolver, ao longo do ano, bem mais do que a anuidade que cobraria. O PAN Mais, sem taxa de conversão publicada e sem cashback, não sustenta essa conta. Aqui, "sem anuidade" é o argumento errado para escolher um cartão.

Não vale: quem usa iPhone, viaja ou revolve a fatura. Sem Apple Pay, o cartão fica no bolso em vez de no celular. Sem sala VIP e sem seguro de viagem, não acompanha quem embarca com frequência. E, para quem carrega saldo de um mês para o outro, 13,43% ao mês tornam irrelevante qualquer vantagem de não pagar anuidade — a conta fecha no vermelho já no primeiro ciclo.

Como pedir

O pedido é feito pelo aplicativo Pan ou pela página oficial do produto, em bancopan.com.br. O caminho é o padrão do mercado: você informa CPF e dados pessoais, o banco roda a análise de crédito e devolve a resposta com o limite aprovado, em algum ponto entre R$ 300 e R$ 5.000.

Antes de aceitar, faça três verificações:

  • Qual versão do cartão foi aprovada e se a anuidade zero está escrita no contrato, sem condição de gasto mínimo.
  • A tabela de tarifas completa, com o custo do saque na função crédito, da segunda via e do Pix no crédito. Você tem direito a esses números antes de assinar.
  • O CET de qualquer parcelamento que o banco oferecer na tela.

Aprovado o pedido, o cartão virtual costuma ficar disponível no app antes da chegada do cartão físico, o que permite comprar online de imediato. Quem usa Android pode cadastrar o cartão no Google Pay; quem usa iPhone, não — o Apple Pay não aceita este cartão.

Um alerta necessário: pedir cartão de crédito é gratuito. Nenhum banco cobra para analisar um pedido, e a TAC (tarifa de abertura de crédito) é proibida para pessoas físicas no Brasil. Se alguém pedir pagamento adiantado para "liberar" o limite, é golpe. Peça sempre pelo canal oficial do Banco Pan, nunca por link recebido em mensagem.

Leia também: Banco Pan Mastercard: quanto custa atrasar a fatura, somando multa, mora, rotativo e IOF

Conclusão editorial

O Banco Pan Mastercard resolve bem um problema específico e estreito: entrar no crédito, ou manter um cartão de reserva, sem pagar nada por isso. A anuidade zero é confirmada e sem letra miúda de gasto mínimo, o desconto de cinema é concreto e a possibilidade de transferir pontos para Smiles, Livelo, Dotz e Decolar é mais do que a maioria dos cartões gratuitos entrega. Nossa nota editorial é 3,4 de 5, e ela reflete exatamente esse recorte: cumpre o básico, não vai além.

Fora desse recorte, o cartão perde rápido. Os 13,43% ao mês no rotativo — 353,66% ao ano — colocam qualquer atraso em outro patamar de custo. A ausência de Apple Pay, de cashback e de qualquer cobertura de viagem tira o produto da disputa como cartão principal. E a falta de uma tabela de tarifas pública e de um CET divulgado obriga o consumidor a contratar antes de saber quanto certas operações custam, o que não deveria ser aceito como normal.

Nossa recomendação: use-o como primeiro cartão ou como reserva, pague a fatura integral todos os meses e nunca deixe saldo rolar. Nessas condições, o custo é realmente zero. Fora delas, não é.

Análise atualizada em agosto de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas taxas divulgadas pelo Banco Central.