O Ourocard Fácil é o cartão de entrada do Banco do Brasil: Visa Internacional, anuidade de R$ 0,00 na Tabela de Tarifas Pessoa Física vigente desde 29 de junho de 2026, cartão virtual Ourocard-e, aproximação, três carteiras digitais e os serviços de emergência da bandeira. Não pontua e não traz seguros de compra. Nosso veredito em uma frase: é o cartão sem anuidade de banco público mais completo no pacote digital, e um cartão em que o BB esconde o preço do crédito atrás de dois documentos.
O que é este cartão
O Ourocard Fácil é emitido pelo Banco do Brasil na bandeira Visa, na variante Internacional — é assim que a Tabela de Tarifas o nomeia: “Ourocard Fácil Visa Internacional”. Ocupa a base da gama Ourocard, abaixo do Elo Mais, do Gold e dos cartões de alta renda, e é o cartão que o BB apresenta a quem quer crédito sem anuidade.
Um detalhe recente que a página oficial faz questão de explicar: o plástico foi redesenhado e a palavra “Fácil” saiu do cartão. O produto é o mesmo — a página diz que “todos os benefícios do produto foram mantidos” —, mas quem receber um cartão sem o nome não deve estranhar.
Para correntistas, é também um cartão de débito: a página informa que “os correntistas podem também realizar compras a débito da conta corrente”. Para quem não tem conta no BB, é só crédito.
Custos reais
O BB publica os custos em dois documentos oficiais, ambos com vigência a partir de 29 de junho de 2026: a Tabela de Tarifas Pessoa Física e a Tabela de Benefícios e Recompensas dos Cartões. A página do produto remete a eles e à página de taxas de juros.
| Conceito | Valor publicado |
|---|---|
| Anuidade — Ourocard Fácil Visa Internacional | R$ 0,00 (Tabela de Tarifas PF) |
| Fornecimento de 2ª via de cartão com função crédito | R$ 0,00 |
| Retirada em espécie pelos canais de atendimento, no país | R$ 15,00 |
| Retirada em espécie no exterior | R$ 25,00 |
| Juros do rotativo e do parcelamento da fatura | Não publicados na página; na página de taxas de juros do BB |
| CET | Não publicado na página do produto |
| Conversão cambial | Não publicada na página; o BB divulga o histórico de cotação do dólar |
| Atraso | Não publicado na página; no contrato de cartões PF |
Há um ponto que preferimos escrever a esconder. A Tabela de Benefícios e Recompensas traz uma linha chamada “Anuidade Diferenciada” com um valor por cartão, e a extração da coluna do Ourocard Fácil nesse documento é ambígua — a linha não se lê com segurança. A Tabela de Tarifas, que é o documento de preços do banco e tem a mesma vigência, é inequívoca: R$ 0,00. É essa que adotamos, e é essa que o cliente deve exigir ver no contrato. A própria tabela de benefícios avisa, em nota, que “o valor da anuidade pode ser diferente do informado devido a descontos promocionais, carência na cobrança ou outras características da modalidade”.
O saque é o custo variável a vigiar: R$ 15,00 por retirada no país, antes dos encargos do saque a crédito, que a página não publica. Quem saca uma vez por mês paga R$ 180 por ano de tarifa — mais do que a anuidade de vários cartões pagos.
Juros e o custo de não pagar tudo
O BB não publica na página do produto a taxa do rotativo nem a do parcelamento da fatura. Elas existem — o banco mantém uma página de “Taxas de juros de cartão de crédito” na área de contratos e tabelas — mas não estão onde o cliente decide. Por isso não fazemos contas com percentuais que não vimos na fonte do produto.
Valem as regras gerais do crédito no Brasil. O saldo que fica no rotativo só pode permanecer lá até o vencimento da fatura seguinte; a partir daí o banco tem de oferecer o parcelamento. E, pela Resolução CMN 5.112/2023, os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem superar o valor original da dívida — a dívida pode dobrar, não mais.
A leitura prática é a de qualquer cartão sem programa de pontos: ele só é gratuito para quem paga a fatura inteira. Financiar transforma um cartão de R$ 0,00 num crédito com custo desconhecido até se abrir a página certa — e o conselho é abri-la antes de contratar, não depois da primeira fatura parcelada.
Benefícios
A Tabela de Benefícios e Recompensas do BB diz, coluna a coluna, o que cada Ourocard tem. Para o Fácil, é isto.
Ourocard-e. Cartão virtual para compras online, um espelho do físico — que, segundo a página, não pode ser adicionado por si só às carteiras digitais; o plástico, sim.
Pagamento por aproximação (NFC). Incluído.
Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay. Os três, confirmados na tabela. Para correntistas, também pagamentos e transferências pelo WhatsApp.
Pulseira Ourocard e cartão personalizado. Disponíveis com a função crédito ativa.
Serviços da bandeira Visa. Central de Atendimento, Substituição Emergencial de Cartão, Serviço de Saque Emergencial, portal de benefícios, Serviço de Informação de Viagem e as promoções do Vai de Visa.
Benefícios Ourocard. Promoções e descontos em shows, eventos culturais e esportivos patrocinados pelo BB.
O que a mesma tabela nega ao Fácil também conta: não há programa de relacionamento — nem pontos, nem cashback —, e não há Seguro Proteção de Preço, Seguro Proteção de Compra nem Garantia Estendida, que o BB reserva aos cartões de anuidade mais alta. Não afirmamos Pix no crédito, porque nenhum dos documentos o atribui a este cartão.
Requisitos
| Requisito | Condição publicada |
|---|---|
| Canal de contratação | App BB e canais do Banco do Brasil |
| Conta corrente | Não é condição citada na página; correntistas ganham a função débito |
| Renda mínima | Não publicada |
| Idade mínima | Não publicada |
| Limite inicial | Não publicado; ajustável no App BB, no App Ourocard, no site e pelo WhatsApp quando há margem |
| Uso no exterior | Habilitação feita pelo cliente no app ou no internet banking |
| Decisão | Análise de crédito do BB |
A página é prática sobre o limite: quando há margem, o ajuste se faz em quatro canais sem falar com ninguém; quando não há, “o cliente deve procurar uma agência BB para atualizar o cadastro”. É a diferença entre um banco digital e um banco com agência — e, para quem precisa de limite maior, a agência ainda conta.
Pontos fortes e fracos
Nosso critério para um cartão sem anuidade de banco grande é o de sempre: a isenção é limpa, e o que vem junto justifica escolhê-lo em vez de uma fintech?
A isenção é limpa no documento que importa: R$ 0,00 na Tabela de Tarifas, sem gasto mínimo e sem prazo. A segunda via também é gratuita. O pacote digital é o mais completo entre os cartões de entrada de banco público que analisamos — virtual, aproximação, três carteiras, pulseira, WhatsApp — e os serviços de emergência da Visa são reais. E há a rede: o BB tem agência em quase toda cidade do país, o que para o cliente que precisa de limite ou de atendimento presencial ainda vale.
Os pontos fracos são três. Não pontua e não tem seguros de compra, o que o deixa atrás de fintechs que dão cashback ou pontos sem anuidade. O saque custa R$ 15,00 antes dos juros. E a transparência é mediana: juros, CET, câmbio e atraso ficam fora da página do produto, e a linha de anuidade da tabela de benefícios não bate de forma legível com a tabela de tarifas — o cliente precisa cruzar documentos para ter certeza do que paga.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena para quem quer um cartão de crédito de banco público sem anuidade, com bandeira internacional e pacote digital completo, para compras no Brasil e online no exterior, pagando a fatura integral. Serve bem como primeiro cartão e como cartão reserva — custa zero parado — e faz sentido para quem já é correntista do BB e ganha a função débito no mesmo plástico.
Vale menos para quem quer pontos ou seguros de compra, que não existem aqui, e para quem saca dinheiro com frequência, porque cada retirada custa R$ 15,00. E não vale para quem vai financiar a fatura sem antes abrir a página de taxas do BB: o preço do crédito não está na página do produto, e assinar sem o conhecer é o erro que este cartão não perdoa.
Como pedir
Pelo App BB — a página oficial diz “baixe nosso App e tenha seu cartão em poucos cliques” — ou pelos demais canais do banco, com análise de crédito. Aprovado, o cartão é desbloqueado no app e o Ourocard-e pode ser gerado de imediato para compras online; a habilitação para uso no exterior é feita pelo cliente no app ou no internet banking.
Antes de contratar, leia a página oficial do Ourocard Fácil e, na área de contratos e tabelas de cartões do BB, três documentos: a Tabela de Tarifas Pessoa Física, onde está o R$ 0,00 da anuidade e o R$ 15,00 do saque; a Tabela de Benefícios e Recompensas, onde está o que o cartão tem e não tem; e a página de taxas de juros de cartão de crédito, onde está o que a página do produto não diz.
Conclusão editorial
O Ourocard Fácil é um bom cartão de entrada com um defeito de comunicação. Damos-lhe 3,5 em 5. A pontuação premia a anuidade zero documentada na tabela de tarifas, a segunda via gratuita, o pacote digital completo, os serviços da Visa e a rede de agências. Penaliza a ausência de pontos e de seguros de compra, o saque a R$ 15,00 e o fato de juros, CET e câmbio ficarem fora da página do produto — e uma tabela de benefícios cuja linha de anuidade não se lê com segurança.
Nossa recomendação: para quem paga a fatura inteira e quer um cartão sem custo de um banco com agência, é uma escolha sólida e sem pegadinha na isenção. Para quem financia, o cartão certo é outro — ou é este, depois de ler a página de taxas que o BB mantém a dois cliques de distância.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base na Tabela de Tarifas e na Tabela de Benefícios publicadas pelo emissor com vigência a partir de 29 de junho de 2026 e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.
