O Nubank Mastercard (Roxinho) funciona fora do Brasil — a rede Mastercard garante aceitação em lojas e caixas eletrônicos no exterior —, mas o preço dessa conveniência não chega à fatura com nome de tarifa. Ele vem embutido na cotação e no imposto, diluído entre lançamentos já convertidos em reais, e por isso quase ninguém consegue dizer quanto pagou a mais. Este texto faz essa aritmética: quanto custa cada nível de gasto no exterior, o que acontece se a fatura da viagem não for paga por inteiro e em que situações o cartão ainda é a melhor carta na mão. Para o panorama completo do produto, com anuidade, requisitos e benefícios, leia a nossa análise completa do Nubank Roxinho.

Os dois acréscimos que se somam em cada compra

Toda compra internacional no Roxinho passa por dois acréscimos, e a ordem em que eles entram muda o resultado final.

O primeiro é o spread cambial. A conversão da moeda estrangeira para real não usa a cotação de mercado: usa o dólar de referência PTAX Venda mais 4%. Esses 4% são um custo real, e o detalhe importante é que eles não aparecem em nenhuma linha separada da fatura — estão dentro do valor já convertido. Você só percebe comparando o lançamento com a cotação do dia, o que quase ninguém faz.

O segundo é o IOF de 3,5% sobre compras internacionais. E aqui está a sutileza que muda a conta: o imposto incide sobre o valor convertido, ou seja, sobre um valor que já carrega os 4% de spread. Os dois percentuais não se somam de forma simples — o segundo é aplicado sobre o resultado do primeiro.

Na prática: para cada R$ 100 de compra à cotação PTAX Venda pura, a conversão com spread leva o valor a R$ 104,00; o IOF de 3,5% sobre esses R$ 104,00 dá R$ 3,64; o total lançado na fatura é R$ 107,64. O acréscimo efetivo, portanto, é de 7,64%, e não de 7,5%. Cálculo nosso, a partir dos percentuais publicados pelo emissor.

Quanto custa cada nível de gasto no exterior

Como o acréscimo é proporcional, ele escala linearmente com o valor gasto. A tabela abaixo traduz os 7,64% em dinheiro, partindo sempre do valor da compra à cotação PTAX Venda.

Compra à cotação PTAX VendaSpread de 4%Valor convertidoIOF de 3,5%Total na faturaCusto extra
R$ 200R$ 8,00R$ 208,00R$ 7,28R$ 215,28R$ 15,28
R$ 500R$ 20,00R$ 520,00R$ 18,20R$ 538,20R$ 38,20
R$ 1.000R$ 40,00R$ 1.040,00R$ 36,40R$ 1.076,40R$ 76,40
R$ 3.000R$ 120,00R$ 3.120,00R$ 109,20R$ 3.229,20R$ 229,20
R$ 5.000R$ 200,00R$ 5.200,00R$ 182,00R$ 5.382,00R$ 382,00
R$ 10.000R$ 400,00R$ 10.400,00R$ 364,00R$ 10.764,00R$ 764,00

Uma viagem de duas semanas em que se gastem R$ 5.000 no cartão chega à fatura como R$ 5.382. São R$ 382 que não compraram nada — é mais do que uma diária de hotel em boa parte dos destinos. E vale lembrar que compra internacional não exige viajar: assinatura de streaming cobrada em dólar, hospedagem de site, curso online estrangeiro e loja de fora do país pagam exatamente os mesmos 7,64%, todo mês, sem que ninguém saia de casa.

Se a fatura da viagem entrar no rotativo

O gasto internacional tem uma característica perigosa: ele se concentra. A viagem acontece em duas semanas e desemboca inteira em uma única fatura, muitas vezes bem acima do padrão mensal de quem viajou. É o cenário clássico de não conseguir pagar o total — e aí entra a segunda camada de custo.

Tome a linha de R$ 1.000 da tabela acima, que chega à fatura como R$ 1.076,40. Se esse valor ficar 30 dias no rotativo, somam-se os juros da faixa atribuída a você mais o IOF de operações de crédito, de 0,38% fixo mais 0,0082% ao dia. O emissor trabalha com faixas amplas, de 2,75% a 19,99% ao mês, e a taxa de cada cliente sai da análise individual.

Cenário sobre a fatura de R$ 1.076,40Juros em 30 diasIOF de créditoTotal a pagarSobre os R$ 1.000 originais
Pagamento integral no vencimentoR$ 0,00R$ 0,00R$ 1.076,40+7,6%
Rotativo no piso da faixa (2,75% ao mês)R$ 29,60R$ 6,74R$ 1.112,74+11,3%
Rotativo no teto da faixa (19,99% ao mês)R$ 215,17R$ 6,74R$ 1.298,31+29,8%

Cálculos nossos, com base nas taxas publicadas pelo emissor. A leitura prática é direta: a viagem de R$ 1.000 pode terminar custando R$ 1.298 se cair no teto da faixa e ficar apenas um mês rolando. Um único mês. É por isso que o planejamento de uma viagem no cartão deveria começar pela pergunta “consigo quitar esta fatura inteira?”, e não pela cotação do dólar.

Três situações lá fora e o que fazer em cada uma

Compra em loja física. É o uso em que o cartão se sai melhor: o acréscimo é o de 7,64% já calculado, e nada além disso, desde que a fatura seja paga por inteiro. Um cuidado vale por toda a viagem: quando a maquineta perguntar se você quer pagar em reais em vez de na moeda local, recuse. Aceitar a conversão feita pelo comerciante substitui a regra de conversão do emissor por outra, definida por quem está cobrando — e você perde a única referência verificável que tinha.

Compra online em site estrangeiro. Mesma conta, mesmo custo, com um agravante de recorrência: assinaturas em moeda estrangeira renovam sozinhas e acumulam o acréscimo mês após mês, sem nenhum aviso. Vale revisar a lista de cobranças recorrentes no aplicativo pelo menos uma vez por ano e verificar quais estão em dólar.

Saque em caixa eletrônico. É a situação a evitar. No Roxinho, o saque com cartão de crédito tem taxa própria de 9,75% ao mês, o equivalente a 205,39% ao ano em juros compostos, além de um IOF específico da operação cujo valor não consta da ficha que analisamos. Ou seja: o saque começa a render juros de imediato, sem o intervalo de conveniência que uma compra normal tem até o vencimento. Dinheiro vivo no exterior sai mais barato por praticamente qualquer outro caminho.

Falta um item que não é custo, mas vira despesa: o cartão não inclui seguro viagem. Quem precisar da cobertura — e vários destinos a exigem na entrada — terá de contratá-la à parte, e o preço dessa apólice não é um dado que o emissor publique junto ao cartão. Some essa despesa ao orçamento antes de decidir se o Roxinho será o cartão principal da viagem ou apenas a reserva sem custo fixo no bolso.

Resumo

  • Toda compra internacional no Roxinho custa 7,64% a mais que o valor à cotação PTAX Venda: 4% de spread cambial mais IOF de 3,5% aplicado sobre o valor já convertido.
  • O spread não aparece como linha na fatura. O único jeito de enxergá-lo é comparar o lançamento com a cotação do dia.
  • Uma viagem de R$ 5.000 chega à fatura como R$ 5.382. Assinaturas em dólar pagam o mesmo acréscimo, todos os meses, sem viagem nenhuma.
  • Se a fatura da viagem rolar no rotativo, o custo pula: R$ 1.000 em compras podem virar R$ 1.298 em um único mês no teto da faixa de juros.
  • Saque no exterior é a pior operação do cartão: 9,75% ao mês, que rendem desde o primeiro dia, mais IOF próprio não publicado. E o seguro viagem não está incluído — é despesa à parte.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nas regras vigentes do Conselho Monetário Nacional.