O Cartão CA&Companhia é a porta de entrada do Crédito Agrícola no crédito revolving: um Visa sem comissão de disponibilização, com limite a partir de €250 e descontos numa rede de lojas parceiras. Em troca desse custo fixo nulo, o banco cobra a taxa mais alta da sua gama — TAN de 17,990% e TAEG de 18,50%. O nosso veredito numa frase: é um bom cartão para quem paga o saldo por inteiro todos os meses e um mau negócio para todos os outros.
O que é este cartão
O CA&Companhia é um cartão de crédito Visa emitido pelo Crédito Agrícola e integrado na Solução CA&Companhia, o programa com que o banco liga os seus clientes a uma rede de lojas aderentes. Encaixa na categoria dos cartões sem comissão anual, e é essa a sua principal razão de existir dentro da gama: enquanto os cartões Classic, Clube A e Premier do mesmo banco assentam em benefícios associados, este assenta na ausência de custo fixo.
O posicionamento é claramente de entrada. O limite de crédito começa nos €250 — o mais baixo de toda a gama do Crédito Agrícola — e pode ir até €42.500, consoante a análise de risco. Quem paga a totalidade do saldo na data de vencimento tem entre 20 e 50 dias de crédito sem juros, dependendo da data em que a compra é feita dentro do ciclo de faturação. Quem prefere pagar a prazo tem prestações fixas por escalão de crédito utilizado, a começar em €30 por mês até €500 de crédito utilizado, e ainda uma linha específica para fraccionar compras ou despesas especiais até 36 meses.
Na nossa avaliação editorial, o cartão fica-se pelas 3 estrelas em 5. Cumpre bem aquilo a que se propõe — custo fixo zero e entrada acessível — mas paga essa promessa com a taxa de juro mais agressiva da casa e com uma lista de benefícios que o banco descreve mas não quantifica.
Custos reais
Comecemos pelo que realmente interessa a quem procura um cartão sem comissão anual: aqui, a isenção é verdadeira e não é um chamariz de primeiro ano. Segundo o Folheto de Comissões e Despesas do Crédito Agrícola, a comissão de disponibilização do CA&Companhia está isenta no 1.º ano e nos anos seguintes. Não há comissão mensal de manutenção prevista no preçário do cartão. Isto distingue-o de vários concorrentes que oferecem o primeiro ano e passam a cobrar no segundo, e é um ponto que merece ser reconhecido.
O custo aparece noutro sítio: nas operações. O adiantamento de numerário é caro. Levantar dinheiro a crédito numa ATM dentro do Espaço Económico Europeu, em euros, coroa sueca ou leu romeno, custa €3,75 mais 4% do valor levantado, com Imposto do Selo de 4% por cima. Num levantamento de €200, isso são €11,75 de comissão antes de imposto — quase 6% do valor, e ainda começam a contar juros de imediato. Fora do Espaço Económico Europeu, sobe para €4,00 mais 4% mais 2% de taxa de processamento internacional.
Nas compras, o quadro é mais simpático. Pagar em terminal dentro do Espaço Económico Europeu, em euros, coroa sueca ou leu romeno, é isento de comissão, e a comissão de conversão cambial é gratuita. Fora do Espaço Económico Europeu, uma compra paga 1,75% mais 2% de taxa de processamento internacional: numa compra de €300, cerca de €11,25 antes de imposto. A substituição do cartão custa €20,00, mas é gratuita quando resulta de fraude, roubo, furto, apropriação indevida, extravio nos correios, avaria de caixa automático, falha de sistema, captura ou defeito do cartão.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Comissão de disponibilização (1.º ano) | Isenta |
| Comissão de disponibilização (anos seguintes) | Isenta |
| Comissão mensal de manutenção | Não prevista no preçário do cartão |
| TAN | 17,990% (fixa) |
| TAEG | 18,50% |
| Período sem juros | 20 a 50 dias, pagando a totalidade do saldo |
| Compras em terminal no Espaço Económico Europeu (EUR, SEK, RON) | Isentas |
| Compras em terminal fora do Espaço Económico Europeu | 1,75% + 2% de taxa de processamento internacional + Imposto do Selo de 4% |
| Comissão de conversão cambial | Gratuita |
| Adiantamento de numerário no Espaço Económico Europeu (EUR, SEK, RON) | €3,75 + 4% + Imposto do Selo de 4% |
| Adiantamento de numerário fora do Espaço Económico Europeu | €4,00 + 4% + 2% de taxa de processamento internacional + Imposto do Selo de 4% |
| Substituição de cartão | €20,00 + Imposto do Selo de 4% (isenta em caso de fraude, roubo, furto, extravio nos correios ou defeito) |
| Atraso no pagamento | Juros de mora à TAN do contrato + sobretaxa de 3% ao ano |
| Comissão de recuperação de valores em dívida | 4% da prestação vencida (mínimo €12,00, máximo €150,00); 0,5% acima de €50.000, mais Imposto do Selo |
| Limite de crédito | €250 a €42.500 |
Juros e o custo de não pagar tudo
A TAN do CA&Companhia é fixa, de 17,990%. A TAEG é de 18,50%, calculada pelo banco para um limite de €1.500 reembolsado em 12 prestações mensais. Este segundo número merece um parágrafo só para ele: 18,50% é exatamente o máximo que o Banco de Portugal fixou para os cartões de crédito no 3.º trimestre de 2026. O cartão não é ilegal — é legal por um triz. Está colado ao teto do mercado, e isso quer dizer que, em juros, praticamente nada do que se vende em Portugal pode ser mais caro do que isto.
Traduzindo para o dia a dia, e usando apenas a TAN publicada, cada mês de saldo em dívida custa cerca de 1,50% desse saldo: deixar €1.000 por pagar durante um mês sai por aproximadamente €15 de juros, e arrastá-los durante um ano inteiro andaria à volta de €180.
O exemplo mais revelador é o da prestação mínima. Imagine uma compra de €500, dentro do escalão em que a prestação fixa é de €30 por mês. Pagando esse mínimo e sem fazer novas compras, seriam precisos cerca de 20 meses a liquidar a dívida e cerca de €80 de juros pelo caminho — a compra de €500 acaba por custar perto de €580. É esta a matemática silenciosa do crédito revolving: a prestação baixa é confortável ao mês e cara ao ano.
Estes valores são cálculos nossos, simplificados a partir da TAN publicada; o montante real depende do saldo em cada data, do dia em que cada compra entra no ciclo e dos impostos aplicáveis, e deve ser confirmado junto do Crédito Agrícola. Falhar um pagamento acrescenta ainda outra camada: aos juros de mora, cobrados à TAN do contrato mais 3% ao ano, junta-se uma comissão de recuperação de 4% da prestação vencida, com um mínimo de €12,00 — numa prestação de €30, esse mínimo representa 40% do valor em falta.
A conclusão prática é simples: este cartão só é barato se nunca pagar juros. Use os 20 a 50 dias de crédito gratuito, liquide o saldo por inteiro, e o cartão custa-lhe zero. Comece a arrastar saldo e passa a estar no produto mais caro que a lei permite.
Benefícios
O benefício central é a ligação à Solução CA&Companhia: descontos e vantagens preferenciais nas lojas aderentes ao programa. Aqui, porém, é preciso ser franco com o leitor. O Crédito Agrícola não publica no site as percentagens de desconto, que variam de loja para loja, nem uma lista das lojas aderentes. Isso significa que não é possível calcular à partida quanto vale este benefício — e um comparador não deve fingir que consegue. Quem estiver a ponderar o cartão por causa dos descontos deve pedir ao balcão a lista de parceiros da sua região antes de decidir, porque a resposta a essa pergunta muda por completo o valor do produto.
Há benefícios mais concretos e verificáveis. Os 20 a 50 dias de crédito sem juros são reais e são o principal argumento financeiro do cartão. As compras em euros dentro do Espaço Económico Europeu são isentas de comissão e a conversão cambial é gratuita — dois pontos úteis para quem compra em lojas europeias. A flexibilidade de pagamento também está lá: prestações fixas por escalão, a partir de €30 por mês, e uma linha específica para fraccionar compras ou despesas especiais até 36 meses, mais transparente do que ir empurrando saldo revolving.
E o que este cartão não dá. Não tem programa de cashback. Não dá acesso a salas de espera de aeroporto. O banco não publica quaisquer seguros associados a este cartão, ao contrário do que faz nos cartões Classic, Clube A e Premier da mesma gama — se procura seguro de viagem ou proteção de compras, não conte com ele aqui sem confirmação escrita do banco. Quanto a pagamentos digitais, a ficha do produto refere o serviço MB NET gerado pela aplicação MB WAY, mas o Crédito Agrícola não publica informação sobre Apple Pay, Google Pay, cartão virtual ou pagamentos por aproximação neste cartão em concreto. Se essa for uma condição decisiva para si, confirme-a diretamente com o banco antes de aderir.
Requisitos
O Crédito Agrícola é discreto quanto aos critérios de aceitação, e isso é a norma na banca portuguesa. A Ficha de Informação Normalizada refere a existência de conta de depósito à ordem no banco, «caso exista», e exige rendimento regular comprovado, sem indicar qualquer valor mínimo. O banco não publica um rendimento mínimo para este cartão, e também não publica uma idade mínima. Não interprete essa ausência como facilidade: a decisão depende inteiramente da análise de solvabilidade feita pelo Crédito Agrícola, que pesa rendimento, encargos já existentes, histórico de crédito e relação com o banco.
O limite atribuído resulta dessa mesma análise e pode ficar em qualquer ponto entre €250 e €42.500. Na prática, um primeiro cartão tende a ficar na zona baixa da escala — o que, neste produto em particular, até é uma proteção contra a taxa de juro. Note ainda que a adesão não se faz online: é preciso contactar o banco ou dirigir-se a uma agência, e é nesse momento que deve pedir a Ficha de Informação Normalizada, o documento onde constam as condições que efetivamente lhe serão aplicadas.
Uma nota final sobre o que não encontrará escrito em lado nenhum: o Crédito Agrícola não divulga taxas de aprovação nem perfis-tipo de cliente aceite. Qualquer promessa de aprovação garantida que encontre associada a este cartão, venha de onde vier, não tem suporte na documentação do banco.
| Requisito | O que o emissor publica |
|---|---|
| Idade mínima | Não publicada pelo emissor |
| Rendimento mínimo | Não publicado; a aprovação depende da análise de risco |
| Rendimento regular | Exigido e comprovado |
| Conta à ordem | Conta de depósito à ordem no Crédito Agrícola, caso exista |
| Análise de crédito | Análise de solvabilidade e aprovação pelo Crédito Agrícola |
| Limite de crédito atribuível | €250 a €42.500 |
| Canal de adesão | Contacto com o banco ou agência (sem processo online) |
Pontos fortes e fracos
O que faz bem
- Isenção a sério. Comissão de disponibilização isenta no 1.º ano e em todos os anos seguintes, confirmada no preçário. Não é promoção de captação.
- Entrada baixa. Um limite a partir de €250 é raro e é exatamente o que deve procurar quem quer um cartão de crédito só como rede de segurança.
- Crédito gratuito de 20 a 50 dias para quem liquida o saldo por inteiro.
- Compras em euros no Espaço Económico Europeu isentas e conversão cambial gratuita.
- Pagamento fraccionado até 36 meses para despesas planeadas, mais transparente do que arrastar saldo.
O que faz mal
- Juros no teto legal. TAEG de 18,50% é o máximo permitido para cartões de crédito no 3.º trimestre de 2026. Não há forma de embelezar isto: em custo do dinheiro, este cartão está no topo do mercado.
- Benefício principal por quantificar. Vender um cartão com base em descontos sem publicar a lista de lojas nem as percentagens obriga o consumidor a decidir às escuras.
- Seguros por esclarecer. Que o banco detalhe seguros nos cartões Classic, Clube A e Premier e não o faça aqui é uma lacuna de informação, não um detalhe.
- Zona cinzenta digital. Sem informação publicada sobre Apple Pay, Google Pay, cartão virtual ou pagamentos por aproximação, em 2026, é pouco.
- Levantamentos caros e adesão sem canal online.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena: o pagador integral com raízes no Crédito Agrícola
É cliente do Crédito Agrícola, paga o saldo do cartão por inteiro todos os meses e quer um meio de pagamento que não lhe cobre nada por existir. Para este perfil, o CA&Companhia é praticamente gratuito: sem comissão de disponibilização, sem comissão mensal, com 20 a 50 dias de crédito sem juros e compras em euros isentas dentro do Espaço Económico Europeu. A TAEG de 18,50% é irrelevante para quem nunca a paga. Se por cima disso comprar habitualmente em lojas da Solução CA&Companhia, o cartão passa de neutro a positivo.
Vale a pena com cautela: quem quer um limite pequeno como almofada
Procura um cartão de crédito para emergências, não para financiar o mês. O limite mínimo de €250 é um travão útil: impede-o de acumular dívida grande e mantém a exposição controlada. Neste caso, peça deliberadamente um limite baixo, guarde o cartão para o que não estava previsto e liquide o saldo assim que puder. E antes de assinar, exija a lista de lojas aderentes da sua zona, para saber se o benefício comercial existe de facto para si.
Não vale a pena: quem tenciona pagar a prestações
Se a sua intenção é usar o cartão para diluir compras ao longo do tempo, este é o produto errado. Com uma TAEG no máximo legal, o CA&Companhia está entre as formas mais caras de financiar consumo em Portugal, e a prestação mínima de €30 disfarça a fatura total, como mostrámos: €500 a esse ritmo custam perto de €580. Quem precisa de crédito estruturado deve comparar um crédito pessoal com taxa negociada e prazo definido, ou procurar um cartão com TAEG mais baixa noutro emissor. E quem valoriza seguros de viagem, cashback ou salas de aeroporto deve olhar para outro segmento — este cartão não os oferece ou não os publica.
Como pedir
A adesão ao CA&Companhia não é feita por formulário online. O processo passa por contactar o Crédito Agrícola ou dirigir-se a uma agência da Caixa de Crédito Agrícola da sua zona. Toda a informação oficial do produto está na página do Cartão CA&Companhia no site do Crédito Agrícola.
Antes de assinar, faça o trabalho de casa. Peça a Ficha de Informação Normalizada e leia a TAEG aplicável ao seu limite, que pode não coincidir com o exemplo de €1.500 em 12 prestações usado pelo banco. Peça o Folheto de Comissões e Despesas e o Folheto de Taxas de Juro em vigor, para confirmar valores que possam ter mudado desde a publicação desta análise. Pergunte por escrito três coisas que o site não responde: que seguros, se algum, estão associados a este cartão; quais são as lojas aderentes à Solução CA&Companhia na sua região e que percentagens de desconto praticam; e se o cartão pode ser adicionado a carteiras digitais.
Peça também o limite que quer, e não o máximo que lhe oferecerem. Num cartão com esta taxa de juro, um limite menor é uma vantagem, não uma limitação. Por fim, confirme a data de vencimento do pagamento e programe o débito da totalidade do saldo — é essa instrução, e não o marketing do cartão, que determina se ele lhe sai grátis ou caro.
Conclusão editorial
O Cartão CA&Companhia é um produto honesto naquilo que anuncia e severo naquilo que não anuncia com o mesmo destaque. A isenção de comissão de disponibilização é real e permanente, o limite de entrada de €250 é dos mais acessíveis do mercado português, e o período de 20 a 50 dias sem juros é genuinamente útil para quem gere bem a tesouraria. Merece as 3 estrelas em 5 que lhe damos por isso.
O que nos impede de ir mais longe é a combinação de uma TAEG no limite máximo legal com um benefício central que o banco não quantifica. Um cartão que promete descontos deve dizer quais e onde; um cartão que empresta dinheiro a 18,50% deve ser recomendado apenas a quem não vai pedir dinheiro emprestado. É esse o nosso enquadramento: veja o CA&Companhia como um cartão de pagamento sem custo fixo, e não como uma linha de crédito. Usado assim, é uma escolha defensável, sobretudo para clientes do Crédito Agrícola. Usado ao contrário, é dos cartões mais caros que pode ter na carteira. Compare sempre com alternativas de TAEG inferior antes de decidir e confirme os valores no preçário em vigor à data da sua adesão.
Análise atualizada em agosto de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.