A ficha do cartão arruma o cashback de boas-vindas numa linha só: 3% de todas as compras durante os primeiros 12 meses, com o limite de 5 € por mês e um máximo de 60 € no primeiro ano. São três números, e é o do meio que manda em tudo. Um teto mensal transforma uma percentagem fixa num valor fixo a partir de certo nível de despesa, e daí para a frente cada euro adicional passado no cartão faz descer o retorno real. Esta peça faz essa aritmética: onde está o ponto de viragem, quanto vale o primeiro ano em euros e o que muda quando chega o 13.º mês.

Os 166,67 € que esgotam o teto

O ponto de viragem obtém-se dividindo o teto pela percentagem: 5 € a dividir por 3% dá 166,67 € de compras no mês. Até esse valor recebe mesmo 3% de tudo o que passa no cartão. A partir dele continua a receber 5 €, nem mais um cêntimo, e a percentagem que efetivamente leva para casa começa a cair.

Compras no mêsCashback creditadoRetorno efetivo
50 €1,50 €3,00%
100 €3,00 €3,00%
166,67 €5,00 €3,00%
250 €5,00 €2,00%
400 €5,00 €1,25%
600 €5,00 €0,83%
1.000 €5,00 €0,50%

A leitura prática é desconfortável para quem concentra despesa: quem passa 1.000 € por mês no cartão recebe exatamente o mesmo que quem passa 167 €. O esforço de canalizar o supermercado, os combustíveis e as contas da casa para este cartão deixa de ter retorno assim que o contador mensal chega aos 5 €. Quem já gasta acima de 167 € por mês não tem nada a ganhar em gastar mais — e quem gasta menos é que ainda tem espaço por aproveitar.

Repare também que o teto é mensal e não transita. Um mês de 60 € de compras rende 1,80 € e perde 3,20 € de espaço que não se recupera em janeiro nem em julho. Ao fim de doze meses, só chega aos 60 € anunciados quem tiver feito pelo menos 166,67 € de compras em cada um dos doze meses.

O 13.º mês, quando a percentagem passa a zero

O segundo número a reter é o prazo. O cashback aplica-se aos primeiros 12 meses e termina aí; a partir do 13.º mês não há qualquer recompensa sobre as compras do dia a dia, e também não existe programa de pontos a ocupar o lugar. O cartão continua sem comissão de disponibilização, mas a devolução deixa de existir.

Isso significa que os 60 € não são um rendimento anual: são um valor único, que convém diluir pelo período em que o cartão está, de facto, na carteira. A tabela seguinte espalha o mesmo máximo de 60 € por 24 meses de utilização.

Compras por mêsDevolvido no ano 1Devolvido no ano 2Retorno médio a 24 meses
167 €60 €0 €1,50%
300 €60 €0 €0,83%
500 €60 €0 €0,50%
1.000 €60 €0 €0,25%

Um cartão que devolve 0,25% em dois anos não é um cartão de cashback — é um cartão sem custo fixo que ofereceu um bónus de entrada. A distinção importa na hora de escolher: se a decisão assentar no número «3%», o segundo ano vai desiludir. Se assentar na ausência de custo fixo, o bónus é apenas um extra de arranque. Quem quiser o retrato inteiro das condições encontra-o na análise completa do Bankintercard Gold.

Fora do euro: 3% a receber e 2% a pagar

Há um sítio onde as duas percentagens do cartão se encontram. As transações em moeda estrangeira têm uma comissão de 2%, e o cashback de 3% incide sobre todas as compras — incluindo essas. Nos primeiros 12 meses, e enquanto o teto mensal não estiver esgotado, uma compra fora do euro pode sair com saldo positivo.

A tabela abaixo assume o caso mais favorável: a compra em moeda estrangeira é a única despesa do mês, pelo que tem o teto inteiro à disposição.

Compra em moeda estrangeiraComissão de 2%Cashback de 3%Saldo no ano 1Saldo no ano 2
50 €1,00 €1,50 €+0,50 €−1,00 €
100 €2,00 €3,00 €+1,00 €−2,00 €
166,67 €3,33 €5,00 €+1,67 €−3,33 €
300 €6,00 €5,00 € (teto)−1,00 €−6,00 €
500 €10,00 €5,00 € (teto)−5,00 €−10,00 €

O resultado tem uma fronteira clara, e é outra vez a dos 166,67 €: abaixo dela a devolução ultrapassa a comissão, acima dela o teto trava o cashback mas a comissão continua a correr sobre o valor inteiro. Numa semana no estrangeiro com 500 € de despesa, o primeiro ano custa 5 € líquidos; a mesma semana no ano seguinte custa 10 €. E se o mês já tiver despesa em euros suficiente para esgotar o teto, a compra fora do euro passa a custar 2% limpos desde o primeiro dia.

Como usar os doze meses em que o cashback existe

Da aritmética acima saem três decisões concretas, todas tomadas no início e não no fim.

Marcar a data. A vantagem tem prazo e o prazo conta-se a partir da adesão, não do ano civil. Vale a pena anotar o mês em que o cashback acaba, porque é a partir daí que faz sentido reavaliar se o cartão continua a ser o primeiro da carteira ou passa a ser o de reserva.

Não forçar despesa para apanhar o teto. Acima de 166,67 € no mês, a devolução está congelada. Antecipar compras ou concentrar pagamentos neste cartão não acrescenta um cêntimo. O movimento com retorno é o inverso: garantir que os meses mais fracos chegam perto dos 167 €, porque é aí que ainda há 3% por recolher.

Proteger os 5 € de quem os pode apagar. A comissão por atraso de pagamento é de 12 €, ou seja, dois meses e meio de teto cheio desfeitos numa única data falhada. Pelo mesmo motivo, deixar saldo por liquidar transforma rapidamente um bónus de 5 € num encargo maior: a TAN é de 18,00% e a TAEG é de 18,5%, que é o máximo que o Banco de Portugal permite no 3.º trimestre de 2026. E quanto ao adiantamento de numerário, o emissor não publica um valor que se possa dar por confirmado — a análise do cartão diz expressamente que as fontes divergem e que o montante tem de ser confirmado no preçário em vigor.

Resumo

  • 166,67 € por mês é o nível de compras que esgota o teto de 5 €. Abaixo disso recebe 3% reais; acima, o retorno efetivo cai e chega a 0,50% com 1.000 € mensais.
  • O teto é mensal e não transita. Só chega aos 60 € quem fizer 166,67 € de compras em cada um dos doze meses.
  • A partir do 13.º mês o retorno é zero e não há programa de pontos a substituí-lo. Diluídos por dois anos, os 60 € valem entre 1,50% e 0,25%, consoante o volume de compras.
  • Fora do euro, os 2% de comissão só ficam cobertos abaixo dos 166,67 € no mês e apenas durante o primeiro ano. Depois disso, cada compra em moeda estrangeira custa 2% limpos.
  • Uma comissão de mora de 12 € apaga dois meses e meio de teto cheio, e qualquer saldo por liquidar à TAEG de 18,5% apaga-o muito mais depressa.

Análise atualizada em outubro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.