O Cartão Gold do Banco Montepio tem uma comissão de disponibilização de 5,00 € por mês — 5,20 € com Imposto do Selo — mas essa mensalidade é isenta sempre que a utilização do cartão atingir 250 € nos 30 dias anteriores à cobrança. Não há estatuto a pedir nem fidelização: é uma conta que o banco refaz todos os meses, e que pode falhar num mês e acertar no seguinte.

A regra em números: 5,20 € por mês, ou zero

A anuidade do Cartão Gold é de 60 € por ano, mas não é cobrada de uma vez: o folheto divide-a em 12 mensalidades de 5,00 €, a que acresce Imposto do Selo de 4% — 5,20 € por cobrança. Um ano sem uma única isenção sai a 62,40 €.

Em cada uma dessas 12 datas, o banco soma a utilização do cartão nos 30 dias anteriores. Se o total for igual ou superior a 250 €, a mensalidade não é cobrada. A regra é binária: ou atinge o patamar e não paga nada nesse mês, ou fica em 249 € e paga a mensalidade inteira. Não há isenção parcial.

Traduzido para o dia a dia, 250 € em 30 dias são cerca de 8,30 € por dia — patamar que a maioria das famílias ultrapassa só com supermercado e combustível, desde que essas compras passem pelo cartão de crédito e não pelo de débito.

A janela são 30 dias, não o mês do calendário

É o pormenor que faz falhar mais isenções. O folheto não diz «250 € por mês»: diz 250 € nos 30 dias anteriores à cobrança. A janela é móvel: acompanha a data em que a mensalidade é lançada, não o dia 1. Se a cobrança cair no dia 10, conta o que gastou entre meados do mês anterior e esse dia 10 — não o que gastou «em setembro». E nos sete meses de 31 dias há sempre um dia de compras que fica de fora.

Um exemplo. A mensalidade é lançada a 10 de cada mês e as compras grandes caem no início do mês: gastou 300 € a 5 de março e mais nada até 20 de abril. A cobrança de 10 de março fica isenta, porque os 300 € caem dentro da sua janela. Mas a de 10 de abril conta a partir de 11 de março — e a compra de 5 de março ficou de fora. Mensalidade cobrada, apesar de ter gasto 300 € há cinco semanas.

Vale por isso a pena confirmar no extrato em que dia a mensalidade é lançada: é dessa data que se conta para trás.

O que conta como utilização — e o que o preçário não esclarece

Aqui é preciso ser franco: o folheto fixa o valor e a janela, mas não desdobra que operações entram na soma dos 250 €. Não diz se um levantamento a crédito conta como utilização, nem como são tratadas as compras anuladas. Antes de contar com uma operação que não seja uma compra corrente, confirme junto do banco.

Há, ainda assim, uma certeza que resolve a maior parte do problema: mesmo que contem, os atalhos custam mais do que a mensalidade que poupam.

  • Levantamento a crédito. O preçário cobra 4,50% mais 4,00 € por adiantamento de numerário: levantar 250 € custa 15,25 € em comissão, três vezes os 5,20 € que estaria a poupar.
  • Compras noutra moeda. Fora do euro (e das coroas suecas e leus romenos no EEE, que estão a 0%), a comissão de serviço é de 3,75%. Gastar 250 € noutra moeda só para chegar ao patamar custa 9,38 €, mais Imposto do Selo — quase o dobro do que poupa.
  • Fracionar compras em postos de combustível. Cada compra num posto de abastecimento tem uma comissão fixa de 0,50 €, em Portugal e no resto do mundo. Cinco abastecimentos pequenos num mês são 2,50 €, quase metade do que está a tentar evitar. Encha o depósito de uma vez.

O único caminho sem custo é o óbvio: passar para o cartão de crédito despesa que já tem — supermercado, combustível, telecomunicações, subscrições — e liquidar o saldo dentro do prazo, aproveitando os até 50 dias sem juros. Não é gastar mais; é gastar pelo mesmo sítio.

Requisito de concessão e requisito de isenção não são a mesma coisa

Para ter o cartão, o Banco Montepio exige conta à ordem no banco, à qual o cartão fica associado, aprovação da análise de crédito e o pedido feito ao balcão, no Net24 ou na aplicação. São requisitos de concessão.

Para não pagar a mensalidade é preciso uma coisa só: 250 € de utilização nos 30 dias anteriores a cada cobrança. É o requisito de isenção, e é a única condição de isenção que o folheto de comissões estabelece — não há isenção por domiciliação de ordenado nem por antiguidade de cliente.

Daqui saem duas conclusões. Ser cliente do Montepio e ter passado na análise de crédito não isenta nada: pode cumprir todos os requisitos de concessão e pagar na mesma 62,40 € por ano. E gastar 250 € por mês não lhe abre a porta ao cartão — sem conta no banco e sem aprovação de crédito, não há Gold nenhum para isentar.

A partir de que ponto o cartão deixa de compensar

O que pesa não é quanto gasta por ano, é como o gasto se distribui. Duas pessoas com 3.000 € de compras anuais podem ter custos muito diferentes: quem gasta 250 € todos os meses fica isento nos 12 meses; quem gasta 500 € em seis meses e nada nos outros seis paga 31,20 €. O mesmo dinheiro, um custo que aparece do nada.

Meses com isençãoMensalidades cobradasCusto no ano
1200,00 €
9315,60 €
6631,20 €
3946,80 €
01262,40 €

Há um limite que nunca se deve ultrapassar. Se, para chegar aos 250 €, tiver de deixar saldo por pagar, a conta inverte-se depressa: à TAN de 11%, basta arrastar cerca de 570 € durante um mês para os juros igualarem os 5,20 € que a isenção poupou. No exemplo representativo do preçário — 2.000 € a 12 meses — a TAEG é de 18,0%, perto do máximo de 18,5% que o Banco de Portugal fixou para o 3.º trimestre de 2026.

E há o caso em que a isenção deixa de ser a pergunta certa. Quem gasta 80 € por mês no cartão e não tenciona mudar isso vai pagar os 62,40 €, e o que interessa passa a ser saber se o cartão os vale. Aí entram os seguros de viagem e assistência, os até 50 dias sem juros e a comparação com o resto do mercado — matéria fora deste texto, tratada na análise completa do Cartão Gold Montepio.

Veredito: para quem a isenção é realista

A isenção do Cartão Gold Montepio é fácil de verificar: 250 € de utilização nos 30 dias antes de cada cobrança, sem estatutos nem produtos associados. Para quem já concentra as despesas correntes num cartão de crédito, cumpre-se sem esforço e transforma um cartão de 62,40 € por ano num cartão sem custo periódico.

Falha em dois cenários: quem usa o cartão de forma esporádica e quem concentra o gasto em poucos meses do ano. Aí a decisão deixa de ser sobre a isenção e passa a ser sobre o valor do cartão. E nunca compensa forçar compras — muito menos deixar saldo por pagar — para poupar 5,20 €.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.