O Cartão Oney Auchan+ devolve 3% em Conta Bónus, até 200 € por ano, e só em oito categorias de despesa. A resposta curta é esta: para esgotar o teto tem de gastar 6.666,67 € por ano nessas oito categorias, ou seja 555,56 € por mês. Abaixo disso recebe 3% de tudo o que passar pelo cartão; acima, o contador fica parado nos 200 € até ao ano seguinte.
Onde aterra o dinheiro: a Conta Bónus
O cashback não é um desconto na compra: é creditado na Conta Bónus, um acumulador que, segundo o emissor, recebe três coisas diferentes:
- Os 3% das oito categorias, com o teto de 200 € por ano. É a linha principal, e é sobre ela que se faz esta conta.
- As devoluções do programa «Toma Lá +5», de até 5%, também creditadas em Conta Bónus. O emissor não publica as condições de acesso, por isso não conte com elas como valor garantido.
- A oferta da comissão de pagamento de combustível nas gasolineiras Auchan, que não é cashback: é uma comissão que deixa de ser cobrada. Não soma um cêntimo ao teto de 200 €.
Há um limite ao que a informação publicada permite afirmar: fica estabelecido que a Conta Bónus acumula estes valores, mas as regras de utilização do saldo — onde se aplica, se tem validade — não constam da documentação. Confirme-as junto do Oney. E note que o teto de 200 € está indicado para os 3%: não fica estabelecido que o «Toma Lá +5» partilhe o mesmo limite.
As oito categorias que contam — e o que fica de fora
Os 3% aplicam-se a compras enquadradas em oito categorias:
- Alojamento
- Transportes
- Viagens
- Entretenimento
- Serviços
- Restaurantes
- Educação
- Telecomunicações
É uma lista de categorias, não de lojas, e daí saem duas consequências práticas.
A primeira é que tudo o que não caia numa das oito não devolve nada. E a lista não inclui alimentação nem supermercado: a compra semanal, a despesa mais óbvia num cartão com o nome Auchan, não é o que faz crescer os 3%. Quem contar com o cashback para a mercearia vai olhar para a Conta Bónus ao fim de três meses e achar que está avariada.
A segunda é que o emissor publica os nomes das categorias, mas não o critério com que classifica cada comerciante. A informação disponível não permite determinar se um ginásio entra em «Serviços», em «Entretenimento» ou em nenhuma delas — e «Serviços» é a etiqueta mais larga do conjunto. A forma prática de resolver isto é ver, no extrato e na Conta Bónus dos primeiros meses, o que foi bonificado.
A conta do teto: 6.666,67 € por ano
A aritmética é direta. Se a devolução é de 3% e o máximo anual são 200 €, o gasto que esgota o teto são 200 € a dividir por 0,03: 6.666,67 € por ano, ou 555,56 € por mês. E só conta o que for gasto nas oito categorias e pago com este cartão.
| Despesa mensal nas oito categorias | Despesa no ano | Cashback a 3% | Do teto de 200 € |
|---|---|---|---|
| 150 € | 1.800 € | 54 € | 27% |
| 300 € | 3.600 € | 108 € | 54% |
| 450 € | 5.400 € | 162 € | 81% |
| 555,56 € | 6.666,67 € | 200 € | 100% |
| 800 € | 9.600 € | 200 € (teto) | 100%, ao nono mês |
Repare na quarta linha: 555,56 € por mês só nestas oito rubricas é um patamar alto para a maioria dos orçamentos. Exige que a mensalidade das telecomunicações, as refeições fora, as deslocações e as férias passem por este cartão e por mais nenhum. Se dividir as despesas por dois cartões, só conta a parte que passa por aqui.
Gastar 6.666 € não é requisito de nada
É aqui que se costuma dar o passo em falso: os 6.666,67 € não são condição para lhe darem o cartão, nem para não pagar a anuidade. São só a conta do teto.
O requisito de concessão — o que é preciso para ter o cartão — é a aprovação de crédito pelo Oney Bank – Sucursal em Portugal (Banco de Portugal n.º 881), após análise de risco, e um rendimento regular comprovado, sem que o emissor publique um valor mínimo. A adesão faz-se online, na Área Cliente Oney ou numa loja Auchan, intermediário de crédito a título acessório com exclusividade (Banco de Portugal n.º 7952). O limite atribuído depende da análise e não é publicado.
O requisito de isenção — o que seria preciso cumprir para não pagar a comissão de disponibilização — não existe, porque não há nada de que escapar: o preçário indica «Grátis» como valor praticado no 1.º ano e nos anos seguintes, com máximos tabelados de 9,50 € e 5,00 €. Nenhum mínimo de compras «desbloqueia» a anuidade grátis: é a prática comercial do emissor.
Quando o teto chega antes do fim do ano
Esgotar o teto é sinal de que o cartão trabalhou, mas cria duas situações a antecipar. A primeira: assim que os créditos de 3% somam 200 €, as compras seguintes nas mesmas categorias continuam a custar o mesmo e deixam de devolver seja o que for. No cenário dos 800 € por mês isso acontece durante o nono mês, e a taxa efetiva do ano cai para 2,08% — 200 € sobre 9.600 € —, não os 3% do anúncio.
A segunda é a contagem do ano: a informação publicada não diz se é o ano civil ou se é contado a partir da adesão. Para quem receba o cartão a meio do ano a diferença é grande — seis meses para esgotar 6.666,67 €, ou doze. É uma pergunta de uma linha ao apoio ao cliente, e vale mais fazê-la agora do que em dezembro.
O juro apaga o cashback mais depressa do que ele se acumula
Nenhuma conta de cashback sobrevive ao juro, e aqui tudo depende da modalidade de pagamento. No Débito Diferido e no Fim do Mês a TAN é de 0,00%, e o Fim do Mês dá até 45 dias sem juros, com pagamento até ao dia 5 do mês seguinte. Na Conta Permanente, a TAN é de 17,60% e a TAEG de 18,4%, no exemplo representativo de 1.500 € de limite pago em 12 meses — colada ao máximo legal para cartões de crédito, que o Banco de Portugal fixou em 18,5% para o 3.º trimestre de 2026.
Traduzido em euros: manter 1.000 € em dívida durante um mês na Conta Permanente custa cerca de 14,67 € de juro, mais o Imposto do Selo de 4% sobre juros e encargos — 15,26 € no total. Ora, 15,26 € é o que os 3% devolvem em cerca de 509 € de compras nas categorias abrangidas. Um único mês com saldo em dívida come quase um mês inteiro de cashback bem dirigido.
O mesmo se passa fora do país: numa transação internacional de 200 €, a comissão de processamento é de 4,50% mais 3,90 € mais 1,70% — 16,30 € —, mais 1% de conversão de moeda estrangeira se a compra for noutra divisa. Os 3% devolvem 6,00 €. Mesmo numa categoria abrangida, o cashback não compensa.
O quadro completo — todas as comissões do preçário, as modalidades a prestações e os perfis a quem o cartão serve — está na análise completa do Cartão Oney Auchan+.
Veredito: um extra de até 200 €, não uma razão para gastar
Os 3% são reais e as oito categorias chegam para quem concentre neste cartão as telecomunicações, as refeições fora e as viagens. Mas é o teto que manda: o máximo que este cashback devolve são 200 € por ano, e só lá chega quem gaste 6.666,67 € nessas categorias. Um padrão mais comum, de 200 € a 300 € por mês nas rubricas abrangidas, dá entre 72 € e 108 € por ano. Como não há anuidade praticada, esse valor é ganho líquido — desde que pague em Fim do Mês ou Débito Diferido e nunca deixe saldo em dívida na Conta Permanente. Trate-o como um extra de um cartão que não custa nada, nunca como motivo para gastar mais.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
