No preçário do Cartão Caixa Pré-Pago há uma linha que resiste à leitura: os levantamentos fora do Espaço Económico Europeu custam «3,75€ + 0,60% + 2% + 1%». Quatro parcelas, três delas percentuais, nenhuma delas somada. Ninguém decide nada a olhar para isto. Este artigo faz a única coisa que falta — desdobra a fórmula, transforma-a em euros por montante levantado e responde à pergunta prática de quem vai viajar: levantar ou pagar com o cartão?

A fórmula desdobrada: uma parte fixa e 3,60%

As três percentagens aplicam-se todas ao mesmo montante, pelo que somam. 0,60% + 2% + 1% dá 3,60%. A parte fixa são os 3,75€ por operação. O custo de qualquer levantamento fora do EEE é, então:

3,75€ + 3,60% do montante levantado.

Duas consequências saltam à vista. Primeiro, existe um custo de entrada que não depende do valor: mesmo um levantamento simbólico custa 3,75€. Segundo, a percentagem é alta o suficiente para que levantar muito também não saia barato — não há um patamar a partir do qual a operação passe a ser indiferente.

Importa fixar o contrário, que é a boa notícia: dentro do EEE e em euros não há comissão de levantamento. Toda a aritmética que se segue só se aplica quando o leitor sai do Espaço Económico Europeu ou opera noutra moeda. Para uma semana em Espanha ou em França, este artigo não tem aplicação nenhuma.

O custo real, montante a montante

A tabela abaixo aplica a fórmula a seis valores típicos e acrescenta a coluna que decide tudo: a taxa efetiva, ou seja, quanto por cento do dinheiro levantado ficou no caminho.

Montante levantadoParte fixaParte percentual (3,60%)Custo totalTaxa efetiva
20€3,75€0,72€4,47€22,4%
50€3,75€1,80€5,55€11,1%
100€3,75€3,60€7,35€7,4%
200€3,75€7,20€10,95€5,5%
300€3,75€10,80€14,55€4,9%
500€3,75€18,00€21,75€4,4%

A taxa efetiva desce, mas nunca abaixo de 3,60% — é a assíntota da fórmula. E o extremo de cima é brutal: levantar 20€ numa caixa fora do EEE custa mais de um quinto do que se levantou. Note-se ainda o ponto de comparação doméstico: um único levantamento de 100€ nestas condições custa 7,35€, ou seja, mais de metade da comissão de disponibilização anual do cartão, que é de 12€ acrescidos de Imposto do Selo de 4% — 12,48€ no total do ano.

Levantar ou pagar com o cartão? Fora do EEE a resposta é sempre a mesma

Fora do EEE, as compras com o cartão suportam 3% (2% de comissão de serviço interbancário mais 1% de conversão cambial). O levantamento suporta 3,60% mais 3,75€. A comparação é, portanto, estruturalmente favorável ao pagamento com cartão — e a diferença não se anula em nenhum montante, porque o levantamento é pior nas duas parcelas ao mesmo tempo.

Despesa a cobrir fora do EEEPagar com o cartão (3%)Levantar o mesmo valorQuanto custa insistir no numerário
100€3,00€7,35€+4,35€
300€9,00€14,55€+5,55€
500€15,00€21,75€+6,75€

Não existe cruzamento: o cartão ganha em todos os valores. A única razão legítima para levantar é a impossibilidade de pagar de outra forma — mercados sem terminal, transportes locais, gorjetas. Nesse caso, a questão deixa de ser «levantar ou não» e passa a ser «quantas vezes», que é o tema seguinte.

Quantas vezes levanta pesa mais do que quanto levanta

Como os 3,75€ são cobrados por operação, repartir o mesmo montante por várias idas à caixa multiplica a parte fixa. A tabela mostra o custo de obter exatamente 300€ fora do EEE, variando apenas o número de levantamentos.

Como obtém os 300€Parte fixa totalParte percentual totalCusto totalTaxa efetiva
1 levantamento de 300€3,75€10,80€14,55€4,9%
2 levantamentos de 150€7,50€10,80€18,30€6,1%
3 levantamentos de 100€11,25€10,80€22,05€7,4%
6 levantamentos de 50€22,50€10,80€33,30€11,1%

A coluna percentual não se move — é sempre 10,80€ sobre os mesmos 300€. Todo o agravamento vem da parte fixa, que passa de 3,75€ para 22,50€. Seis levantamentos pequenos custam mais do dobro de um único levantamento do mesmo total. Vale a pena pôr isto ao lado da recarga, que é o lado do produto onde a flexibilidade existe: carregar o cartão em caixa automático, no Caixadirecta Online ou na app é simples e pode ser feito a qualquer momento, mas nenhuma dessas facilidades reduz o custo de tirar numerário fora do EEE — quem gere bem gere a frequência, não o saldo.

Há ainda um risco de percurso que agrava tudo isto: se o cartão se perder a meio da viagem, a substituição custa 15€ mais Imposto do Selo de 4%, ou seja 15,60€, e não existe versão virtual do cartão para servir de recurso enquanto o plástico não chega. Os limites de carregamento, os prazos de reposição e as condições de bloqueio estão descritos com o resto do preçário na análise completa do Cartão Caixa Pré-Pago da CGD.

Resumo: o que decidir antes de sair do EEE

Quatro conclusões que cabem num bilhete de avião:

  • Dentro do EEE e em euros, esqueça este artigo. Não há comissão de levantamento e o cartão comporta-se como qualquer outro.
  • Fora do EEE, a fórmula é 3,75€ + 3,60%. Some sempre as três percentagens antes de decidir; separadas parecem inofensivas.
  • Pague com o cartão sempre que houver terminal. Os 3% das compras batem os 3,60% mais 3,75€ do numerário em todos os montantes, sem exceção.
  • Se tiver mesmo de levantar, levante uma vez só. Repartir 300€ por seis operações leva o custo de 14,55€ para 33,30€ — o valor sobe sem que se receba um euro a mais.

Sendo um pré-pago, este cartão não concede crédito: gasta-se o que está carregado e não há nada a reembolsar depois. Isso elimina uma classe inteira de riscos, mas não elimina os encargos de utilização — que, nesta rubrica em concreto, são dos mais pesados do produto. Quem viaja com regularidade fora do EEE deve fazer a conta antes de partir, porque é a única altura em que ainda é possível mudar de instrumento.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.