O ABANCA Silver é o cartão de crédito de entrada do ABANCA Portugal e o produto que ocupou o lugar do antigo ABANCA Classic, descontinuado. Não cobra comissão de disponibilização a nenhum titular, não cobra a substituição do cartão e inclui um seguro sem custo. Em troca, não tem cashback, não tem programa de pontos e o preçário classifica-o como cartão de crédito sem período de free float. O nosso veredito, numa frase: é um cartão sólido para quem paga tudo no fim do mês e caro para quem não paga.
O que é este cartão
O ABANCA Silver é emitido pelo ABANCA Portugal, S.A., instituição registada no Banco de Portugal sob o número 170 e na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários sob o número 135. É um cartão da rede Visa, de categoria clássica, e ocupa o escalão de entrada da gama de crédito do banco.
O posicionamento percebe-se melhor olhando para o que o rodeia. Na lista «Cartões de Crédito disponíveis no ABANCA», o Silver aparece sem qualquer ressalva, ao lado do ABANCA Classic e do ABANCA Gold, ambos assinalados como descontinuados. A página do Classic é explícita: o cartão já não se encontra em comercialização e as condições apresentadas destinam-se apenas aos atuais utilizadores. Essa frase não existe na página do Silver, e nas duas partes do preçário em vigor a linha «ABANCA Silver» também não tem a marca de fora de comercialização. É, portanto, o cartão de entrada que o banco vende hoje.
A proposta é simples e pouco comum no mercado português: custo fixo nenhum. A comissão de disponibilização é de 0 € para o primeiro titular e para os restantes, no primeiro ano e nos seguintes, e a substituição do cartão também não tem comissão — é o único cartão de crédito do ABANCA em que isso acontece. Inclui um seguro sem custo, funciona com Apple Pay e Google Pay, tem limite de crédito a partir de 500 € e uma TAEG de 15,7%. É um cartão de utilidade, não de estatuto: não há salas de espera de aeroporto, não há milhas e não há devolução de dinheiro sobre as compras.
Custos reais
O encargo periódico chama-se, no preçário, comissão de disponibilização — é o que no dia a dia se chama anuidade. No ABANCA Silver é de 0 €, e esse zero tem fonte: o Folheto de Comissões e Despesas do preçário fixa 0,00 € no primeiro ano e nos anos seguintes, tanto para o primeiro titular como para os outros titulares da conta. Não existe comissão mensal — o preçário só prevê a comissão de disponibilização, devida na emissão e nos aniversários do cartão. A substituição do cartão custa igualmente 0 €, contra os 10 € cobrados nas linhas do Classic e do Gold.
Onde o cartão custa dinheiro é no uso. As compras dentro do Espaço Económico Europeu em euros, coroas suecas e leus romenos não pagam comissão, mas fora desse perímetro pagam 1,7% em euros e 2,7% noutras moedas. Há ainda um pormenor que passa despercebido e pesa em quem conduz muito: cada compra em gasolineiras custa mais 0,50 €, valor que acresce à comissão de compras.
Os levantamentos a crédito são a operação mais cara deste cartão, como quase sempre. Mesmo num multibanco em Portugal, um levantamento a crédito paga 1,50 € mais 3,33% do montante, e ao balcão sobe para 2,50 € mais 3,33%. Fora do EEE somam-se ainda as percentagens de câmbio. Sobre todas estas comissões incide Imposto do Selo de 4%.
| Custo | Valor |
|---|---|
| Comissão de disponibilização (anuidade), 1.º titular | 0 € no 1.º ano e nos anos seguintes |
| Comissão de disponibilização, restantes titulares | 0 € no 1.º ano e nos anos seguintes |
| Comissão mensal | 0 € — não existe no preçário |
| Substituição do cartão | 0 € |
| Compras no EEE em euros, coroas suecas e leus romenos | Sem comissão |
| Compras em euros fora do EEE | 1,7% |
| Compras noutras moedas fora do EEE | 2,7% |
| Compras em gasolineiras | 0,50 € por compra, que acrescem à comissão de compras |
| Levantamento a crédito no EEE (euros, coroas suecas, leus romenos) | 1,50 € + 3,33% em ATM; 2,50 € + 3,33% ao balcão |
| Levantamento a crédito em euros no resto do mundo | 2,50 € + 3,33% + 1,7% em ATM; 3,50 € + 3,33% + 1,7% ao balcão |
| Levantamento a crédito noutras moedas no resto do mundo | 2,50 € + 3,33% + 2,7% em ATM; 3,50 € + 3,33% + 2,7% ao balcão |
| Transferência do limite de crédito para a conta à ordem | 2,50 € + 3,33% |
| Comissão de abertura do fracionamento — compras | 1% a 3 meses; 2% a 6; 3% a 9; 3,5% a 10; 4% a 12 meses |
| Comissão de abertura — levantamentos e transferências | 4,00% a 3 meses; 4,50% a 6; 5,50% a 9 e 10; 6,00% a 12 meses (mínimo 4 €) |
| Recuperação de valores em dívida | 4,00% da prestação vencida e não paga, mínimo 12 € e máximo 150 € |
| Sobretaxa de mora (mora superior a 60 dias) | 3,00% a acrescer à taxa de juro remuneratória |
| Imposto do Selo | 4% sobre comissões e juros; 0,141% por mês sobre o saldo médio mensal de crédito utilizado |
Juros e o custo de não pagar tudo
A TAEG do ABANCA Silver é de 15,7%. A TAN não é um número único: o preçário fixa-a entre 11,000% e 12,500%, consoante o cliente. Para referência, o Banco de Portugal fixou em 18,5% o máximo de TAEG para cartões de crédito no 3.º trimestre de 2026 — este cartão fica claramente abaixo do teto legal, mas não é dos mais baratos do mercado.
O exemplo representativo do Folheto de Taxas de Juro calcula essa TAEG com a TAN na ponta alta, 12,500%, para um limite máximo de crédito de 1.500 € reembolsado em 12 prestações mensais iguais de capital acrescido de juros, incluindo 4,06 € de Imposto do Selo sobre juros e 13,75 € sobre a concessão de crédito. Como o imposto sobre juros é de 4%, esses 4,06 € correspondem a cerca de 101,50 € de juros nessa simulação.
O que é o free float e o que muda não o ter
O free float é o período entre a data da compra e a data-limite de pagamento durante o qual o banco não cobra juros. É por causa dele que um cartão de crédito usado com disciplina funciona como um adiantamento gratuito de algumas semanas: compra-se hoje, paga-se dentro de um mês e não se paga um cêntimo por esse prazo. Os cartões que o oferecem anunciam-no em número de dias.
O ABANCA Silver não anuncia nenhum. O Folheto de Taxas de Juro em vigor agrupa-o sob o cabeçalho «Cartão de crédito sem período de free float — Taxa fixa», e a Ficha de Informação Normalizada repete a classificação: «Categoria: Cartão de Crédito sem período de free float». É uma diferença de fundo em relação ao ABANCA Classic descontinuado, que anunciava 20 a 50 dias de crédito sem juros.
Na prática, traduz-se assim. O cartão tem três formas de pagamento e o cliente escolhe a de cada transação, até ao fecho do extrato, na aplicação do ABANCA. Na modalidade Fim do Mês, as transações são pagas a 100% na data escolhida e não vencem juros. Na modalidade Prestação Fixa Mensal — pelo menos 2% do limite de crédito, com o mínimo de 30 € — há juros desde o primeiro dia de utilização do limite de crédito. E há o fracionamento a 3, 6, 9, 10 ou 12 meses sem juros, mas com comissão de abertura. O que se perde não é a possibilidade de não pagar juros: é a garantia contratual de um período de graça anunciado. Quem deixa saldo em dívida na prestação fixa começa a pagar juros a contar da data da compra, e não a partir do fim de um período de cortesia.
Um cálculo simples ajuda a dimensionar. Com 1.000 € de compras à TAN de 12,500%, o juro diário ronda os 0,34 € — cerca de 10 € ao fim de 30 dias. A esse valor acrescem 4% de Imposto do Selo sobre os juros e 0,141% por mês sobre o saldo médio mensal de crédito utilizado, o que empurra o custo para pouco mais de 12 € nesse primeiro mês. É uma estimativa nossa, com saldo constante e TAN na ponta alta do intervalo; o valor real depende da data de cada transação, da modalidade escolhida e da TAN atribuída a cada cliente.
Falhar um pagamento sai bem mais caro. A comissão de recuperação de valores em dívida é de 4,00% da prestação vencida e não paga, com um mínimo de 12 € e um máximo de 150 €, e se a mora se prolongar por mais de 60 dias acresce uma sobretaxa de mora de 3,00% à taxa de juro remuneratória.
Benefícios
O principal benefício é a ausência de custo fixo, e não convém subestimá-la. Onde a maioria dos cartões cobra anuidade a partir do segundo ano, ou a isenta mediante um volume mínimo de compras, o ABANCA Silver não cobra nada — nem ao titular principal, nem aos titulares adicionais, nem no primeiro ano, nem nos seguintes. Se ficar na gaveta um ano inteiro, não custa nada tê-lo.
A seguir vem o seguro, totalmente gratuito, com três coberturas: furto ou roubo, uso fraudulento do cartão e assistência em viagens. É um pacote básico — não é um seguro de viagem completo, com cancelamento e bagagem —, mas é raro encontrá-lo sem qualquer encargo num cartão de entrada. As condições e os capitais de cada cobertura devem ser confirmados junto do emissor antes de contar com eles.
A flexibilidade de pagamento é o terceiro ponto a favor. Poder decidir, transação a transação e até ao fecho do extrato, se aquela compra é paga por inteiro no fim do mês, fracionada a 3, 6, 9, 10 ou 12 meses sem juros, ou incluída na prestação fixa mensal, é um controlo que muitos cartões não dão. Atenção, porém, ao que «sem juros» significa aqui: o fracionamento não cobra juros, mas cobra comissão de abertura, que vai de 1% a 4% consoante o prazo. Não é gratuito, é apenas contabilizado de outra maneira. Não há comissão de reembolso antecipado. É também possível transferir parte do limite de crédito para a conta à ordem associada, embora essa operação custe 2,50 € mais 3,33%.
E o que o cartão não dá: não tem cashback, não tem programa de pontos, milhas ou recompensas, e não dá acesso a salas de espera de aeroporto. Em pagamentos digitais, o banco publica compatibilidade com Apple Pay e Google Pay. Quanto a tecnologia contactless, cartão virtual e MB WAY, o ABANCA não indica nada na página do produto nem na Ficha de Informação Normalizada deste cartão — quem dependa de alguma destas funcionalidades deve confirmá-las diretamente com o banco antes de pedir.
Requisitos
Este é um cartão associado a conta: o ABANCA disponibiliza-o aos titulares de conta de depósito à ordem no ABANCA Portugal, e ele aparece agregado a vários packs de conta que o banco comercializa, entre eles a Conta New Life, a Conta Value, a Conta Smart, a Conta Life, a Conta Futuro e a Conta ABANCA Internacional. Quem ainda não é cliente terá de abrir conta primeiro.
Como é regra na banca portuguesa, o ABANCA não publica rendimento mínimo para este cartão — não o indica na página do produto, nem na Ficha de Informação Normalizada, nem no preçário. A aprovação depende da análise de risco do banco, feita caso a caso. Também não é publicada idade mínima nem limite máximo de crédito; o que está publicado é o limite mínimo, de 500 €.
| Requisito | Condição |
|---|---|
| Rendimento mínimo | O ABANCA não publica valor; a aprovação depende da análise de risco |
| Idade mínima | Não publicada pelo emissor |
| Conta bancária | Conta de depósito à ordem no ABANCA Portugal |
| Limite de crédito mínimo | 500 € |
| Limite de crédito máximo | Não publicado pelo emissor |
| Aprovação | Análise de crédito pelo ABANCA Portugal, S.A. |
| Canal de adesão | Agência ABANCA ou telefone 21 000 13 00; sem formulário online para este cartão |
Pontos fortes e fracos
O ABANCA Silver acerta onde mais dói no orçamento de quem usa pouco o crédito: o custo de posse. Zero de anuidade para todos os titulares, zero na substituição do cartão, zero de comissão mensal e compras sem comissão dentro do EEE em euros. Junte-se o seguro sem custo e a flexibilidade de escolher a forma de pagamento de cada transação, e o produto justifica-se por si.
Os pontos fracos são igualmente claros e, na nossa leitura, mais graves do que o marketing do cartão deixa transparecer. O primeiro é a ausência de free float publicado: um cartão de crédito que não anuncia dias de crédito gratuito perde parte da razão de ser face a um cartão de débito, sobretudo para quem contava usar o prazo de pagamento como folga de tesouraria. O segundo é a total ausência de retorno — sem cashback e sem pontos, o cartão nunca devolve nada de quanto se gasta com ele. O terceiro é a TAEG de 15,7%, que não é escandalosa mas também não é competitiva num escalão de entrada. O quarto é o processo de adesão: não há pedido online direto, é preciso deslocar-se a uma agência ou telefonar, o que em 2026 é um atrito difícil de justificar. E há os pormenores que só aparecem no preçário: os 0,50 € por abastecimento em gasolineiras e as comissões de abertura do fracionamento, que transformam o «sem juros» numa expressão a ler com atenção.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena para quem já é cliente ABANCA e paga tudo no fim do mês. Este é o perfil desenhado à medida do cartão. Quem tem conta no banco, usa o cartão para as despesas correntes e liquida o saldo por inteiro na modalidade Fim do Mês fica com um meio de pagamento que não custa literalmente nada por ano, com seguro incluído e com a possibilidade de fracionar uma compra maior quando for preciso. Para este cliente, a ausência de cashback é o único custo real — e é um custo de oportunidade, não uma despesa.
Vale a pena, com reservas, para quem quer um segundo cartão para viagens dentro da Europa. As compras no EEE em euros, coroas suecas e leus romenos não pagam comissão e o seguro cobre furto, uso fraudulento e assistência em viagens. Fora do EEE, porém, entram os 1,7% e os 2,7% e o cartão deixa de ser interessante. Quem viaja regularmente fora da Europa encontra alternativas melhores.
Não vale a pena para quem costuma deixar saldo em dívida. É aqui que a ausência de free float se torna cara: sem período de graça anunciado, quem passa para a prestação fixa mensal paga juros desde o primeiro dia de utilização, a uma TAN que pode chegar a 12,500%, com Imposto do Selo por cima. Somando a comissão de recuperação de valores em dívida em caso de atraso — 4% da prestação, com mínimo de 12 € —, é um cartão que castiga o incumprimento com dureza. Também não vale a pena para quem escolhe cartão pelo retorno: se o objetivo é acumular milhas, pontos ou cashback, este cartão não tem nada a oferecer. E não serve a quem quer resolver tudo pelo telemóvel: sem conta no ABANCA e sem adesão online, o caminho até ao cartão passa obrigatoriamente por uma agência ou por uma chamada telefónica.
Como pedir
O pedido do ABANCA Silver não se faz online. O banco indica dois caminhos: dirigir-se a uma agência ABANCA ou telefonar para o 21 000 13 00. Quem ainda não é cliente tem de abrir primeiro conta de depósito à ordem no ABANCA Portugal — o site do banco tem um percurso próprio para abertura de conta — e o cartão vem depois associado à conta, incluindo aos packs que o banco comercializa.
Antes de avançar, vale a pena ter três coisas em mãos. Primeiro, a Ficha de Informação Normalizada do cartão, que o banco é obrigado a entregar antes da contratação e onde estão as condições de crédito, as modalidades de pagamento e os juros de mora. Segundo, o preçário em vigor, para conferir as comissões de operações que planeia usar — sobretudo levantamentos a crédito e fracionamentos. Terceiro, uma pergunta concreta a fazer ao balcão: qual a TAN que lhe é atribuída, dentro do intervalo de 11,000% a 12,500%, e qual o limite de crédito aprovado no seu caso.
As condições completas e atualizadas estão na página oficial do emissor: Cartão de Crédito ABANCA Silver no site do ABANCA.
Conclusão editorial
O ABANCA Silver é um cartão honesto naquilo a que se propõe e limitado no resto. Damos-lhe 3,4 em 5. A pontuação premia uma coisa que quase não existe no mercado português — custo fixo verdadeiramente nulo, para todos os titulares, com substituição gratuita e seguro incluído — e penaliza três: a classificação oficial de cartão sem período de free float, a ausência total de cashback ou pontos, e um processo de adesão que obriga a ir a uma agência ou telefonar.
A nossa recomendação divide-se, portanto, pela disciplina de quem o usa. Para quem paga o extrato por inteiro todos os meses, é um bom cartão e não há razão para pagar anuidade noutro sítio por um serviço equivalente. Para quem usa o cartão como crédito, é um produto a evitar: sem período de graça anunciado, os juros começam a contar cedo e a fatura de não pagar tudo cresce depressa. Antes de assinar, confirme a TAN que lhe atribuem e leia a Ficha de Informação Normalizada — é aí que estão os números que decidem se este cartão lhe serve.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
