O Cartão de Crédito FC Porto bankintercard é o cartão de crédito de adepto da marca bankintercard, hoje emitido pelo Bankinter: sem anuidade, TAN de 18,00% e TAEG de 18,5% no exemplo representativo, com descontos nas lojas do clube, um voucher para a camisola principal e dois seguros de viagem. Não exige mudar de banco — paga-se por débito direto na conta que já se tem. O nosso veredito, numa frase: é um bom cartão de adepto para quem paga o extrato por inteiro e compra na FC Porto Store, e um cartão de crédito caro para quem usa o crédito, porque o custo do dinheiro está exatamente no máximo que a lei permite.

O que é este cartão

O FC Porto bankintercard pertence à família bankintercard — a marca de cartões de crédito que nasceu no Bankinter Consumer Finance e que, desde a fusão concretizada a 1 de julho de 2026, é emitida diretamente pelo Bankinter, S.A. – Sucursal em Portugal, registado no Banco de Portugal com o código 269. É um cartão Visa e partilha a Ficha de Informação Normalizada, datada de 1 de julho de 2026, com os irmãos da marca: o bankintercard Gold, o MAPFRE bankintercard, o Vodafone bankintercard e o Toys“R”Us bankintercard.

A FIN classifica-o como «cartão de crédito com período de free float»: quem paga o extrato por inteiro até à data limite não paga juros sobre as compras. O limite de crédito vai até 6.000 €, atribuído pelo banco com base na análise das condições financeiras do titular. E há uma característica que o distingue dos cartões de crédito dos bancos tradicionais: não é preciso abrir conta. O cartão domicilia-se na conta habitual do cliente, em qualquer banco, e o pagamento mensal é feito por débito direto.

O que o torna «de adepto» é o pacote de vantagens ligado ao clube: 10% de desconto nas FC Porto Stores, 5% no Tour do Museu e Estádio, a oferta de uma mensalidade da quota de sócio e um voucher para a camisola do equipamento principal 25/26, entregue após utilização em compras nos dois primeiros meses. Para quem não é adepto, sobra um cartão de crédito sem anuidade com dois seguros de viagem — e uma TAEG no limite.

Custos reais

Os custos deste cartão estão em três documentos oficiais: a página do produto, a FIN de julho de 2026 e a secção 3 do preçário do Bankinter, em vigor desde 1 de agosto de 2026, que trata os bankintercard em colunas próprias. O quadro cruza os três.

ConceitoCusto publicado
Comissão de disponibilização (anuidade), 1.º ano e seguintesIsenta — «sem anuidade»
MensalidadeNão tem
Substituição do cartãoIsenta
Inibição do cartãoIsenta
Adiantamento de numerário a crédito em ATM (EEE, em euros)3,90 € + 4,50% do valor, acresce Imposto do Selo
Transferência de fundos para a conta à ordem2,99 € + 3,99% do valor, acresce Imposto do Selo (isenção possível, ver abaixo)
Compras no EEE em eurosIsento
Compras no EEE noutras moedas1,7% (taxa de processamento internacional)
Compras fora do EEE em euros1% (taxa de conversão)
Compras fora do EEE noutras moedas1,7% + 1%
Comissão de recuperação de valores em dívida4% da prestação vencida, mínimo 12 €, máximo 150 €
Excesso do limite de crédito20 €
Limite de créditoAté 6.000 €, atribuído após análise

A ausência de anuidade é real e sem condições: não há gasto mínimo, não há isenção «por utilização», e o preçário confirma o isento no primeiro ano e nos seguintes. É o que faz deste cartão um custo fixo de zero para quem o usa como meio de pagamento.

Os custos variáveis merecem mais atenção. Levantar dinheiro a crédito custa 3,90 € mais 4,50% do valor: em 200 € são 12,90 €, mais Imposto do Selo, antes de qualquer juro. A transferência de fundos — o serviço que passa dinheiro do limite do cartão para a conta à ordem em 24 horas úteis — custa 2,99 € mais 3,99%, embora o preçário preveja que o banco possa isentá-la a clientes com menos de seis meses de cartão, a quem pagou menos de 100% do extrato no mês anterior ou em campanhas. Repare no que isso significa: a isenção da comissão está desenhada para quem já está a usar o crédito.

Há ainda o Imposto do Selo sobre a utilização do crédito, que a FIN discrimina: 0,141% por mês sobre o saldo utilizado. Quem deve 1.000 € durante um mês paga 1,41 € de imposto, independentemente dos juros. Nas compras fracionadas, o imposto é apurado de uma vez: o número de meses vezes 0,141% para prazos inferiores a 12 meses, ou 1,76% do montante a partir de 12 meses.

Juros e o custo de não pagar tudo

A TAN é de 18,00%, fixa, e o exemplo representativo da FIN é claro: para 1.500 € reembolsados em 12 prestações mensais constantes de capital, acrescidas de juros e encargos, a TAEG é de 18,5% — juros de 123,75 € e encargos de 16,58 € no ano. Esse 18,5% é o máximo que o Banco de Portugal fixou para os cartões de crédito no terceiro trimestre de 2026. Ou seja: este cartão cobra pelo crédito exatamente o que a lei deixa cobrar, nem mais nem menos.

Um aviso sobre a página do produto. O cabeçalho anuncia os 18,5%, mas a nota de rodapé ainda mostra números antigos: 18,8% de custo efetivo, com uma taxa nominal de 18,33%. São valores de um trimestre anterior, que a FIN de 1 de julho de 2026 substituiu. Os números que valem são os da FIN — e são também os do bankintercard Gold, que partilha o mesmo documento.

O mecanismo de pagamento define o custo real. Todos os meses o titular escolhe pagar entre 2% e 100% do saldo em dívida, com um mínimo de 15 € (e, independentemente da percentagem, nunca menos de 0,5% do capital). Quem paga 100% usa o cartão como meio de pagamento e não paga juros. Quem escolhe 2% transforma-o numa linha de crédito ao consumo à taxa máxima legal.

Faça-se a conta com números redondos. Uma dívida de 1.500 € à TAN de 18,00% gera cerca de 22,50 € de juros por mês. Se o titular pagar apenas os 2% — 30 € —, três quartos da prestação vão para juros e o capital desce 7,50 €. A esse ritmo, e sem novas compras, a dívida demora décadas a liquidar. O pagamento mínimo de 2% é um dos mais baixos do mercado português, e é por isso mesmo o mais perigoso: é um direito contratual, não uma recomendação.

A FIN prevê ainda as modalidades de compras e transferências fracionadas, com TAN própria comunicada quando o serviço é disponibilizado e que o banco garante nunca ser superior à TAN do contrato.

O que custa falhar um pagamento

Em caso de incumprimento, os juros de mora são calculados à taxa contratual acrescida de uma sobretaxa de 3%, sobre o capital em mora e pelo tempo da mora, com Imposto do Selo de 4% sobre os juros. Junta-se a comissão de recuperação de valores em dívida: 4% de cada prestação vencida e não paga, com um mínimo de 12 € e um máximo de 150 €, cobrada uma única vez por prestação. Se o saldo ultrapassar o limite atribuído, o preçário prevê uma comissão de excesso de limite de 20 €. E, como em qualquer cartão, a mora é comunicada à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal.

Benefícios

É aqui que o cartão se justifica — para quem é adepto.

  • 10% de desconto nas FC Porto Stores, nas compras pagas com o cartão, excluindo a Revista Dragões. Quem gasta 300 € por época em merchandising poupa 30 €.
  • 5% de desconto no Tour FC Porto Museu e Estádio.
  • Oferta de uma mensalidade da quota anual de sócio.
  • Voucher para a camisola do equipamento principal 25/26, após utilização em compras nos dois primeiros meses. O voucher é válido por dois meses, troca-se apenas na FC Porto Store, está limitado ao stock e exclui a camisola Elite. É uma oferta de boas-vindas, não um benefício permanente.
  • Cashback de 2% nas compras efetuadas e pagas parcialmente com o cartão, no máximo de 5 € por mês. Leia com atenção: o cashback aplica-se às compras pagas parcialmente — isto é, quando o titular deixa parte do saldo em dívida e paga juros. Cinco euros de cashback contra 18% de TAN não é um negócio; é um incentivo a usar o crédito.
  • Seguro de acidentes pessoais (MAPFRE), gratuito, até 500.000 € em caso de morte ou invalidez, e seguro de assistência em viagem (Linea Directa), gratuito, ambos ativados quando a viagem é paga com o cartão.
  • Contactless sem PIN abaixo de 50 €, Apple Pay — disponível para todos os cartões de crédito bankintercard — e MB Way, para compras, pagamentos e cartões virtuais. Google Pay não é referido nas páginas oficiais.
  • Pagamentos no Multibanco: pagamentos de serviços e ao Estado na rede de caixas automáticas.

Não há programa de pontos, não há acesso a salas VIP e o banco não publica número de dias sem juros. Não afirmamos o que não está escrito.

Requisitos

A página do produto lista os documentos e as condições; o resto é decisão de crédito.

  • Ter pelo menos 18 anos.
  • Documento de identificação, comprovativo de IBAN, comprovativo de rendimentos (recibos de vencimento dos últimos dois meses ou IRS com a nota de liquidação) e comprovativo de morada (fatura de água, eletricidade, gás ou comunicações).
  • Não é necessário ter conta no Bankinter: o pagamento é debitado na conta habitual, em qualquer banco.
  • Sujeito a decisão de crédito; o limite, até 6.000 €, é atribuído com base na análise das condições financeiras do titular.

O banco não publica rendimento mínimo, limite mínimo nem prazo de decisão. A adesão faz-se online em três passos — começar, personalizar e assinar digitalmente —, com envio dos documentos pelo computador ou pelo telemóvel.

Pontos fortes e fracos

A favor:

  • Sem anuidade, sem condições, e sem obrigar a mudar de banco.
  • Free float: quem paga o extrato por inteiro não paga juros.
  • Substituição e inibição do cartão isentas; compras no EEE em euros sem comissão.
  • Dois seguros de viagem incluídos, com capital de 500.000 € no de acidentes pessoais.
  • Descontos concretos para adeptos: 10% nas lojas do clube, 5% no museu, uma mensalidade de quota e o voucher da camisola.

Contra:

  • TAN de 18,00% e TAEG de 18,5%: o crédito custa o máximo legal do trimestre.
  • O pagamento mínimo de 2% alonga a dívida quase indefinidamente; o cashback de 2% só existe para quem paga parcialmente.
  • Levantar dinheiro custa 3,90 € + 4,50%; a transferência de fundos, 2,99 € + 3,99%, com uma isenção pensada para quem usa o crédito.
  • Fora do EEE, 1% de conversão e, noutras moedas, mais 1,7%: 2,7% no total.
  • Limite máximo de 6.000 €; sem pontos, sem salas VIP; a nota de rodapé da página ainda mostra valores desatualizados.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Vale a pena para o adepto do FC Porto que quer um cartão de crédito sem custo fixo, compra na FC Porto Store com regularidade, é sócio e paga o extrato por inteiro todos os meses. Nesse cenário o cartão custa zero, devolve 10% nas compras do clube, oferece uma mensalidade de quota e ainda traz dois seguros de viagem — um pacote que nenhum cartão «neutro» dá a um adepto.

Não vale a pena para quem não é adepto — o bankintercard Gold, da mesma família, tem a mesma FIN e um cashback de 3% nos primeiros 12 meses sem depender do clube —, nem para quem viaja muito fora da zona euro, nem, sobretudo, para quem conta usar o crédito: à taxa máxima legal, com pagamento mínimo de 2% e um cashback que premeia pagar parcialmente, este é um cartão para pagar a horas ou para não ter.

Como pedir

O pedido faz-se online na página oficial do Cartão de Crédito FC Porto bankintercard, pelo botão «Aderir online», em três passos: iniciar o pedido com alguns dados pessoais, completar os dados pessoais, profissionais e financeiros e personalizar as condições, e assinar digitalmente enviando os documentos. Há uma linha de apoio (224 91 00 10, dias úteis das 10h às 21h) e a possibilidade de retomar uma proposta a meio. Antes de assinar, leia a FIN e o preçário — os dois estão na página de Informação a Clientes do bankintercard — e confirme o limite atribuído.

Conclusão editorial

O FC Porto bankintercard é um cartão que sabe para quem é. Damos-lhe 3,5 em 5. A pontuação premia a anuidade zero sem condições, a adesão sem mudar de banco, os dois seguros de viagem e um pacote de adepto com descontos reais; penaliza a TAEG no teto legal, o pagamento mínimo de 2%, um cashback que só existe para quem paga juros e os encargos de levantamento e transferência. É a mesma família do bankintercard Gold, com a mesma FIN e o mesmo preçário — a diferença é o emblema. Para o adepto que paga o extrato por inteiro, os 10% na FC Porto Store e a quota oferecida pagam-se sozinhos; para todos os outros, é um cartão de crédito à taxa máxima com um dragão na frente.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base na página do produto, na FIN de 1 de julho de 2026 e no preçário publicado pelo emissor, e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.