Free float é o período em que o banco adianta o dinheiro de uma compra e não cobra juros por isso: conta do dia da compra até ao dia em que se paga o extrato. O Cartão de Crédito ABANCA Silver não tem esse período — o preçário classifica-o com estas palavras, «cartão de crédito sem período de free float». Não quer dizer juros sempre: quer dizer que, aqui, não pagar juros depende por inteiro da modalidade de pagamento que escolher.
O que é o free float, em português corrente
Num cartão de crédito, quem paga ao comerciante no momento da compra é o banco. Fica por definir quando é que esse dinheiro lhe é devolvido — e se, nesse intervalo, corre juro. O free float é o nome que a banca dá ao intervalo em que não corre: as compras somam-se ao longo de um ciclo, normalmente um mês, o extrato fecha, e há depois um prazo até à data-limite de pagamento. Quem liquidar a totalidade dentro desse prazo não paga um cêntimo de juros.
É por isso que o free float se anuncia como um intervalo de dias, e não como um número fixo: uma compra feita no dia seguinte ao fecho do extrato apanha o ciclo inteiro mais o prazo de pagamento; uma feita na véspera do fecho apanha só o prazo. O antigo ABANCA Classic, hoje descontinuado, anunciava «20 a 50 dias de crédito sem juros».
E convém arrumar uma confusão comum: free float não é um desconto nem o mesmo que pagar a prestações sem juros. Apenas adia o pagamento sem custo.
Onde está escrito que o Silver não tem
Não é leitura nas entrelinhas: é a categoria formal do produto. No Folheto de Taxas de Juro do preçário do ABANCA, em vigor desde 4 de agosto de 2026, a linha do Silver está sob o cabeçalho «Cartão de crédito sem período de free float – Taxa fixa», e o ponto B.1.2 da Ficha de Informação Normalizada repete-o. Este zero é um zero publicado, não um dado em falta.
As três modalidades de pagamento, e onde entram os juros
O Silver deixa escolher, transação a transação e até ao fecho do extrato, como é que cada compra vai ser paga. A escolha faz-se na aplicação do banco.
- Fim do mês. A transação é paga a 100% na data escolhida, sem juros.
- Prestação fixa mensal. Paga-se todos os meses uma prestação de, pelo menos, 2% do limite de crédito, com o mínimo de 30 €. Aqui há juros desde o primeiro dia de utilização do limite de crédito.
- Fracionamento a 3, 6, 9, 10 ou 12 meses. Sem juros, mas com comissão de abertura: 1% a 3 meses, 2% a 6, 3% a 9, 3,5% a 10 e 4% a 12 meses, com um mínimo de 4 € em qualquer prazo.
A taxa da segunda modalidade não é única: o preçário fixa a TAN entre 11,000% e 12,500%, consoante o cliente. A TAEG publicada é de 15,7%, calculada com uma TAN de 12,500% para um limite de 1.500 € reembolsado em 12 prestações — abaixo do máximo de 18,5% fixado pelo Banco de Portugal para o 3.º trimestre de 2026.
É aqui que a etiqueta pesa. Num cartão com free float há um intervalo inicial sem juros, aconteça o que acontecer a seguir. Neste não há: ou se paga tudo no fim do mês, e não há juros nenhuns, ou se entra na prestação fixa, e o relógio começa no dia da utilização.
Uma compra de 600 €, nas três modalidades
Tome-se uma compra de 600 €, num cartão com limite de 1.500 €, sem outras compras pelo meio e com a TAN de 12,500% do exemplo representativo do preçário.
| Modalidade | Como se paga | Custo do crédito |
|---|---|---|
| Fim do mês | 600 € na data de pagamento | 0 € |
| Prestação fixa mensal | cerca de 23 prestações de 30 € | cerca de 76 € de juros |
| Fracionar a 6 meses | 6 prestações de 100 € | 12 € de comissão de abertura |
| Fracionar a 12 meses | 12 prestações de 50 € | 24 € de comissão de abertura |
Abra-se a segunda linha. Num limite de 1.500 €, a prestação mínima de 2% dá 30 € por mês. Do primeiro pagamento, 6,25 € são juros e apenas 23,75 € abatem à dívida. Mês a mês, os 600 € levam cerca de 23 meses a ficar saldados e custam perto de 76 € de juros, mais o Imposto do Selo de 4% sobre eles. Fracionar a mesma compra a 6 meses custa 12 € de comissão de abertura e 0,48 € de imposto: seis vezes menos, para a mesma dívida e o mesmo cartão. Há ainda o Imposto do Selo de 0,141% por mês sobre o saldo médio mensal de crédito utilizado, que penaliza quem arrasta saldo.
E o cenário mau: falhar uma prestação custa 4,00% do valor vencido, com o mínimo de 12 € — num falhanço de 30 €, isso são 40%. Se a mora passar dos 60 dias, acresce 3,00% à taxa de juro remuneratória.
O que o free float nunca cobriria: levantamentos
O free float, quando existe, é um conceito de compras. No Silver, tirar dinheiro do cartão tem um custo imediato, independente da modalidade que escolher a seguir: o levantamento a crédito em ATM dentro do Espaço Económico Europeu, em euros, coroas suecas ou leus romenos, custa 1,50 € + 3,33%, e ao balcão 2,50 € + 3,33%. Fora do EEE acrescem 1,7% em euros e 2,7% noutras moedas. Transferir parte do limite para a conta à ordem custa 2,50 € + 3,33%, e sobre todas estas comissões acresce Imposto do Selo de 4%.
Em números: levantar 200 € num ATM dentro do EEE custa 1,50 € mais 6,66 €, ou seja 8,16 €, e mais 0,33 € de imposto — 8,49 €, ou 4,2% do valor levantado, antes de qualquer juro.
Sem free float não quer dizer cartão caro
Convém não confundir as duas coisas. O Silver não tem período de crédito gratuito publicado, mas também não tem custo fixo: a comissão de disponibilização — a anuidade, no termo corrente — é de 0 € para o primeiro titular e para os restantes, no primeiro ano e nos seguintes, e a substituição do cartão também é gratuita.
E este zero não é uma isenção: não há domiciliação de ordenado nem valor mínimo de compras para o merecer. O que existe são condições para ter o cartão, coisa diferente — conta à ordem no ABANCA, aprovação de crédito, pedido numa agência ou pelo 21 000 13 00, e um limite a partir de 500 €. Quem paga sempre no fim do mês e não faz levantamentos a crédito pode usar este cartão sem lhe custar nada. Para o quadro completo — comissões, seguros e perfis a quem compensa — leia a análise completa do Cartão de Crédito ABANCA Silver.
Veredito: a quem é que a falta de free float pesa mesmo
A ausência de free float não é um defeito para toda a gente. Quem liquida tudo no fim do mês não sente diferença nenhuma: paga a 100% na data escolhida, sem juros e com anuidade a 0 €. Pesa a quem usa o cartão para esticar o mês, porque a prestação fixa cobra juros desde o primeiro dia — cerca de 76 € numa dívida de 600 € arrastada por 23 meses, quando fracionar a mesma compra a 6 meses custaria 12 €. A regra é simples: se tiver de dividir uma despesa, fracione antes do fecho do extrato, nunca use a prestação fixa. Análise atualizada em setembro de 2026 com base no preçário publicado pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
