A página oficial do Cartão de Crédito Banco CTT já não fala em cashback, mas há comparadores que continuam a anunciar os 2% como se a campanha estivesse viva. Entre o que era e o que é há uma pergunta que ninguém responde com números: quanto valiam, em euros, esses 2% para quem usava o cartão todos os meses? Esta peça faz a conta — por nível de despesa, pelas categorias que a campanha cobria e pelo tempo já decorrido desde que terminou — para que quem chega hoje ao cartão saiba exatamente o tamanho do que não vai encontrar lá dentro.

Os 2% nunca foram sobre tudo

É o primeiro erro de quem faz a conta de cabeça: multiplicar a despesa total do cartão por 2%. A campanha que terminou a 28 de fevereiro de 2025 aplicava-se a um conjunto fechado de categorias — supermercados, restaurantes, mobilidade, plataformas de delivery e Lojas CTT. Tudo o que estivesse fora disso não contava.

Isso muda a base de cálculo de forma decisiva. Uma pessoa que passasse 700 € por mês no cartão, mas cujas compras elegíveis fossem 250 €, não recebia 14 € — recebia 5 €. A distância entre as duas leituras explica boa parte da frustração de quem procurava o cartão pela campanha e depois não reconhecia os valores creditados.

Para esta análise, portanto, a variável que interessa não é a despesa mensal no cartão. É a despesa mensal nas categorias elegíveis. Tudo o que se segue parte daí.

Quanto valiam por mês e por ano

Com a base certa, a aritmética é imediata: 2% do que passasse nas categorias abrangidas, mês a mês.

Despesa mensal em categorias elegíveisRetorno a 2% por mêsRetorno a 2% por ano
100 €2,00 €24,00 €
200 €4,00 €48,00 €
300 €6,00 €72,00 €
400 €8,00 €96,00 €
500 €10,00 €120,00 €

A leitura honesta desta tabela é que o benefício era real mas modesto para o utilizador típico. Uma família que gastasse 300 € por mês em supermercado e restaurantes recebia 72 € ao fim de um ano — o equivalente a uma ida grande ao hipermercado, não a uma mudança de vida. Só a partir dos 400 € mensais em categorias elegíveis é que o retorno anual passava a três dígitos.

Convém dizer também o que a campanha não tinha: o material do emissor que analisámos não publica qualquer teto mensal ou anual de cashback para este cartão, pelo que não afirmamos que existisse um. Quem quiser o retrato completo das condições hoje em vigor — anuidade, prazo de pagamento, limites e requisitos — encontra-o na análise completa do Cartão de Crédito Banco CTT.

A conta do tempo já decorrido

A campanha terminou a 28 de fevereiro de 2025. Até setembro de 2026 passaram-se 19 meses completos sem qualquer retorno sobre as compras, e sem que nenhum programa de pontos, milhas ou devolução tenha ocupado o lugar deixado vago.

O valor acumulado dessa ausência é o número que raramente aparece escrito:

Despesa mensal em categorias elegíveis19 meses a 2%Equivalente aproximado
100 €38,00 €pouco mais de um mês de despesa elegível
200 €76,00 €cerca de duas semanas de supermercado
300 €114,00 €sensivelmente um mês de mobilidade urbana
400 €152,00 €acima de um terço de uma despesa mensal elegível média
500 €190,00 €quase dois meses de despesa elegível

Nada disto significa que o titular tenha perdido dinheiro: significa que deixou de ganhar. É uma distinção importante, porque o cartão não passou a custar mais — continua sem anuidade e sem mensalidade. O que mudou foi o lado direito da balança, que ficou vazio.

O que sobra quando se retira o cashback da equação

Retirada a campanha, o cartão fica reduzido a duas propostas: custo fixo nulo e prazo de pagamento alargado. Para quem o usa como meio de pagamento e liquida o extrato até à data-limite, isso continua a ser um bom negócio — zero continua a ser zero, e um cartão que não cobra nada por existir tem lugar em qualquer carteira.

Para quem o escolheu pelo retorno, porém, desapareceu o contrapeso das comissões variáveis. É aqui que a ausência de cashback deixa de ser abstrata e passa a doer em situações concretas:

OperaçãoComissão publicadaNuma operação de 300 €Meses de cashback que antes a anulariam (250 € elegíveis/mês)
Adiantamento de numerário em ATM3% (mínimo 3 €)9,00 €1,8 meses
Transação em moeda estrangeira2%6,00 €1,2 meses
Penalização por atraso de pagamento12 € (valor fixo)12,00 €2,4 meses
Substituição de cartão por perda ou roubo10 € (valor fixo)10,00 €2,0 meses

A última coluna é o ponto desta peça. Antes de março de 2025, um levantamento pontual de 300 € era absorvido por menos de dois meses de compras elegíveis. Hoje não é absorvido por nada: é um custo líquido. Um único atraso de pagamento custa 12 € que, na prática, o cartão já não tem como devolver ao longo do ano.

É também por isso que a disciplina passou a valer mais do que valia. Num cartão com retorno, alguma imperfeição no uso saía diluída; num cartão sem retorno, cada comissão fica inteira no extrato.

Em resumo

Três números para levar desta análise. Primeiro: os 2% valiam entre 24 € e 120 € por ano para despesas elegíveis entre 100 € e 500 € mensais — útil, mas longe de decisivo. Segundo: nos 19 meses decorridos desde 28 de fevereiro de 2025, essa ausência somou entre 38 € e 190 €, consoante o perfil de gasto. Terceiro: sem cashback, cada comissão variável passou a ser um custo líquido, sem nada do outro lado para a compensar.

A conclusão prática divide-se em duas. Quem quer um cartão de crédito de custo de posse nulo, para ter disponível e pagar sempre a 100%, continua a ter aqui um produto competente — e deve confirmar as condições atuais na ficha detalhada deste cartão no Ibericash antes de decidir. Quem procurava especificamente o retorno de 2% deve saber que essa razão deixou de existir há mais de ano e meio, e que qualquer comparador que ainda a anuncie está a descrever um cartão que já não está à venda.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.