Quem procura um cartão de mesada costuma decidir pela comissão anual e pela idade mínima. No BPI Cash, porém, o número que mais condiciona o uso real do cartão não é nenhum desses: é o teto de carregamento de 5.000€ por ano e por cliente, que soma todos os cartões pré-pagos da mesma pessoa. Esse limite decide quanto pode entregar por mês, a quantos filhos, e a partir de que ponto o cartão deixa de chegar. Aqui está essa aritmética, feita em três tabelas.

O teto anual traduzido em mesada mensal

Cinco mil euros por ano dividem-se por doze meses. A conta é banal e mesmo assim quase ninguém a faz antes de aderir, porque o limite está escrito em euros por ano e a mesada pensa-se em euros por mês. A tabela mostra, para cada valor mensal, quanto do teto fica consumido ao fim de um ano completo e quanta margem sobra para carregamentos extraordinários — uma viagem de finalistas, material escolar, uma emergência.

Mesada mensalTotal carregado em 12 mesesCabe no teto de 5.000€?Margem restante no ano
50€600€Sim4.400€
100€1.200€Sim3.800€
150€1.800€Sim3.200€
200€2.400€Sim2.600€
300€3.600€Sim1.400€
400€4.800€Sim, quase no limite200€
500€6.000€Não: excede em 1.000€Sem margem

Para uma mesada de adolescente, o teto é confortável: até aos 300€ mensais sobra mais de mil euros de folga para o que não estava previsto. O problema aparece quando alguém tenta usar o cartão para outra coisa — despesas domésticas, por exemplo, ou uma verba de estudante deslocado que inclua parte da renda. Aos 400€ por mês, o ano fecha com 200€ de margem, o que significa que um único carregamento extraordinário deixa o cartão sem saldo possível até janeiro.

Há ainda um limite diário a considerar, de 1.000€ por carregamento e por dia. Para uma mesada não incomoda, mas impede que se carregue de uma vez a verba de um trimestre inteiro acima desse valor.

Com dois ou três filhos, o teto divide-se

Este é o ponto que apanha as famílias de surpresa. O limite de 5.000€ é por cliente, não por cartão. Um pai ou uma mãe que peça um segundo cartão para outro filho não recebe um segundo teto: reparte o mesmo pelos dois. A consequência prática é uma mesada máxima que encolhe à medida que os cartões aumentam.

Cartões pré-pagos no mesmo clienteVerba anual disponível por cartãoMesada mensal máxima por cartão
15.000€416€
22.500€208€
31.667€138€
41.250€104€

Com dois filhos, 208€ por mês a cada um ainda é uma mesada sólida. Com três, os 138€ mensais já são apertados para quem tenha idades diferentes e despesas desiguais — e a repartição não tem de ser igual, note-se: o teto é conjunto, pelo que se pode dar mais a um e menos a outro, desde que a soma anual não ultrapasse os 5.000€.

A alternativa óbvia, quando o teto não chega, é repartir os cartões por dois titulares diferentes do agregado, cada um com o seu teto. Isso obriga a que ambos sejam clientes com conta à ordem no BPI, o que já é condição de acesso ao cartão. Antes de contar com essa solução, confirme ao balcão como é feita a contagem no seu caso concreto.

Quanto custa, em percentagem, cada euro entregue

O custo fixo do cartão é sempre o mesmo, independentemente do dinheiro que passe por ele. Isso significa que o peso relativo do custo depende inteiramente da mesada: a mesma comissão de disponibilização é cara numa mesada pequena e quase irrelevante numa grande. A tabela usa 11,44€, que é a comissão anual de 11€ já com os 4% de Imposto do Selo sobre as comissões.

Mesada mensalTotal carregado no anoCusto anual do cartãoPeso sobre o valor entregue
50€600€11,44€1,91%
100€1.200€11,44€0,95%
150€1.800€11,44€0,64%
200€2.400€11,44€0,48%
300€3.600€11,44€0,32%
400€4.800€11,44€0,24%

Numa mesada de 50€, o cartão leva quase 2% de tudo o que lá passa — o equivalente a ficar com dois meses e meio de uma semanada. Numa mesada de 200€, o custo dilui-se para menos de meio por cento, valor que dificilmente pesa numa decisão. A conclusão é contraintuitiva e útil: este cartão é proporcionalmente mais caro para quem lhe dá menos dinheiro.

Ao primeiro ano aplica-se outra conta. A comissão de disponibilização não é cobrada nesse ano, mas há a comissão de emissão de 9,50€, que com imposto dá 9,88€. Numa mesada de 100€, isso representa 0,82% do ano inaugural — ligeiramente abaixo do que virá a custar a partir do segundo ano. A ficha com a tabela de comissões completa, os limites de carregamento e as condições de acesso está na análise completa do Cartão BPI Cash.

Fechar o cartão também tem preço

A última parcela desta conta é a que ninguém prevê, porque só acontece no fim. Quando a mesada deixa de fazer sentido — o filho faz dezoito anos, abre conta própria, sai de casa —, sobra quase sempre saldo no cartão. E aí entram duas comissões.

Pedir de volta o saldo custa 3€, isento se o pedido de reembolso for feito até um ano após o termo do contrato. Deixar o dinheiro lá dentro depois do cancelamento custa 10€ por ano de manutenção de saldo expirado. Traduzido: um saldo de 25€ esquecido no cartão perde 40% do seu valor num ano e desaparece por completo em dois anos e meio. Um saldo de 8€ nem chega a compensar os 3€ do pedido de reembolso feito fora do prazo de isenção.

A regra prática que daqui sai é simples e vale a pena escrevê-la no calendário: gastar o saldo até ao fim antes de cancelar, ou pedir o reembolso dentro do primeiro ano após o termo do contrato, quando é gratuito. Um cartão de mesada que acaba bem é um cartão que acaba a zero.

Resumo dos números que decidem

O teto de 5.000€ por ano e por cliente dá para uma mesada até cerca de 416€ mensais num único cartão, e reparte-se por todos os cartões pré-pagos do mesmo titular — 208€ por cartão com dois, 138€ com três. Para mesadas de adolescente, sobra folga; para verbas de estudante deslocado, o limite aperta.

O custo fixo pesa ao contrário do que se espera: quase 2% numa mesada de 50€ e menos de meio por cento numa de 200€. E o fim do contrato tem preço próprio, com 3€ para reaver o saldo fora do prazo de isenção e 10€ por ano sobre o dinheiro esquecido depois do cancelamento. Quem entra com estes três números na cabeça — teto anual, peso do custo fixo, custo de sair — usa o cartão pelo que ele é: uma verba fechada, entregue com controlo, dentro de limites que convém conhecer antes e não depois.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.