Veredicto em 30 segundos
O Cartão de Crédito GO!, do Millennium BCP, ganha este duelo por seis dimensões a duas contra o Cartão de Crédito ActivoBank. Ganha onde mais dói ao bolso: nos juros — TAEG de 15,5% contra 17,9% — e no fracionamento, onde é o único a publicar uma taxa.
Perde onde o adversário é imbatível: o ActivoBank publica 0% de comissão na Zona Euro/UE/EEE em euros, enquanto o GO! publica 3% de comissão de serviço internacional e só a zera se o cliente pagar a Solução M Travel à parte. Traduzido: se o cartão vai viver em Portugal, escolha o GO!; se atravessa a fronteira várias vezes por ano, o ActivoBank sai mais barato sem comprar nada por fora.
Porque é este o adversário, e não o Cetelem, o Cofidis ou o WiZink
Comparar o GO! com um premium de 300€ de anuidade seria fácil e inútil. O adversário tinha de partilhar quatro coisas: anuidade zero, perfil de entrada, estar ativo e ser emitido por um banco — não por uma financeira nem por uma cadeia de retalho. Sobra um nome: o Cartão de Crédito ActivoBank. Quem caiu pelo caminho:
- Cetelem Black Plus e Cofidis — 500€ de rendimento mínimo publicado e cashback. Um cartão que devolve dinheiro e outro que não devolve não se medem pela mesma régua.
- Banco CTT — 500€ de rendimento mínimo e pedido presencial em loja.
- WiZink Rewards e Flex — 25 anos de idade mínima; o GO! aceita aos 18.
- Universo+ — grupo Sonae, TAN de 18%, ligado ao Cartão Continente: fidelização de retalho.
O ActivoBank passa em tudo: Visa, Classic, 0€ de anuidade e de mensalidade, 18 anos, sem cashback e sem pontos. Sem prémios a toldar a vista, o duelo reduz-se ao essencial. E a nossa ficha descreve-o como o banco digital do Millennium BCP: é um duelo dentro de casa.
O confronto, dimensão a dimensão
1. Custo de posse — vence o GO!, no desempate
Em euros é empate perfeito: 0€ de anuidade nos dois, no primeiro ano e nos seguintes, 0€ de mensalidade, e 15,00€ de segunda via de cada lado com 4% de Imposto do Selo declarado por ambos — 15,60€ certinhos.
Quando o preço é igual, o desempate vem do que cada banco entrega por esse zero. O GO! abre um envelope de 190€ a 25.000€; o ActivoBank, de 250€ a 15.000€: 60€ a menos na porta de entrada e 10.000€ a mais no tecto. Ponto para o GO!
2. Custo do crédito: TAN e TAEG — vence o GO!
Aqui não há empate. O GO! pratica TAN de 15% e TAEG de 15,5%; o ActivoBank, 17,4% e 17,9%. São exatamente 2,4 pontos percentuais em ambos os indicadores.
No 3.º trimestre de 2026 o Banco de Portugal baixou a TAEG máxima dos cartões de crédito de 19% para 18,5%. O GO! fica 3 pontos abaixo desse tecto; o ActivoBank, a 0,6 pontos — encostado ao limite legal.
Aplicando a TAEG a um saldo mantido um ano: 1.000€ em dívida custam 155€ no GO! contra 179€ no ActivoBank; 3.000€ custam 465€ contra 537€, 72€ de diferença. É a despesa que se repete enquanto houver saldo. Ponto para o GO!
3. Fracionamento — vence o GO!, por ausência de adversário
É a dimensão mais desequilibrada das oito. O Millennium publica uma TAN promocional de 9,5% a 11% no fracionamento do GO!. O ActivoBank não publica taxa nenhuma — e um comparador não inventa o que o banco não diz.
Fracionar no mínimo da promoção sai a 9,5% em vez dos 15% da TAN normal: 5,5 pontos abaixo da taxa do próprio cartão e 7,9 pontos abaixo dos 17,4% do ActivoBank. Numa compra de 1.200€ mantida um ano, o juro nominal seria de 114€ contra 208,80€ — 94,80€ de diferença, a maior separação do duelo. A ressalva é honesta: a taxa é promocional, não vitalícia. Ponto para o GO!
4. Taxas em viagem e moeda estrangeira — vence o ActivoBank
A primeira vitória do lado azul, e é clara. As duas tabelas dizem coisas bem diferentes:
| Cartão de Crédito GO! (Millennium BCP)Cartão de Crédito ActivoBank | |
| 3% de comissão de serviço internacional, sem repartição por zonas geográficas | 0% na Zona Euro/UE/EEE em euros, coroas suecas e leus romenos; 3,85% nas restantes moedas e países |
| Isenção só com a Solução M Travel, opcional, desde 4,99€/30 dias | Isenção já incluída na tabela, sem produto adicional |
Quem gasta 1.000€ em euros numa viagem a Espanha tem, por escrito, 0€ de comissão no ActivoBank. No GO!, se os 3% incidirem, são 30€, e a única forma publicada de os anular é a M Travel, que a 4,99€/30 dias transforma esses 30€ em 4,99€: melhor do que 30€, pior do que zero.
Fora do EEE e noutras moedas inverte-se — os 3% do GO! ficam abaixo dos 3,85% do ActivoBank, 30€ contra 38,50€ em 1.000€. Mas Espanha, França, Itália e Alemanha são zona euro: o caso frequente ganha ao caso raro. Ponto para o ActivoBank.
5. Levantamentos a crédito e comissões de mora — vence o GO!
Dentro do EEE cobram exatamente o mesmo por um adiantamento de numerário: 4,00€ + 4% da operação. Num levantamento de 500€ são 24,00€ em qualquer deles (o Millennium acrescenta expressamente 4% de Imposto do Selo sobre a comissão, mais 0,96€). Fora do EEE separam-se: o GO! acrescenta 3%, o ActivoBank 3,85%. Nos mesmos 500€, 15,00€ contra 19,25€ — a operação fica em 39,00€ contra 43,25€, 4,25€ de diferença de cada vez.
Na comissão de recuperação de valores em dívida a estrutura é idêntica: 12€ abaixo de 300€ de prestação, 4% (máx. 150€) a partir daí. Muda a redação — o Millennium diz que acresce Imposto do Selo de 4%, levando os 12€ a 12,48€ no papel; o ActivoBank não o menciona. Seja diferença real ou de apresentação, 0,48€ não desfazem os 4,25€ do levantamento. Ponto para o GO!
6. Extras: seguros e recompensas — vence o ActivoBank, por pouco
Nenhum oferece nada de graça. O GO! tem a lista de seguros vazia, sem cashback direto e sem pontos. O ActivoBank também não tem cashback, mas tem duas coisas que faltam ao GO!: promoções pontuais com parceiros e um seguro com nome e preço afixado — o Activo Viagem, a 3,99€/30 dias, 9,99€/90 dias ou 34,99€/ano.
Contra a M Travel, desde 4,99€/30 dias, o Activo Viagem é 1,00€ mais barato nos 30 dias e tem opção anual por 34,99€ — doze períodos de M Travel custariam 59,88€. São produtos com fins diferentes, mas quem procura um extra encontra mais oferta do lado azul. Ponto para o ActivoBank, ainda que estreito.
7. Canais, carteiras digitais e app — vence o GO!
Este ponto exige rigor. No GO! estão confirmados Apple Pay, Google Pay e MB WAY, e o cartão é 100% gerido pela app Millennium GO!. No ActivoBank só o Apple Pay está confirmado: o Google Pay e o MB WAY constam da ficha sem fonte confirmada, pelo que não os damos como garantidos — tal como o contactless e o cartão virtual do GO!, fora da conta pela mesma razão.
Contando só o confirmado, são três carteiras contra uma. O ActivoBank responde com apoio ao cliente 24/7, mas a própria ficha assume que não tem balcões físicos. Ponto para o GO!
8. Quem aprova mais facilmente — vence o GO!
Ambos aceitam maiores de 18 anos e pedem comprovativo de rendimento. A diferença está numa linha da ficha do ActivoBank: entre os requisitos está ter conta ActivoBank. Não é pedir um cartão — é abrir conta noutro banco antes de chegar à análise de risco.
O GO! não lista exigência equivalente: pede maioridade, aprovação da análise de risco e avisa que poderão ser pedidos os três últimos recibos de vencimento e o código de validação do IRS. A formulação condicional, mais o limite de entrada de 190€ contra 250€, aponta para uma porta mais larga. Ponto para o GO!
Placar final
| DimensãoVencedor | |
| Custo de posse | GO! — empate em euros, desempate nos limites |
| Custo do crédito | GO! — TAN 15% e TAEG 15,5% contra 17,4% e 17,9% |
| Fracionamento | GO! — TAN promocional de 9,5% a 11%; o outro não publica |
| Viagem e moeda estrangeira | ActivoBank — 0% no EEE em euros, sem produto à parte |
| Levantamentos e mora | GO! — iguais no EEE, 0,85 pontos mais barato lá fora |
| Extras | ActivoBank — seguro com preço afixado e parcerias |
| Canais e carteiras digitais | GO! — três carteiras confirmadas contra uma |
| Aprovação | GO! — o ActivoBank exige conta própria |
Resultado: GO! 6 — ActivoBank 2.
O desempate por perfil
Um placar de 6–2 não faz do GO! o cartão certo para toda a gente. As exceções:
- Viaja três ou mais vezes por ano na zona euro? ActivoBank. Os 0% publicados valem mais do que os 2,4 pontos de TAEG — desde que pague sempre a fatura por inteiro.
- Fica com saldo em dívida de um mês para o outro? GO!, sem hesitar. É aqui que os 2,4 pontos saem da conta todos os meses.
- Vai fracionar uma compra grande? GO!, o único com taxa publicada.
- Primeiro cartão, aos 18 ou 19 anos? GO!. Limite mínimo de 190€ e sem obrigação de abrir conta noutro banco.
- Já é cliente ActivoBank? ActivoBank. O maior obstáculo está ultrapassado, e mudar de banco não se paga com 24€ por ano de juros.
O que nenhum dos dois publica
Nenhum destes cartões publica rendimento mínimo: a ficha do ActivoBank diz apenas «rendimento regular comprovado» e o Millennium não divulga valor algum. No mesmo catálogo, o Cetelem Black Plus, o Cofidis e o Banco CTT indicam preto no branco os 500€ mensais — aqui, só se descobre se cumpre depois de pedir. E nenhum anuncia um período de dias sem juros, quando o Banco CTT publica até 50 dias e o Cofidis até 45.
Conclusão
O GO! ganha porque é mais barato onde um cartão de crédito custa dinheiro a sério: juros e fracionamento. O ActivoBank ganha onde o GO! cobra uma comissão que só se anula pagando outro produto: no estrangeiro. Antes de decidir, leia a nossa análise completa do Cartão de Crédito GO!, com os custos reais e os requisitos detalhados. E se o seu caso for o do viajante frequente, comece pela ficha do Cartão de Crédito ActivoBank — pode bem ser que os 2,4 pontos de TAEG que paga a mais nunca cheguem a tocar-lhe na carteira.