Pôr dinheiro no Cartão Pré-Pago Montepio é quase sempre de graça. Tirá-lo é que nem sempre. Há vias de saída que não custam nada e vias que custam 3€ mais imposto — e, num cartão cujo custo fixo anual é de 10,40€, uma única saída pela porta errada come quase um terço do que o cartão custa a manter durante um ano inteiro. Este artigo mapeia todas as saídas do saldo, com o preço de cada uma e o peso que esse preço tem consoante o montante que se quer retirar.
Por onde o dinheiro pode sair
Um saldo pré-pago não tem uma única porta. Tem sete, e o preçário trata-as de forma muito diferente. Vale a pena tê-las todas à vista antes de escolher.
| Via de saída | Custo publicado | Com Imposto do Selo |
|---|---|---|
| Gastar em compras no EEE, em euros | Isento | 0€ |
| Gastar em postos de combustível, em Portugal e no estrangeiro | Isento | 0€ |
| Levantar em ATM no EEE, em euros | Isento | 0€ |
| Transferir saldo para outro cartão, ao balcão | Isenta | 0€ |
| Transferir o saldo para conta à ordem | 3€ | 3,12€ |
| Levantar o saldo em numerário ao balcão | 3€ | 3,12€ |
| Resgatar o valor depois de o cartão caducar | 5€ | 5,20€ |
A linha que salta à vista é a terceira. Levantar em caixa multibanco dentro do Espaço Económico Europeu, em euros, não custa nada — e é exatamente a mesma operação, do ponto de vista de quem quer o dinheiro na mão, que ir ao balcão pedir o saldo em numerário por 3,12€. A diferença de preço entre as duas não está no serviço prestado; está no canal escolhido.
A quarta linha é a menos conhecida e pode resolver casos concretos: transferir saldo entre cartões ao balcão é isento. Quem tem dois cartões pré-pagos na família — um carregado a mais, outro a menos — consegue reequilibrá-los sem pagar nada, em vez de esvaziar um para a conta e voltar a carregar o outro.
Note-se também que gastar não é uma saída pior do que levantar. Dentro do euro, as compras são isentas, tal como os levantamentos em ATM. Se o objetivo final do dinheiro é ser gasto, passar primeiro pelo numerário é um passo a mais que não acrescenta nada — e que, se for dado no balcão, custa 3,12€.
A conta dos 3,12€, montante a montante
Uma comissão fixa não dói da mesma maneira em todos os valores. Três euros e doze cêntimos são uma ninharia sobre mil euros e são caros sobre cinquenta. Esta é a aritmética que decide se vale a pena procurar uma alternativa.
| Valor a retirar | Por transferência para conta (3,12€) | Peso da comissão | Por ATM no euro |
|---|---|---|---|
| 50€ | 3,12€ | 6,24% | 0€ |
| 100€ | 3,12€ | 3,12% | 0€ |
| 200€ | 3,12€ | 1,56% | 0€ |
| 500€ | 3,12€ | 0,62% | 0€ |
| 1.000€ | 3,12€ | 0,31% | 0€ |
Abaixo dos 200€, a transferência é claramente cara: retirar 50€ desta forma custa 6,24% do valor, uma percentagem que não se aceitaria em nenhum outro produto bancário para mexer no próprio dinheiro. Acima dos 500€, o peso relativo cai para menos de um por cento e a comissão deixa de ser um argumento — passa a ser o preço da conveniência de ter o dinheiro na conta em vez de em notas.
Há, ainda assim, um caso em que os 3,12€ se justificam sem discussão: quando o dinheiro tem mesmo de ir para a conta bancária, por exemplo para pagar uma renda, um débito direto ou uma transferência a terceiros. O cartão não faz nada disso, e não existe caminho isento entre o saldo e a conta. Aí, os 3,12€ não são uma escolha má — são o preço de uma coisa que só essa via faz.
O caso caro: deixar o cartão caducar com saldo lá dentro
De todas as saídas, a mais cara é a que ninguém planeia. Resgatar o valor depois de o cartão ter caducado custa 5€, ou 5,20€ com imposto — mais do que qualquer outra via e mais de metade do custo fixo anual do cartão.
O peso desta comissão é grande precisamente porque os saldos esquecidos costumam ser pequenos. Um cartão que fica na gaveta com 30€ dentro e caduca custa 5,20€ para recuperar esse valor: cerca de 17% do que lá estava. Com 20€ dentro, são mais de um quarto. É o inverso da lógica da tabela anterior — aqui, quanto menos dinheiro ficou esquecido, pior é o negócio de o ir buscar.
A regra prática é simples e não custa nada: esvaziar o cartão antes de o deixar de usar, gastando o saldo em compras ou levantando-o em ATM dentro do euro, ambos isentos. Um saldo a zero na data da caducidade não gera comissão nenhuma.
O procedimento que não custa nada
Reduzido ao essencial, tirar dinheiro deste cartão sem pagar por isso resume-se a quatro decisões.
- Se o dinheiro vai ser gasto, gaste-o diretamente. As compras no Espaço Económico Europeu em euros são isentas, e os postos de combustível são isentos mesmo no estrangeiro. Não há motivo para converter o saldo em numerário primeiro.
- Se precisa de notas, use uma caixa multibanco dentro do euro. É isento, e substitui integralmente o levantamento ao balcão a 3,12€.
- Se o destino é outro cartão pré-pago, peça a transferência entre cartões ao balcão. É a única operação presencial isenta da lista.
- Se o destino é mesmo a conta bancária, aceite os 3,12€ — mas de uma só vez. Sendo uma comissão fixa, duas transferências de 250€ custam o dobro de uma de 500€.
Duas perguntas a levar ao balcão antes de contar com este plano, porque o emissor não as resolve na informação pública: qual é o valor máximo que pode ser levantado de uma vez em caixa multibanco, e qual o saldo máximo que o cartão admite acumular. A segunda está identificada como lacuna na nossa análise completa do Cartão Pré-Pago Montepio, onde estão também o preçário integral e as condições de adesão.
Resumo
O saldo deste cartão tem quatro portas isentas e três pagas, e a diferença entre escolher bem e escolher mal é de 3,12€ por operação — ou 5,20€, se o cartão chegar a caducar com dinheiro dentro. Gastar em compras e levantar em ATM dentro do euro não custam nada; o balcão custa, salvo quando se trata de mover saldo entre dois cartões.
A comissão de transferência só é indefensável em valores pequenos: pesa 6,24% em 50€ e 0,31% em 1.000€. E a única comissão que se evita sempre, sem exceção, é a do resgate após caducidade — basta não deixar saldo parado num cartão que já não se usa. Para o panorama completo do produto, incluindo os canais de carregamento e o que o Banco Montepio não publica, leia a análise completa deste cartão pré-pago.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
