Na tabela de preços do Gold do novobanco há um número que salta à vista e três que ficam escondidos na entrelinha. O que salta é a comissão de disponibilização: 25€ por ano, a que acresce o Imposto do Selo. Os outros três são subscrições facultativas — Solução Proteção, Serviço de Utilização Tranquila e Tranquila Plus — que só existem se as pedir e pagar à parte. Este artigo faz uma única conta que a ficha do produto não faz: quanto passa a custar este cartão por ano em cada cenário de subscrição, limite de crédito a limite de crédito, e em que ponto o prémio deixa de ser proporcional àquilo que a cobertura chega a pagar.
Três subscrições com três lógicas de preço
Antes da aritmética convém separar as peças, porque não se comportam da mesma maneira. A comissão de disponibilização é fixa: 25€ por ano mais Imposto do Selo, independentemente do limite que lhe atribuírem — e desaparece por completo se for titular de Conta 360°, +351 ou Golden Key.
O Serviço de Utilização Tranquila também é fixo: 40€ por ano na versão base e 60€ por ano na versão Plus. É dele que dependem a cobertura de acidentes pessoais em viagem até 100.000€, a assistência a pessoas e a veículos e o reembolso de transações fraudulentas. Sem subscrição, nada disto acompanha o cartão.
A Solução Proteção é a peça diferente, e é a que obriga a fazer contas: custa 0,7% do limite de crédito por ano. Não é um preço, é uma percentagem — o mesmo serviço, com a mesma cobertura, cobra valores diferentes a pessoas diferentes só porque o banco lhes atribuiu limites diferentes. É esta assimetria que a próxima tabela torna visível.
A conta anual, limite a limite
O limite do Gold do novobanco é definido caso a caso dentro de um intervalo de 1.750€ a 25.000€. Aplicando os 0,7% a cada ponto desse intervalo e somando as restantes peças, o custo anual do cartão fica assim:
| Limite de crédito | Solução Proteção (0,7%/ano) | Comissão de disponibilização | Total com Utilização Tranquila (40€) | Total com Tranquila Plus (60€) |
|---|---|---|---|---|
| 1.750€ | 12,25€ | 25€ | 77,25€ | 97,25€ |
| 5.000€ | 35,00€ | 25€ | 100,00€ | 120,00€ |
| 10.000€ | 70,00€ | 25€ | 135,00€ | 155,00€ |
| 15.000€ | 105,00€ | 25€ | 170,00€ | 190,00€ |
| 20.000€ | 140,00€ | 25€ | 205,00€ | 225,00€ |
| 25.000€ | 175,00€ | 25€ | 240,00€ | 260,00€ |
Os totais somam a comissão de disponibilização, a Solução Proteção e uma das duas versões do Serviço de Utilização Tranquila. Acresce o Imposto do Selo sobre as comissões; o emissor não detalha na informação do cartão a que parcelas o imposto se aplica, pelo que os valores da tabela devem ser lidos como o piso e não como o total final.
A leitura é incómoda. Um cartão anunciado por 25€ por ano pode chegar aos 260€ anuais num limite alto com as duas subscrições pagas — dez vezes o preço de entrada. E quem tiver direito à isenção da comissão de disponibilização não escapa a nada disto: a isenção corta 25€, deixa as outras duas subscrições intactas e, num limite de 25.000€, reduz os 260€ para 235€. A parte grande da conta deixou de ser o cartão.
A partir de que limite a proteção custa mais do que o cartão
Há um ponto de cruzamento fácil de calcular e útil de guardar. Como a Solução Proteção cobra 0,7% ao ano, o prémio iguala os 25€ da comissão de disponibilização quando o limite de crédito chega a 3.571€ — a partir daí, a subscrição facultativa passa a pesar mais do que o próprio cartão.
| Limite de crédito | Prémio anual | Equivalente por mês | Prémio a dividir pela comissão de disponibilização |
|---|---|---|---|
| 1.750€ | 12,25€ | 1,02€ | 0,5 vezes |
| 3.571€ | 25,00€ | 2,08€ | 1,0 vez (ponto de cruzamento) |
| 7.500€ | 52,50€ | 4,38€ | 2,1 vezes |
| 15.000€ | 105,00€ | 8,75€ | 4,2 vezes |
| 25.000€ | 175,00€ | 14,58€ | 7,0 vezes |
Note-se o que está a ser tarifado: o limite atribuído, não o dinheiro efetivamente usado. Quem tem 25.000€ de limite e um saldo médio em dívida de 300€ paga 175€ por ano sobre uma capacidade de crédito que não utiliza. O limite alto, que num cartão de crédito costuma ser lido como uma vantagem sem custo, deixa de o ser no momento em que se assina esta subscrição.
O prémio contra aquilo que a cobertura chega a pagar
A Solução Proteção paga 10% do montante em dívida, até um máximo de 750€ por mês, em caso de desemprego, incapacidade ou hospitalização. São dois números que trabalham em sentidos opostos ao do prémio: a prestação depende da dívida, e o teto corta em 750€.
Os 10% só atingem o teto quando a dívida chega a 7.500€. Abaixo disso, o valor mensal coberto é modesto. A tabela seguinte toma um limite de 10.000€ — prémio de 70€ por ano — e mostra quantos meses de cobertura ativada seriam necessários para reaver esse prémio:
| Montante em dívida | Cobertura mensal (10%, teto 750€) | Prémio anual num limite de 10.000€ | Meses de cobertura para igualar o prémio |
|---|---|---|---|
| 250€ | 25€ | 70€ | 2,8 meses |
| 500€ | 50€ | 70€ | 1,4 meses |
| 1.000€ | 100€ | 70€ | 0,7 meses |
| 2.500€ | 250€ | 70€ | 0,3 meses |
| 7.500€ | 750€ (teto) | 70€ | 0,1 meses |
| 10.000€ | 750€ (teto) | 70€ | 0,1 meses |
Duas conclusões saem daqui. A primeira é que, se o acontecimento coberto se der com uma dívida razoável em cima, a subscrição compensa depressa: um mês e meio de cobertura sobre 500€ em dívida devolve o prémio de um ano inteiro. A segunda é a inversa, e é a que interessa a mais gente: quem liquida o extrato por inteiro todos os meses quase nunca tem montante em dívida no momento do sinistro — e 10% de uma dívida próxima de zero é aproximadamente zero. Para esse perfil, a cobertura paga-se todos os anos e cobre um risco que o próprio comportamento de pagamento já eliminou.
Repare também na desproporção de topo. O teto de 750€ por mês é o mesmo para todos, mas o prémio não: quem tem 25.000€ de limite paga 175€ por ano pela mesma prestação máxima que alguém com 7.500€ de limite compra por 52,50€. A partir dos 7.500€ de dívida, a cobertura para de crescer; o prémio continua a subir com o limite. Para o panorama completo do cartão — condições de isenção, prazos de pagamento e enquadramento de taxas —, vale a pena ler a análise completa do Cartão Gold novobanco.
Resumo: o que verificar antes de subscrever
- O preço anunciado não é o preço do pacote. Entre 25€ e 260€ por ano vai tudo o que se decide na hora de assinar as duas subscrições facultativas.
- Pergunte o limite antes de aceitar a Solução Proteção. Sendo 0,7% do limite, um limite de 25.000€ custa 175€ por ano de prémio contra 12,25€ num limite de 1.750€ — e acima de 3.571€ de limite a subscrição já pesa mais do que o cartão.
- Um limite alto que não usa passou a ter preço. O prémio incide sobre a capacidade atribuída, não sobre a dívida; pedir menos limite baixa diretamente o custo da subscrição.
- A cobertura para de crescer nos 7.500€ de dívida. Acima desse montante o teto de 750€ por mês fixa a prestação máxima, mesmo que o prémio continue a subir com o limite.
- Se paga sempre o extrato por inteiro, avalie duas vezes. Sem montante em dívida, os 10% quase não têm sobre o que incidir — e o Serviço de Utilização Tranquila, sendo de preço fixo, resolve-se por uma comparação direta com o que já tem noutros seguros.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
