O que é o Cartão Verde novobanco?

O Cartão Verde novobanco é o produto de crédito de entrada da oferta de cartões do Novo Banco, um dos maiores grupos bancários privados portugueses. Fundado em 2014 na sequência da resolução do Banco Espírito Santo, o Novo Banco consolidou-se como uma referência no retalho bancário em Portugal, com presença em todo o território nacional.

Este cartão opera na rede Visa, o que garante aceitação global em milhões de estabelecimentos comerciais e caixas automáticos em todo o mundo. Posicionado na categoria Classic, destina-se a quem procura um instrumento de crédito simples, funcional e de custo reduzido — sem as comissões elevadas associadas a cartões premium ou a programas de recompensas complexos.

O grande apelo do Cartão Verde é a sua simplicidade e custo acessível: com uma anuidade de apenas 13€ por ano, acrescida de Imposto do Selo, representa uma das opções mais baratas disponíveis no mercado português de cartões de crédito. Acresce a possibilidade de isenção total da anuidade para clientes titulares de Conta 100%, Conta 26.31 ou Conta Boas-Vindas, eliminando o custo fixo do cartão para um segmento significativo da base de clientes do novobanco.

O cartão está disponível em formato físico (com chip, banda magnética e tecnologia contactless) e em versão virtual, compatível com Apple Pay, Google Pay e MB Way. É uma solução moderna e digitalmente integrada, apesar do posicionamento de entrada no mercado de crédito.

Anuidade e custos reais

Um dos fatores mais atrativos do Cartão Verde novobanco é a sua estrutura de custos reduzida. A anuidade é de 13€ por ano, acrescida de Imposto do Selo — clientes com Conta 100%, Conta 26.31 ou Conta Boas-Vindas ficam isentos, o que retira por completo o custo fixo do cartão a um segmento relevante de utilizadores. Ao contrário de muitos concorrentes que usam o primeiro ano grátis como estratégia comercial e aumentam o custo a partir do segundo, o novobanco mantém a anuidade de 13€ ao longo de toda a vigência do contrato, sem surpresas na renovação anual.

Nas compras em euros realizadas no Espaço Económico Europeu (EEE), o cartão não cobra qualquer comissão de processamento, distinguindo-se positivamente de produtos que cobram taxas por transação mesmo em operações domésticas. Fora do EEE o custo é bastante mais elevado e resulta da soma de duas comissões: 1,35% de serviço de moeda estrangeira e 2,50% de processamento de transação internacional, o que perfaz 3,85% sobre o valor da compra.

Os levantamentos de numerário são a operação mais cara deste cartão: em caixa automático custam 4,00€ acrescidos de 4,50% do montante levantado e, ao balcão, até 4,25€ acrescidos dos mesmos 4,50% — prática comum no setor, que recomenda a utilização desta funcionalidade apenas em situações de necessidade real. O atraso no pagamento da prestação mínima implica uma comissão de 4% do valor em dívida, com um mínimo de 12€ e um máximo de 150€.

EncargoValor
Anuidade13€/ano + Imposto do Selo (isenta com Conta 100%, Conta 26.31 ou Conta Boas-Vindas)
Mensalidade0€
Compras em euros no EEESem comissão
Compras fora do EEE1,35% (moeda estrangeira) + 2,50% (processamento internacional)
Levantamentos de numerárioCaixa automático: 4,00€ + 4,50%; ao balcão: até 4,25€ + 4,50%
Substituição de cartão27,50€ + Imposto do Selo
Pagamento em atraso4% do valor em dívida (mín. 12€, máx. 150€)

Em termos de custo total de posse, o Cartão Verde é um dos mais competitivos para perfis de utilização moderada e regular em compras nacionais. O utilizador que paga integralmente o saldo no final de cada ciclo e não efetua levantamentos pode manter o custo anual efetivo nos 13€ mais Imposto do Selo — ou sem qualquer anuidade com as contas elegíveis.

TAEG, TAN e fracionamento

Compreender o custo real do crédito num cartão é fundamental para utilizar o produto de forma responsável. O Cartão Verde novobanco apresenta uma Taxa Anual Nominal (TAN) de 13,9% e uma Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) de 16,4% — abaixo do tecto máximo de 18,5% fixado pelo Banco de Portugal para os cartões de crédito no 3.º trimestre de 2026.

A diferença entre TAN e TAEG é relevante: a TAN representa apenas os juros aplicados ao capital em dívida, enquanto a TAEG incorpora todos os encargos associados ao crédito, incluindo comissões e outros custos. O Banco de Portugal recomenda que o consumidor utilize sempre a TAEG como indicador de comparação entre produtos de crédito, por ser a medida mais abrangente e padronizada ao abrigo da legislação europeia de crédito ao consumo.

O cartão oferece entre 20 e 50 dias sem juros — período durante o qual o titular pode utilizar crédito sem incorrer em encargos financeiros, desde que liquide a totalidade do saldo na data de vencimento do extrato. Este prazo é calculado a partir da data de compra até à data limite de pagamento do extrato correspondente, variando consoante o momento do ciclo de faturação em que a compra foi efetuada.

Exemplo prático: Uma compra de 500€ efetuada no início do ciclo de faturação aproveita o prazo máximo de 50 dias sem juros. Se o saldo não for liquidado integralmente e for fracionado em prestações, o custo financeiro a uma TAEG de 16,4% representa cerca de 6,80€ no primeiro mês sobre esse valor em dívida. Para quem mantém saldos elevados e opta sistematicamente pelo pagamento mínimo, os encargos financeiros acumulam-se rapidamente e podem superar em muito o valor da anuidade.

O fracionamento deve ser encarado como recurso pontual e não como prática regular. A utilização sistemática do crédito rotativo a estas taxas aumenta significativamente o custo efetivo das compras. Para utilização transacional — isto é, liquidação integral do saldo todos os meses — o custo em juros é zero, e o cartão funciona essencialmente como instrumento de gestão de tesouraria pessoal sem encargos de financiamento.

As taxas apresentadas são as vigentes à data de publicação, de acordo com o preçário oficial do novobanco. Recomenda-se a verificação das condições atualizadas diretamente no site do banco antes de contratar.

Benefícios principais

Apesar do posicionamento económico, o Cartão Verde novobanco inclui um conjunto de benefícios relevantes que o distinguem de outras opções de entrada no mercado português de crédito.

Sem comissão em compras em euros: Na utilização corrente — compras em lojas físicas ou online em Portugal e no restante Espaço Económico Europeu — o cartão não cobra qualquer taxa de processamento. Esta é a característica mais apreciada pelos utilizadores que fazem do cartão o seu instrumento principal de pagamento quotidiano.

Cashback em marcas parceiras: O cartão dá acesso a cashback em ofertas de marcas parceiras disponíveis na App novobanco e no novobanco online, benefício incluído na conta pacote. Não é uma devolução percentual sobre todas as compras, mas um conjunto de campanhas associadas a comerciantes aderentes — o retorno depende, portanto, de onde e quando o titular compra.

Seguros opcionais, não incluídos: Este é o ponto em que convém ler o preçário com atenção. O novobanco disponibiliza proteção em caso de desemprego involuntário, incapacidade ou hospitalização, mas apenas mediante subscrição paga do serviço Solução Proteção, que custa 0,7% do limite de crédito por ano, acrescido de Imposto do Selo. Subscrita a cobertura, o seguro assume 10% do montante em dívida, até ao máximo de 750€/mês, durante o período de sinistro elegível. Há ainda o Serviço de Utilização Tranquila (40€/ano) ou Tranquila Plus (60€/ano), que acrescenta acidentes pessoais em viagem até 100.000€ e assistência em viagem a pessoas e a veículos. Nenhuma destas coberturas é automática: sem subscrição, o cartão não traz seguro associado.

Pagamentos digitais: O Cartão Verde é compatível com Apple Pay, Google Pay e MB Way, permitindo pagamentos sem contacto através de smartphone ou smartwatch. A disponibilidade destes serviços sem custos adicionais é um ponto positivo relevante num contexto em que os pagamentos digitais são cada vez mais a norma em Portugal.

Cartão virtual: Para compras online, o novobanco disponibiliza uma versão virtual do cartão, reduzindo o risco de exposição dos dados do cartão físico em transações digitais. Uma medida de segurança especialmente útil em compras em plataformas de comércio eletrónico.

  • Sem comissão em compras em euros no Espaço Económico Europeu
  • Cashback em ofertas de marcas parceiras na App e no novobanco online
  • Proteção por desemprego, incapacidade ou hospitalização (até 750€/mês) — opcional e paga, via Solução Proteção
  • Apple Pay, Google Pay e MB Way incluídos sem custo adicional
  • Cartão virtual para compras online
  • Contactless e chip EMV
  • Possibilidade de anuidade gratuita com Conta 100%, Conta 26.31 ou Conta Boas-Vindas

Requisitos para pedir

O Cartão Verde novobanco tem requisitos de acesso enquadrados na política de crédito responsável do banco, alinhada com as orientações do Banco de Portugal. Para solicitar o cartão, é necessário cumprir as seguintes condições:

Ser cliente novobanco: O cartão está disponível exclusivamente para titulares de conta no novobanco. Quem não for cliente terá de abrir uma conta antes de solicitar o cartão — processo realizável inteiramente online ou num balcão.

Idade mínima de 18 anos: Exigência legal aplicável a todos os contratos de crédito em Portugal, nos termos do Decreto-Lei n.º 133/2009 relativo ao crédito ao consumo.

Análise de crédito aprovada: O banco avalia a solvabilidade do requerente com base no historial de crédito (consultado junto da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal), na taxa de esforço, na estabilidade profissional e noutros critérios de risco internos. O novobanco não publica qualquer valor de rendimento mínimo — a aprovação depende inteiramente dessa análise de risco individual. O limite de crédito atribuído situa-se entre 750€ e 5.000€, também em função do perfil de cada cliente.

RequisitoCondição
Titularidade de contaSer cliente novobanco (conta à ordem)
Idade mínima18 anos
RendimentoO banco não publica valor mínimo; avaliado em análise de risco individual
Limite de créditoEntre 750€ e 5.000€, definido por análise de solvabilidade individual
Historial de créditoVerificado junto da CRC do Banco de Portugal

Prós e contras

Depois de analisar o produto em detalhe, eis uma avaliação editorial equilibrada dos seus pontos fortes e das suas limitações.

Prós

  • Anuidade muito competitiva (13€/ano + Imposto do Selo): Uma das mais baixas do mercado português de cartões de crédito, acessível à generalidade dos perfis financeiros.
  • Isenção total possível: Com Conta 100%, Conta 26.31 ou Conta Boas-Vindas, o cartão fica sem anuidade — vantagem significativa para quem já tem uma destas contas.
  • Sem comissão em compras em euros no EEE: Para utilização corrente em Portugal e no Espaço Económico Europeu, o custo de transação é zero, tornando o cálculo do custo efetivo simples e transparente.
  • TAEG de 16,4%: A mais baixa da oferta com juros do novobanco e com folga face ao tecto máximo de 18,5% fixado pelo Banco de Portugal.
  • Cashback em marcas parceiras: Ofertas disponíveis na App e no novobanco online, incluídas na conta pacote, sem custo adicional para o titular.
  • Ecossistema digital completo: Apple Pay, Google Pay, MB Way e cartão virtual disponíveis sem custo adicional, garantindo uma experiência de pagamento moderna.

Contras

  • Seguros e assistências só mediante subscrição paga: A proteção por desemprego, incapacidade ou hospitalização exige a Solução Proteção (0,7% do limite de crédito por ano) e as coberturas de viagem exigem o Serviço de Utilização Tranquila (40€/ano) ou Tranquila Plus (60€/ano). Nada disto vem incluído na anuidade.
  • Sem programa de pontos nem de milhas: O cashback existe, mas limita-se a campanhas de marcas aderentes — não há acumulação de pontos nem devolução percentual sobre todas as compras.
  • Exclusivo para clientes novobanco: Não acessível a quem não tiver conta no banco, o que limita o alcance do produto e implica a abertura de conta como pré-requisito.
  • Compras fora do EEE com 3,85% de encargos: Viajantes frequentes para fora do Espaço Económico Europeu pagam 1,35% de serviço de moeda estrangeira mais 2,50% de processamento internacional, comparativamente a cartões especializados em viagem com isenção cambial.
  • Levantamentos de numerário caros: 4,00€ + 4,50% em caixa automático e até 4,25€ + 4,50% ao balcão tornam o adiantamento de dinheiro uma opção a evitar.
  • Limite de crédito máximo de 5.000€: Suficiente para o uso corrente, mas curto para quem precisa de plafond elevado.
  • Sem acesso a lounges aeroportuários: Inexistente nesta categoria — esperado, mas relevante para utilizadores que viajam com frequência em contexto profissional.

Para quem vale a pena (e para quem não)

Perfil 1 — O cliente novobanco que quer um cartão económico e funcional: Para quem já é cliente novobanco e pretende ter um cartão de crédito sem incorrer em custos elevados, o Cartão Verde é a escolha natural. Com 13€ de anuidade mais Imposto do Selo e sem comissão nas compras quotidianas em euros no EEE, funciona como instrumento de pagamento e de crédito de emergência a custo mínimo. Se a conta for do tipo 100%, 26.31 ou Boas-Vindas, a anuidade desaparece — argumento difícil de bater neste segmento.

Perfil 2 — Jovens e estudantes à procura do primeiro cartão de crédito: O Cartão Verde, associado à Conta 26.31 ou à Conta Boas-Vindas, é uma porta de entrada no crédito especialmente acessível para quem está a construir o seu historial financeiro. A isenção de anuidade e a compatibilidade total com carteiras digitais tornam-no moderno e funcional sem penalizar o orçamento de quem está a iniciar a vida profissional ou a gerir rendimentos mais modestos. Convém apenas ter presente que a proteção por desemprego ou incapacidade não vem incluída: é um serviço à parte, que tem de ser subscrito e pago.

Perfil 3 — Quem prioriza recompensas generalizadas ou viagens frequentes fora do EEE: Este cartão não é a escolha certa para utilizadores que preferem obter retorno financeiro direto em todas as suas compras ou que viajam regularmente para destinos fora do Espaço Económico Europeu. O cashback existe, mas está confinado a ofertas de marcas parceiras na App e no novobanco online, e não há programa de pontos nem de milhas; fora do EEE, cada compra acumula 1,35% de serviço de moeda estrangeira com 2,50% de processamento internacional, num total de 3,85%. Perde, por isso, para concorrentes que oferecem recompensas transversais ou isenção cambial — mesmo que a anuidades superiores. Para estes perfis, o custo de oportunidade de não ter recompensas pode superar amplamente a poupança na anuidade.

Da nossa análise editorial, o Cartão Verde posiciona-se como um produto honesto e transparente: sem letra pequena perturbante, sem custos ocultos e com benefícios claramente definidos — desde que se perceba que os seguros são um extra pago e não uma oferta.

Como pedir o cartão

O pedido do Cartão Verde novobanco pode ser efetuado de forma inteiramente digital, sem necessidade de se deslocar a um balcão, através da área de cliente do novobanco ou diretamente na página oficial do produto.

  1. Acede à página oficial do cartão em novobanco.pt — Cartão Verde.
  2. Clica em "Pedir cartão" na página do produto.
  3. Autentica-te com as tuas credenciais de acesso ao homebanking novobanco.
  4. Preenche o formulário de pedido com os dados solicitados (rendimentos, tipo de contrato de trabalho, etc.).
  5. Submete o pedido e aguarda a análise de crédito, normalmente processada em poucos dias úteis.
  6. Após aprovação, o cartão físico é enviado para a morada registada; o cartão virtual fica disponível de imediato na app ou homebanking.

Se ainda não fores cliente novobanco, terás de abrir uma conta em primeiro lugar. O novobanco permite a abertura de conta 100% online, através de processo de verificação de identidade digital, sem necessidade de deslocação a balcão.

Recomendamos a consulta do preçário oficial do novobanco antes de submeter o pedido, disponível no site oficial do banco, para confirmar as condições vigentes à data da contratação. Em caso de dúvidas, o serviço de apoio ao cliente está disponível nos canais indicados na página oficial.

Conclusão editorial

O Cartão Verde novobanco é, essencialmente, um cartão sem pretensões — e isso é precisamente o seu maior mérito. Num mercado repleto de produtos que prometem benefícios elaborados para justificar anuidades elevadas, este cartão assume claramente o que é: uma solução económica, funcional e moderna para clientes novobanco que querem um instrumento de crédito sem custos excessivos.

A proteção em caso de desemprego, incapacidade ou hospitalização é genuinamente útil, mas não deve ser confundida com um extra oferecido: só existe se o titular subscrever — e pagar — a Solução Proteção. A compatibilidade com Apple Pay, Google Pay e MB Way garante que o utilizador acede a uma experiência de pagamento contemporânea sem pagar por isso, e a possibilidade de anuidade zero com as contas elegíveis transforma-o num produto difícil de criticar para o seu público-alvo.

As limitações são igualmente claras: sem programa de pontos, com um cashback restrito a campanhas de marcas parceiras e com 3,85% de encargos nas compras fora do EEE, não é a escolha certa para quem valoriza recompensas transversais ou viaja frequentemente para fora do Espaço Económico Europeu. Para estes perfis, existem alternativas mais adequadas no mercado português, mesmo que a um custo anual superior.

Para quem se enquadra no perfil-alvo — cliente novobanco, utilizador de crédito moderado, focado na simplicidade e no custo reduzido — o Cartão Verde é uma escolha sólida, transparente e bem posicionada no mercado de entrada.

Análise atualizada em agosto de 2026, com base no preçário oficial.