O Cartão de Crédito BK Classic é o cartão de entrada da gama de crédito do Bankinter em Portugal: 15 € de anuidade, TAN de 14,15% e uma TAEG de 18,2% no exemplo representativo, que desce até 15,0% nos limites mais altos. É um cartão dual — funciona a débito e a crédito em Portugal — e traz um seguro de acidentes pessoais que se ativa quando o bilhete de transporte é pago com ele. O nosso veredito, numa frase: é o BK mais barato e com a TAN mais baixa dos três, um cartão sóbrio e sem surpresas para quem já é cliente do banco, mas que cobra anuidade num mercado onde muitos cartões Classic já não o fazem.
O que é este cartão
O BK Classic é emitido pelo Bankinter, S.A. – Sucursal em Portugal, registado no Banco de Portugal com o n.º 269 e na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa com o n.º 980575443. Pertence à rede Visa e ocupa o primeiro degrau da gama de crédito do banco, abaixo do BK Gold e do BK Platinum. Na Ficha de Informação Normalizada, datada de 1 de julho de 2026, a designação comercial é simplesmente «Bankinter Classic».
Há uma característica que o distingue da maioria dos cartões de crédito vendidos em Portugal: é um cartão dual Multibanco/Visa. Em território nacional, o titular escolhe se paga a débito ou a crédito; no estrangeiro, funciona apenas na vertente de crédito. Convém saber isto antes de o levar para férias, porque fora de Portugal não há forma de o usar como cartão de débito.
A FIN classifica-o como «cartão de crédito com período de free float»: quem paga o extrato por inteiro até à data limite não paga juros sobre as compras. O extrato fecha mensalmente e o pagamento vence no dia 20 de cada mês. O banco não publica, porém, o número máximo de dias sem juros — e nós também não o inventamos.
Um pormenor contratual que a FIN torna explícito: a utilização do cartão pressupõe uma conta de depósito à ordem no Bankinter, e o mesmo produto só pode ser associado uma vez a cada conta. Ou seja, não é um cartão que se peça a partir de fora, sem relação com o banco.
Custos reais
O Bankinter publica os custos em dois documentos que se completam: a FIN do produto e a secção 3 do preçário, em vigor desde 1 de agosto de 2026. Este é o quadro que resulta de os cruzar.
| Conceito | Custo publicado |
|---|---|
| Comissão de disponibilização (anuidade), 1.º titular | 15 € por ano, acresce Imposto do Selo de 4% |
| Anuidade no primeiro ano | 15 €, cobrada um mês após a emissão do cartão |
| Anuidade de outros titulares | 15 € por ano |
| Mensalidade | Não tem |
| Substituição do cartão | 15 €, acresce Imposto do Selo |
| Inibição do cartão | Isento |
| Produção urgente do cartão | 40 €, acresce IVA |
| Adiantamento de numerário a crédito (EEE, em euros) | 3,99 € + 3,99% do valor, acresce Imposto do Selo |
| Compras no EEE em euros | Isento |
| Compras no EEE noutras moedas | 1,7% (taxa de processamento internacional) |
| Compras fora do EEE em euros | 1% (taxa de conversão) |
| Compras fora do EEE noutras moedas | 1,7% + 1% |
| Comissão de recuperação de valores em dívida | 4% da prestação vencida, mínimo 12 €, máximo 150 € |
| Limite de crédito | Até 10.000 €, atribuído após análise |
Dois pormenores merecem leitura lenta. O primeiro é o Imposto do Selo, que o Bankinter discrimina com um rigor invulgar: além dos 4% sobre a anuidade, sobre os juros e sobre as comissões, há o Imposto do Selo sobre a Utilização do Crédito — 0,141% por mês sobre o saldo utilizado, apurado mensalmente. Quem deve 1.000 € durante um mês paga 1,41 € de imposto, independentemente dos juros. É pouco, mas é um custo que muita gente nunca viu discriminado.
O segundo é a escada da TAEG. A comissão anual é fixa, por isso pesa menos à medida que o limite cresce. A FIN publica a TAEG para cada patamar de limite, com reembolso em 12 meses: 18,2% para 1.000 €, 17,0% para 1.500 €, 16,1% para 2.500 €, 15,4% para 5.000 € e 15,0% para 10.000 €. O valor total dos encargos para 1.000 € em 12 meses é de 25,95 €; para 10.000 €, de 119,09 €.
Há aqui uma pequena incoerência entre documentos que convém registar. A página do produto apresenta a TAEG de 18,2% como exemplo para um limite de 1.500 €; a FIN de julho de 2026 dá 18,2% para 1.000 € e 17,0% para 1.500 €. Os 18,2% são, em qualquer caso, o valor mais alto da tabela, e é esse que usamos na ficha — quem tiver um limite acima de 1.000 € deve contar com uma TAEG inferior.
Juros e o custo de não pagar tudo
A TAN é de 14,15%, fixa, revista nos termos do contrato — o banco pode alterá-la com um pré-aviso mínimo de dois meses, e o titular pode denunciar o contrato nesse prazo sem encargos se não concordar. O exemplo representativo publicado pelo banco é claro: para um limite de 1.500 €, reembolsado em 12 prestações mensais constantes de capital acrescidas de juros e encargos, a TAEG é de 18,2%. Fica abaixo do máximo de 18,5% que o Banco de Portugal fixou para os cartões de crédito no terceiro trimestre de 2026 — por pouco no escalão de entrada, por bastante nos escalões altos.
Vale a pena comparar dentro da própria família. O BK Classic tem a TAN mais baixa dos três cartões BK: o Gold cobra 15,35% e o Platinum 14,85%. Como a anuidade também é a mais baixa, o Classic é o BK que menos custa a quem usa o crédito — o que os irmãos mais caros oferecem em troca é limite (30.000 € no Gold) e seguros adicionais, não juros mais baratos.
O mecanismo de pagamento é o que define o custo real. Todos os meses o titular paga entre 3% e 100% do saldo em dívida, com um mínimo de 7,50 €, e pode mudar a percentagem no Bankinter Particulares ou na app. Quem escolhe 100% usa o cartão como meio de pagamento e não paga juros. Quem escolhe 3% transforma-o numa linha de crédito ao consumo, com a TAN a correr sobre o que fica por pagar.
Faça-se a conta com números redondos. Uma dívida de 1.500 € à TAN de 14,15% gera cerca de 18 € de juros por mês. Se o titular pagar apenas os 3% — 45 € —, quase 40% da prestação vai para juros e o capital desce 27 €. A esse ritmo, e sem novas compras, a dívida demora anos a liquidar. É a aritmética de qualquer cartão de crédito, mas convém escrevê-la: o pagamento mínimo é um direito contratual, não uma recomendação.
A FIN prevê ainda duas modalidades — compras fracionadas e transferências fracionadas — com TAN própria, comunicada quando o serviço é disponibilizado e que o banco garante nunca ser superior à TAN do contrato. O Imposto do Selo nestas modalidades é apurado de outra forma: para prazos abaixo de 12 meses, o número de meses vezes 0,141% sobre o montante; para 12 meses ou mais, 1,76% sobre o montante, de uma vez.
O que custa falhar um pagamento
Em caso de incumprimento, os juros de mora são calculados à taxa contratual acrescida de uma sobretaxa de 3%, sobre o capital em dívida e pelo tempo da mora. Junta-se a comissão de recuperação de valores em dívida: 4% de cada prestação vencida e não paga, com um mínimo de 12 € e um máximo de 150 € — e 150 € fixos para prestações acima de 50.000 €, um cenário irrelevante num cartão com limite de 10.000 €. Sobre tudo isto incide Imposto do Selo de 4%.
Os pagamentos parciais são imputados por uma ordem que a FIN fixa: primeiro juros e impostos, depois a comissão de recuperação, depois outras comissões, e só no fim o capital. Quem entra em mora e paga «um bocadinho» está a pagar encargos, não a reduzir a dívida. O banco declara ainda que qualquer mora é comunicada à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, nos termos da Instrução n.º 17/2018.
Benefícios
O BK Classic é um cartão de benefícios discretos. Não tem cashback, não tem programa de pontos e o banco não publica acesso a salas VIP. O que oferece está escrito na página do produto e na FIN:
- Seguro de acidentes pessoais. Ativa-se desde que exista um bilhete de passagem ou título de transporte público adquirido com o cartão. É o único seguro publicado para este cartão — ao contrário do BK Gold, que junta um seguro de assistência em viagem.
- Isenção da taxa de 0,50 € nos abastecimentos em gasolineiras. Pequeno, mas real: quem abastece uma vez por semana poupa cerca de 26 € por ano, mais do que a anuidade.
- Pagamento contactless e aceitação na rede Visa, que o banco quantifica em 19,1 milhões de estabelecimentos.
- Funcionalidade dual Multibanco/Visa em Portugal: um só plástico para débito e crédito.
- Flexibilidade de pagamento entre 3% e 100% do valor em dívida, alterável a qualquer momento no homebanking ou na app.
Sobre carteiras digitais, a FIN diz apenas que o cartão pode ser associado a «aplicações de pagamento operadas por terceiros a que o Bankinter tenha aderido», sem nomear Apple Pay, Google Pay ou MB Way. Não afirmamos o que o banco não afirma; quem depender de uma carteira específica deve confirmar antes de aderir.
Dois direitos legais que a FIN recorda e que valem para qualquer cartão de crédito: o titular pode revogar o contrato em 14 dias de calendário sem invocar motivo, e pode reembolsar antecipadamente, no todo ou em parte, sem comissão.
Requisitos
O Bankinter publica poucos requisitos e nós listamos só esses:
- Ter pelo menos 18 anos.
- Ser titular de uma conta de depósito à ordem no Bankinter, S.A. – Sucursal em Portugal.
- Passar a análise de crédito: o limite, até 10.000 €, é atribuído «com base na análise das condições financeiras do Cliente».
O banco não publica rendimento mínimo, limite mínimo nem prazo de decisão. O limite máximo de 10.000 € é um terço do BK Gold, o que diz muito sobre o posicionamento: é um cartão para o dia a dia, não para grandes compras a crédito.
Pontos fortes e fracos
A favor:
- TAN de 14,15%, a mais baixa da gama BK, e uma TAEG que desce com o limite até 15,0%.
- Anuidade de 15 €, a mais baixa entre os cartões Bankinter com anuidade — e facilmente compensada pela isenção da taxa das gasolineiras.
- Free float: quem paga o extrato por inteiro até ao dia 20 não paga juros.
- Compras no EEE em euros sem qualquer comissão.
- Cartão dual, útil para quem quer um só plástico para tudo em Portugal.
Contra:
- A anuidade é cobrada desde o primeiro ano, sem isenção de boas-vindas nem por utilização — há cartões Classic no mercado sem anuidade.
- Fora do EEE paga 1% de conversão e, noutras moedas, mais 1,7% de processamento internacional: 2,7% no total, mais Imposto do Selo.
- O adiantamento de numerário custa 3,99 € mais 3,99% do valor — 400 € levantados a crédito custam quase 20 €.
- Exige conta à ordem no Bankinter.
- Limite máximo de 10.000 € e apenas um seguro, contra dois no Gold.
Para quem vale a pena (e para quem não)
Vale a pena para o cliente Bankinter que quer um cartão de crédito simples, com custos claros e uma TAN que fica abaixo da dos cartões mais caros do próprio banco. É o cartão certo para quem paga o extrato por inteiro, abastece com regularidade e quer um plástico dual para não andar com dois cartões na carteira.
Não vale a pena para quem não é cliente do Bankinter e não quer abrir conta só por causa do cartão; para quem viaja muito fora da zona euro, onde os 2,7% de encargos cambiais pesam mais do que a anuidade; nem para quem procura pontos, cashback ou seguros de viagem completos — para isso há o BK Gold, com o dobro da anuidade e um seguro de assistência em viagem. E, como qualquer cartão de crédito, não é para quem conta viver no pagamento mínimo: a TAN de 14,15% é das mais baixas da gama, mas continua a ser cara quando corre todos os meses.
Como pedir
O pedido faz-se na página oficial do Cartão de Crédito BK Classic, através do botão «Pedir cartão», ou nos balcões do banco. Quem ainda não é cliente tem de abrir primeiro uma conta à ordem, porque o cartão está contratualmente associado a ela. A decisão de crédito é do banco; o limite atribuído, até 10.000 €, é comunicado ao cliente. Convém ler a FIN antes de assinar — é o documento onde estão a tabela da TAEG por limite e as regras de mora, e é gratuita.
Conclusão editorial
O BK Classic é um cartão que sabe o que é. Damos-lhe 3,5 em 5. A pontuação premia a TAN mais baixa da gama, a anuidade de 15 €, a funcionalidade dual e uma FIN que publica a TAEG patamar a patamar; penaliza a anuidade sem isenção, os encargos fora do EEE e a exigência de conta. É o cartão mais racional da gama Bankinter para quem usa o crédito: TAN mais baixa, anuidade mais baixa e as mesmas comissões de operação que o Gold e o Platinum. O que se perde em relação aos irmãos mais caros é limite e um seguro de viagem, não condições de crédito. O ponto fraco é o de sempre nos cartões dos bancos tradicionais — a anuidade — e a exigência de conta no banco. Para o cliente Bankinter que paga a horas e abastece o carro com o cartão, os 15 € pagam-se sozinhos; para quem procura o cartão de crédito mais barato de Portugal sem laços a um banco, há alternativas sem anuidade que merecem comparação.
Análise atualizada em setembro de 2026 com base na FIN e no preçário publicados pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.
