O Cartão WiZink Rewards não tem anuidade e dá 1 ponto por cada euro gasto. Até aqui, a proposta é simples. Depois vêm duas condições que o emissor publica separadamente, e que quase ninguém junta: a troca só é possível a partir de 7.000 pontos e os pontos são válidos três anos.

Isoladamente, nenhuma das duas assusta. Juntas, criam um limiar de gasto abaixo do qual o programa nunca chega a funcionar — por muitos anos que o cartão fique na carteira.

A conta que muda tudo

Se cada ponto vale três anos, o saldo mais alto que alguma vez terá é o que acumular em 36 meses. No 37.º mês, os pontos do primeiro mês caducam ao mesmo ritmo a que os novos entram, e o saldo estabiliza. A partir daí não sobe mais — anda de lado.

Ou seja: o topo do seu saldo é o gasto mensal multiplicado por 36. Para esse topo chegar aos 7.000 pontos exigidos, o gasto mensal tem de ser, no mínimo, de 7.000 ÷ 36 ≈ 194,44 €.

Abaixo desse ritmo, o saldo sobe durante três anos, encosta a um tecto abaixo dos 7.000 e fica lá. Não é uma demora: é uma impossibilidade.

Quanto tempo demora, ritmo a ritmo

Compras por mêsSaldo máximo (36 meses)Quando atinge 7.000 pontos
100 €3.600 pontosNunca
150 €5.400 pontosNunca
190 €6.840 pontosNunca — falha por 160 pontos
200 €7.200 pontosAo 35.º mês, quase a tempo
300 €10.800 pontosAo 24.º mês
500 €18.000 pontosAo 14.º mês
800 €28.800 pontosAo 9.º mês
1.000 €36.000 pontosAo 7.º mês

Repare na zona crítica entre os 190 € e os 200 € por mês. Dez euros de diferença separam «nunca» de «consegue» — e é precisamente aí que cai muita gente que usa o cartão só para as compras grandes e paga o resto por outra via.

A leitura que fazemos do prazo

Uma nota de honestidade: o emissor publica que os pontos têm validade de três anos, e a leitura natural é que cada ponto caduca três anos depois de ter sido ganho. É essa a leitura que usámos nas contas acima, e é a mais conservadora do ponto de vista do titular. Antes de contar com um saldo, confirme o regulamento do programa — se a validade for contada de outra forma, os números mudam.

Como inclinar a conta a seu favor

Se está do lado errado dos 194 €, há duas saídas e nenhuma delas é gastar mais por gastar.

  • Concentrar em vez de dividir. A acumulação funciona em qualquer compra, não só nos parceiros. Um titular que espalha 400 € por três cartões diferentes não chega lá com nenhum; o mesmo titular a passar tudo por um só chega em 18 meses.
  • Incluir as despesas recorrentes. Subscrições, seguros pagos a prestações, combustível, supermercado — são o tipo de gasto que já existe e que, domiciliado no cartão, empurra o ritmo mensal para cima sem alterar o orçamento.

E há uma terceira hipótese que convém dizer com todas as letras: se o seu ritmo real de compras é de 100 € por mês, o programa de pontos simplesmente não é um argumento para escolher este cartão. Escolha-o pelo que ele é sem os pontos — sem anuidade, 45 dias de crédito, gestão pela app — e trate os pontos como um extra que talvez nunca resgate. O panorama completo do produto, com custos, seguros e requisitos, está na nossa análise completa do Cartão WiZink Rewards.

Um detalhe que muda o cálculo a quem já lá está

Quem já atingiu os 7.000 e resgatou volta ao zero e recomeça a escada. A conta dos 36 meses aplica-se outra vez, do princípio. Para quem está no limiar, isso significa que um resgate é realista e o segundo já não é — e vale a pena guardar o primeiro para algo que compense mesmo.

Do outro lado, quem gasta 800 € ou 1.000 € por mês entra num regime diferente: resgata a cada nove ou sete meses e nunca chega perto do prazo de validade. Para esse perfil, o tecto dos três anos é irrelevante e o programa funciona como anunciado.

Sete mil pontos são mais do que o cartão empresta

Há uma forma de perceber a escala do limiar sem tabela nenhuma: 7.000 pontos exigem 7.000 € em compras, e o limite de crédito máximo publicado para este cartão é de 6.000 €.

Isto não é uma contradição — o limite é o que se pode dever num dado momento, não o que se pode gastar ao longo do tempo, e quem paga o extracto todos os meses passa por ele vezes sem conta. Mas serve de referência: para resgatar uma vez é preciso movimentar, em compras, mais do que o tecto de dívida que o emissor está disposto a conceder. É um programa desenhado para uso intenso e continuado, não para uso ocasional.

Vale a pena juntar a isto a idade mínima: o emissor exige 25 anos a novos clientes. O cartão não está, portanto, posicionado como primeiro cartão de crédito — e o programa de pontos confirma o posicionamento.

Em resumo

O número que interessa não é 7.000 nem três anos: é 194,44 € por mês. Acima disso, o programa do WiZink Rewards funciona e o cartão continua a não cobrar anuidade. Abaixo, os pontos acumulam-se durante três anos para caducarem sem nunca terem chegado ao mínimo de troca. Antes de escolher o cartão pelos pontos, faça a multiplicação por 36.