O Revolut Standard é gratuito e continua gratuito enquanto ninguém olha para os contadores. O problema é que há dois a correr ao mesmo tempo, todos os meses, e nenhum deles aparece em destaque no ecrã principal da app: o do câmbio sem margem, que se esgota aos 1.000€, e o dos levantamentos sem comissão, que se esgota aos 200€ ou ao quinto levantamento — o que acontecer primeiro. Este artigo faz a conta de quando cada um deles começa efetivamente a custar dinheiro, e quanto.

Os dois contadores que correm em paralelo

O primeiro contador é cambial. Até 1.000€ convertidos por mês, o câmbio é feito à taxa interbancária, sem margem. Passado esse valor, acresce 1% sobre o excedente. Há ainda um segundo gatilho independente do volume: as conversões feitas ao fim de semana levam 1% de margem mesmo que o mês inteiro esteja muito abaixo dos 1.000€.

O segundo contador é de numerário. Os levantamentos em caixa automática são gratuitos até 200€ por mês ou até cinco operações, consoante o que ocorrer primeiro. A partir daí, cada levantamento paga 2% do valor, com um mínimo de 1€. Este mínimo é a parte que engana, como se vê a seguir.

Repare que os dois contadores não comunicam entre si e ambos reiniciam no início de cada mês. Um titular pode esgotar o de numerário no dia 3 e nunca tocar no cambial, ou o contrário.

A armadilha dos cinco levantamentos

A regra do «200€ ou cinco operações» é assimétrica e quase sempre lida pela metade. Cinco levantamentos de 20€ somam 100€ — metade do valor permitido —, mas esgotam na mesma a isenção do mês, porque a contagem de operações chegou ao fim. Quem levanta pouco de cada vez paga o preço de ter levantado muitas vezes.

O mínimo de 1€ por operação agrava exatamente o mesmo comportamento. Abaixo de 50€, os 2% não chegam a 1€, pelo que é o mínimo que se aplica — e o custo real dispara:

Valor levantado (já fora da isenção)2% do valorComissão cobradaCusto efetivo
20€0,40€1,00€5,00%
30€0,60€1,00€3,33%
50€1,00€1,00€2,00%
100€2,00€2,00€2,00%
200€4,00€4,00€2,00%

O ponto de equilíbrio está nos 50€ exatos. Abaixo desse valor está a pagar uma comissão fixa disfarçada de percentagem; a partir dele, paga sempre os mesmos 2%, levante 50€ ou 500€. A regra que sai desta tabela é de uma linha só: depois de esgotada a isenção, nunca levantar menos de 50€ de cada vez.

Quatro viagens, quatro contas

Traduzido para viagens reais, dentro de um único mês civil, o custo total destes dois contadores fica assim:

Cenário (num mês)Câmbio no mêsCusto cambialLevantamentosCusto do numerárioTotal
Fim de semana fora300€, em dias úteis0€1 × 120€0€0€
Uma semana de férias900€, dos quais 250€ ao sábado2,50€2 × 100€0€2,50€
Duas semanas fora1.600€, em dias úteis6,00€4 × 100€4,00€10,00€
Um mês a viver fora3.000€, em dias úteis20,00€6 × 100€8,00€28,00€

As duas primeiras linhas confirmam o que a fama do produto promete: para a viagem curta típica, o custo é efetivamente zero, e os 2,50€ da segunda linha vêm inteiros de uma decisão evitável — ter convertido 250€ num sábado em vez de o fazer na sexta.

A terceira e a quarta linhas são as que raramente se veem escritas. Na terceira, os 600€ que passaram dos 1.000€ custam 6€ e os 200€ de numerário fora da isenção custam 4€. Na quarta, o mês inteiro fora do país gera 28€ de comissões — ainda pouco em termos absolutos, mas já não é «gratuito», e é bom saber disso antes e não depois.

Como chegar ao fim do mês sem pagar nada

Das contas acima saem quatro comportamentos concretos, todos sem custo de adoção.

Converter à semana, gastar ao fim de semana. A margem de fim de semana incide sobre a conversão, não sobre o pagamento. Quem converter o montante previsto numa sexta-feira antes do fecho dos mercados e gastar depois o saldo já convertido não paga o 1%. É a poupança mais fácil de todas.

Levantar poucas vezes e em valores maiores. Dentro da isenção, cinco operações acabam com ela independentemente do valor; fora dela, cada operação abaixo de 50€ é penalizada pelo mínimo. As duas regras apontam na mesma direção: menos idas à caixa.

Contar o mês civil, não a viagem. Os contadores reiniciam no início do mês, não no início da deslocação. Uma viagem entre o dia 28 e o dia 5 divide-se por dois meses e beneficia de dois ciclos completos de isenção; a mesma viagem entre os dias 10 e 17 consome um só. Para estadias longas, a data de partida vale dinheiro.

Pagar diretamente na moeda local sempre que possível. O contador cambial só corre quando há conversão a partir do saldo. Quem já tenha saldo constituído na moeda do destino não o alimenta.

Para o retrato completo do produto — o que está incluído, os requisitos de adesão, as limitações do plano gratuito e a questão do IBAN —, o sítio certo é a nossa análise completa do cartão Revolut Standard, que trata cada um desses pontos em detalhe.

Uma nota final de enquadramento, porque gera confusão recorrente: nada disto são juros. O Revolut Standard funciona sobre saldo carregado pelo titular, pelo que não há taxas de juro, nem prestações, nem qualquer encargo de financiamento a somar. Os números deste artigo são comissões de operação, e só elas.

Resumo: as cinco regras que saem das contas

  • 1.000€ de câmbio e 200€ de levantamentos por mês são os dois limites a vigiar; correm em paralelo e reiniciam no dia 1.
  • Cinco operações esgotam a isenção de numerário mesmo que somem apenas 100€. A contagem de levantamentos pesa tanto como o valor.
  • Abaixo de 50€, o mínimo de 1€ transforma 2% em 5%. Fora da isenção, levantar menos é pagar proporcionalmente mais.
  • O fim de semana custa 1% na conversão, independentemente de quanto já se converteu no mês. Converter à sexta resolve.
  • Para a viagem curta habitual, o custo é mesmo zero. As comissões só se tornam materiais a partir de duas semanas fora ou de despesa cambial acima dos 1.000€ mensais.

Análise atualizada em setembro de 2026 com base nas condições publicadas pelo emissor e nos máximos legais fixados pelo Banco de Portugal.